Eu tinha 23 anos quando me casei, no dia 3 de maio de 1980. Foi um casamento muito bonito, minha mãe fez tudo muito lindo, mesmo sendo um casamento que ela não aprovava. Ela não sentia paz com relação a isso, e mesmo não sendo crente, o coração de mãe já sinalizava que não iria dar certo.  Com muita dificuldade e muito sofrimento eu consegui por quase oito anos, mas o meu casamento não sobreviveu. Antes de completar oito anos de casada, eu tomei a decisão de encerrar com aquele sofrimento, pois eu não aguentava mais.

Meus primeiros dois filhos já haviam nascido, Pricila e Tarcísio e, foi exatamente no nascimento da minha terceira filha, Taisa, que eu tomei essa decisão. Eu olhei pra ela e disse: “Taisa, minha filha, você vai ser a criança que vai renovar a minha alegria e a minha vontade de viver”, e realmente ela ficou com essa marca. Nas reuniões de família, nos encontros, entre eles mesmos, os irmãos, que são bem unidos, a Taisa é a falante, é a que faz rir, ela está sempre sorrindo, nada a aborrece. Ela é realmente feliz, ela nasceu feliz, foi um presente de Deus para um momento difícil.

 

Esse foi o ponto culminante da minha separação foi porque quando ela nasceu, o pai dos meus filhos, e meu marido, não foi nos buscar no hospital. Graças a Deus por termos nossa família, meus pais e meus irmãos se envolveram, todo mundo se mobilizou para nos ajudar a viver e a sobreviver nesse período. E nós vencemos! De lá pra cá, começou um novo tempo, um marco na minha vida. Eu decidi, determinei que não iria mais sofrer, nem eu nem meus filhos. Determinei que nós iríamos avançar, iríamos crescer e sobreviver a todo abandono e rejeição. Nós começamos então, com o apoio dos meus pais e meus irmãos, uma nova vida.

Eu sempre ouvia uma colega minha me falar de Jesus no trabalho, sobre Jesus renovar as minhas forças, que eu iria aguentar e iria suportar. Porque tinham momentos que eu achava que não ia aguentar. Minha filha mais velha, Priscila, tinha cinco anos, Tarcísio, o filho do meio, ia fazer um ano e Taisa com dias de nascimento. Nesse tempo, meu pai também foi diagnosticado com uma doença incurável, entrando em um processo de degeneração. Foi um momento muito difícil pra mim, quando eu vi que o que me apoiava também entrou em processo de queda. Então, não só os meus três filhos precisavam que eu fosse forte, minha mãe também precisava que eu fosse sustento pra ela e meu pai precisava do meu incentivo e minha ajuda. Foi nesse momento que eu conheci a Jesus.

Quando eu O conheci foi tudo muito lindo, maravilhoso, tudo mudou na minha vida, o sol nasceu pra mim. Eu entendi e comecei a ter Jesus como meu amigo fiel, parceiro nas minhas lutas e dificuldades. Entrei em um processo de oração e busca ao Senhor que não parou até hoje. Vejo que esse processo de relacionamento com Deus me tornou forte, me tornou o que eu sou e o que os meus filhos são hoje. Eles são exemplos onde eles pisam, eles são elogiados e eu sou muito feliz de ver o resultado que Jesus construiu na minha família, apesar de toda fúria do diabo para destruí-la.

A emoção de ser mãe é como se você se dividisse, num outro ser. Você sabe que aquele ser faz parte de você, é carne da sua carne, sangue do seu sangue e ossos dos seus ossos. Mas, é como se você se dividisse em outra pessoa para cuidar, acolher e não deixar que nada magoe ou fira o seu filho, é proteger. Ser mãe é ser feliz, é ser completa.

Priscila é um exemplo de menina, sempre foi exemplo desde criança. Nunca me deu trabalho, pelo contrário, ela foi um suporte pra mim em todo o tempo pra ajudar na criação de Tarcisio e Taisa. O nascimento da Priscila, minha primeira filha, foi uma realização como mãe, foi um tempo de experiência de muita alegria e prazer. Priscila era uma criança calma, boa, mansa e obediente, uma filha exemplar que toda mãe queria ter. Não tive dificuldade nenhuma em criar uma filha como ela, ser mãe dela foi um presente de Deus. Mesmo no tempo que ainda não conhecíamos Jesus ela já era uma menina obediente, calma e tranquila. E depois, que nós começamos a ter nossa vida com Deus, quando Jesus começou a fazer parte da nossa casa, da nossa família, Priscila continuou sendo a mesma menina exemplar.

Tarcísio ele tem uma habilidade nata, de Deus, de aconselhar. Ele tem equilíbrio e, nos momentos mais difíceis que passamos na vida, momentos de susto e surpresas não tão boas, de coisas repentinas como morte e notícias ruins, ele sempre foi aquele que acalmava e dizia “Fica calma”, “Nós vamos conseguir“, “A gente chega lá, mãe! ”. Ele sempre foi um menino que cresceu em fé e teve um equilíbrio diante de situações desagradáveis. Ele sempre nos ajuda a nos manter no equilíbrio, sempre nos traz mais pra razão e fé do que para emoção, ele sempre nos envolve em segurança. Ele se divide para nos assistir, tanto a mim quanto as irmãs.

