Eu nasci em Raul Soares-MG, mas me mudei ainda novo, com mais ou menos três anos para Belo Horizonte. Tenho 40 anos, não parece (risos).  Vivi a minha infância toda em Belo Horizonte. Me mudei para Portugal em 2011. Não tinha coragem nem de sair de casa, era aquele filho criado pela mamãezinha, nem cozinhar sabia, aprendi a cozinhar na Europa.

Sou o filho mais velho. Somos quatro irmãos. Eu sou o mais velho, tem uma menina e três rapazes. 

A minha mãe sempre trabalhava. Ela foi, praticamente, o homem da casa; foi o pai, foi a mãe, pois, eu tinha um pai que bebia muito, era alcoólatra. Por esse motivo eu não tive problemas com bebida, nem nenhum vício, desde criança eu detestava bebida e cigarro. A nossa infância foi um pouco conturbada e difícil, minha mãe sempre trabalhou muito. Mas, dou graças a Deus pelo homem que sou hoje, porque ela soube me criar, instruir eu e meus irmãos, mesmo sem ter formação alguma. Ela foi uma mulher guerreira, dedico muito a minha vida à minha mãe, porque, mesmo sem o Senhor – pois ela só aceitou a Jesus no final da década de 80 – ela soube nos instruir no caminho certo. Após a conversão dela, as coisas começaram a mudar, aprendemos a confiar que Deus poderia suprir. Até então, a gente era católico.

Comecei a trabalhar muito novo, com cerca de 13 anos. Isso formou um caráter de homem muito cedo. Aos 17 anos, eu já era praticamente o homem da casa. Eu tinha obrigações a cumprir dentro de casa, em um âmbito que os meus irmãos olhassem para mim e sentissem segurança, porque havia muita responsabilidade. Muito cedo eu tomei uma responsabilidade grande sobre família, guiar uma família. Isso fez com que eu não olhasse para as coisas do mundo. Então, isso tudo colaborou para moldar meu caráter.

Meu pai faleceu quando eu vim para a Europa. Quando ele morreu, já tinha vencido a minha passagem de volta, então, não tive como participar do funeral. Foi uma experiência marcante. Meu pai tinha tido sete AVC’s. Ele se converteu na quarta-feira e morreu na quinta. Isso foi o que me confortou, saber que o Senhor tinha feito algo, mas, até então, ele sempre teve uma vida no alcoolismo, e foi por causa da bebida ele teve esses AVC’s. O cigarro também complicou a saúde dele. Minha mãe disse que na quarta-feira ele se converteu, na quinta-feira ele andou bem, estava andando muito bem quando, de repente, ele teve uma parada cardíaca, deu um tchau para a minha mãe, pediu perdão e faleceu.

E eu longe dessa situação. Foi difícil, senti a dor da perda, mas eu sei que ele está com o Senhor, isso me alegra.

Eu queria fazer uma viagem. Estava trabalhando há oito anos no mesmo lugar… era chefe de indústria em uma padaria e, me veio um desejo de viajar, eu queria viajar, mas não tinha coragem de sair do Brasil porque, até então, eu só tinha viajado da minha casa para a casa da minha avó que ficava a 300 Km de carro. Era o único lugar que eu conhecia no Brasil, aí eu pensei que deveria conhecer outros lugares do país. 

Estava querendo ir para Fernando de Noronha, conhecer o mar, mas um amigo que trabalhava comigo disse assim: “você quer ir para Portugal?”. Eu pensei um pouco e só disse “vamos“. Minha irmã me deu a passagem, tínhamos lugar para ficar e começou o processo de tirar passaporte, documentos e as coisas foram acontecendo, foi tão fácil que fiquei abismado. Não estava acostumado as coisas acontecerem assim.  No dia 23 de Novembro de 2011, cheguei em Portugal. 

Portugal hoje, é a minha casa. Não me vejo em outro lugar, amo essa nação. Recentemente, eu fui ao Brasil, fiquei um tempo em Campina Grande-PB, cidade que eu não conhecia e fiquei impressionado. É uma cidade linda, gostosa, você está perto das pessoas. Estivemos outros lugares do Brasil também, mesmo sendo muito bom, é bem diferente da cultura europeia. Não me vejo em outro lugar.

A igreja é tudo pra mim aqui em Portugal. É a minha família, minha casa, são os irmãos, são os meus amigos. Os amigos que eu tenho hoje são da igreja. Não tenho nenhum amigo fora da igreja.

Tive alguns amigos crentes, que até vieram comigo para o Verbo mas não ficaram, eles não estavam sendo boas influências para mim. Às vezes, você precisa tomar uma decisão pelo seu futuro. E foi o que eu fiz, me afastei deles. O meu futuro, aquilo que Deus estava me propondo, era mais importante. Eu não sabia que ia chegar onde estou chegando. 

Sonho em ter filhos. Já tenho uma esposa linda. Ter filhos seria maravilhoso. Também almejo crescer mais e mais no Senhor. Meu maior sonho não é ter dinheiro, é a unção de Deus correndo na minha vida. Quando eu vejo em pregadores como Kenneth Hagin, Brad Flook, Scott Webb, pastor Humberto Albuquerque, pastor Isaac, Sayonara, a unção de Deus fluindo na vida dessas pessoas, eu penso: “ter isso na minha vida é o meu maior sonho”.

Depois do Espirito Santo, Ana, minha esposa, é a pessoa que mais contribuiu para o meu futuro. Acho que depois que conheci a Ana e nos casamos, ela é a pessoa que me dá um foco, um norte. Ela é tudo para minha vida. É o meu amor, minha princesa, minha rainha linda.

Nos conhecemos e éramos apenas amigos. Lembro-me que uma vez uma pessoa disse pra mim assim: “você já prestou atenção na Ana?”, aí eu falei: “não, eu nunca prestei atenção”. A Ana estava sempre trabalhando na igreja e a gente conversava nos finais do culto, mas nunca tivemos um interesse a mais, mas, a partir do momento que a pessoa falou isso pra mim, passei a prestar atenção. Eu achava ela tão bonita e pensava: “nunca que essa menina vai querer que eu seja seu namorado”.

Tem algo que o pastor sempre fala aos homens: estratégia. Faz isso, faz aquilo, trata bem, cuida. Alguns rapazes pensam que a mulher dentro da igreja está esperando um cara chegar e falar no ouvido dela, às vezes, ele precisa ser guiado pelo Espirito. Tem que saber estudar a mulher, saber o que vai falar, os melhores lugares, o que é que ela gosta, o que é que ela gosta de comer, vestir, assistir… Eu sempre fazia algo que a Ana gostasse de comer.

Eu e a Ana nos unimos de forma impressionante. Hoje em dia, algumas pessoas perguntam: “ah, vocês não brigam? Vocês não têm discussão?”. A gente têm, mas somos muito rápidos em nos consertar. Existe um foco maior, um plano maior de Deus para a nossa vida e disso a gente não abre mão.

Meu plano para 2018 é crescer no Senhor. Com essa nova fase iniciando, o foco é a igreja, o crescimento da igreja, dessa obra em Lisboa. Voltar a Campina Grande-PB é também um foco, um desejo. Mas, esses são meus planos, mais crescimento na Palavra, no conhecendo de Deus. Essa é a minha vida. Esse sou eu. O meu desejo é que possamos olhar as escrituras e falar delas com mais propriedade. O meu objetivo é sempre crescer em Deus. O meu sonho é sempre crescer no Senhor. O meu projeto para 2018 será sempre o Senhor.

Pastor Isaac, Sayonara, Ap.Guto, Pr. Bud são referências pra mim. São as pessoas para as quais eu olho e observo. Escuto o que estão falando, o que estão fazendo, para seguir.

Eu sou um cara bem tranquilo. Não gosto de nada errado. Não gosto de nada que seja fora do lugar, ou fora daquilo que se disse para mim, é mais ou menos assim: “um é um”, então, vai ser um. Sou um cara muito centrado, determinado, que gosta das coisas certas. Sou bagunceiro. 

Eu gosto de passear com a minha esposa. Ah… o lazer que a gente gosta é ir ao cinema, ver um filme, desde que seja com ela… ou até mesmo ir para perto do mar. Até, quem sabe, assistir um filme com ela em casa ou cozinhar algo diferente pra ela. Eu gosto de estar com a Ana no meu lazer.

Fotos: Lucas (Verbo Lisboa)

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