É como se nós tivéssemos um orientador enviado por Deus, cheio de luz, pra nos animar e nos fazer focar no que devemos. Ele sempre foi um menino muito alegre e muito ligado a esporte, como futebol e Karatê. Ele gostava muito de passear, de ir à praia, pedalar. E é apaixonado por música, toca bateria desde os 10 ou 11 anos. Ele começou tocando nas minhas panelas em casa, eu chegava do trabalho e via a bateria montada na sala com minhas panelas! Sempre teve muitos amigos e sempre foi admirado por eles, por causa desse dom de aconselhar, decidir. Ele sempre foi muito equilibrado, desde criança, Deus já me mandou assim os três pacotes bem amadurecidos e com habilidades específicas identificadas com o caráter dEle.

Estar com meus filhos pra mim é um lazer, estar com eles é prazeroso, porque graças a Deus, eles só têm coisas boas a contar, os projetos e sonhos deles são coisas que me inspiram, renovam a alma e me fazem ter esperança de vida. Poder ouvir sobre os projetos, sonhos deles e me envolver é muito bom, pois vejo que ainda tenho força e capacidade em Deus para ajudar, para ser suporte, alimentar e orientar. Isso me anima, isso que é o meu lazer, minha alegria, poder estar com meus filhos dividindo com eles os planos, os projetos de vida e os propósitos em Deus. Um dos lazeres que eu também curto muito com os meus filhos é assistir um bom filme, pegar um bom cineminha. Esse é um grande lazer, tanto com Priscila, Taisa e Tarcísio, quando possível, porque hoje cada um mora em um lugar diferente. Taisa mora em Campina Grande, Priscila é missionária em Portugal e, só Tarcísio e minha nora, Bell, estão aqui mais pertinho. Estar com meus filhos é o grande prazer da minha vida.

Eu tenho várias lembranças da minha mãe, inúmeras, a minha mãe é inesquecível, incomparável, ela foi uma guerreira, que pra mim, não existiu igual! Não tenho palavras para descrevê-la. Tudo o que eu sei e tudo que eu ensino para os meus filhos eu aprendi com a minha mãe. Ela preparou a gente pra vida, mas uma coisa que ela sempre destacou era a família, como viver em unidade e como a família é importante e fundamental pra qualquer momento. E uma coisa que mais me marcou e eu pratico do ensino da minha mãe é a auto análise. Ela ensinou que ao terminar o dia devíamos nos analisar, para ver se realmente o que você fez foi bom, analisar naquele dia todas as tarefas que teve. Você analisa e vê: se você tivesse que fazer de novo você faria do jeito que fez? No final do dia, a minha mãe sempre dizia para a gente, eu e meus irmãos: “Não durma  sem se analisar, veja o dia de hoje e confira: você faria de novo?”. 

 

Algo maravilhoso que me aconteceu depois da minha chegada aqui na cidade de Recife, foi ensinar no Rhema no Sistema Prisional. Ensinar lá foi muito gratificante. Eu pensei que não resistiria ao lugar, não resistiria às circunstancias, a depressão que é o ambiente do presídio. Mas, pelo contrário, entrei lá e, ao invés de me sentir enfraquecida, lá dentro veio do alto uma força e uma determinação, minha fé foi aumentada e fortalecida depois que comecei a ver a necessidade das mulheres que estão nos presídios. Comecei a ouvir as histórias, me aproximar mais delas e conversar com elas, me tornar como confidente dessas mulheres e eu vi que elas são induzidas, por homens também induzidos por satanás, a uma destruição, a morte, a essa segregação, induzidas por influência também de um sentimento que não provem de Deus. Tenho tido a oportunidade de me envolver com elas e ser mãe delas um pouquinho, elas me respeitam. Eu as tenho ensinado a orar, e isso tem me alimentado e me fortalecido muito nesse tempo.

Queria dizer para as mulheres, que às vezes, erram na escolha dos maridos, ou não entendem porquê se pegam sozinhas em um determinado momento da vida, com filhos pequenos para criar, como eu tive que experimentar isso. Quero dizer que o refúgio, a força e a graça vem do Senhor. Todo o resultado que tive, que eu acho que foi um resultado bom, em relação a criar os meus três filhos sozinha, foi por causa de Jesus. Sem Jesus não existe saldo positivo e bons resultados na criação de um filho. Então, precisamos buscar os princípios, ensinar e transferir os princípios divinos para os filhos, para que realmente possa resultar em uma família, conservar a família.

A família hoje em dia, tem sido deteriorada, desmanchada, a família tem sido dissolvida, mas uma mulher bem-aventurada, uma mulher como Maria foi, uma mulher escolhida por Deus e temente a Ele, entende que nos princípios da Palavra ela consegue, ainda que sem esposo, estruturar uma família e criar seus filhos para o sucesso e para a vida, com sabedoria, com graça e com amor.

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