Cuidado com os rótulos

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Por: Canrobert Guimarães

O que é um rótulo?

Podemos dizer que é uma etiqueta que se coloca em algum recipiente com o propósito de identificá-lo. Isto pode ser com relação a características e informações do produto. Isso se falando de coisas naturais. Esse rótulo pode ser uma coisa muito boa, mas também pode ser uma coisa muito ruim. É boa no sentido que traz informações, características, e você pode obter um conhecimento positivo que te faça adquirir o produto. Mas esse rótulo não pode ser utilizado e aplicado em pessoas.

Você já pensou que nós podemos rotular uma pessoa? Isso é algo muito sério. Rotular significa dar característica a algo, a alguma coisa ou a alguém.

Vou dar um exemplo bem especifico. Eu brinco muito com Jadeilton e o chamo de espaguetinho, porque ele é magrinho. Ainda bem que ele não se ofende com isso, mas eu estou de alguma forma, o rotulando, e outras pessoas vão me escutar o chamando assim e podem pegar isso e entender de forma diferente. A forma como falamos, a liberdade que temos para falar com alguém, diz respeito às atribuições que aplico a pessoas; e estas podem ser boas ou más. Podem ser positivas, mas também negativas.

Você pode considerar que, na maioria dos casos, o objeto por ser inanimado ele nunca se rotula, mas ele coloca o rótulo. Diferente das pessoas que além de colocar rótulos também podem se auto rotular. Obviamente, quando a pessoa se auto rotula, o que ela vai dizer normalmente é: “eu sou o cara”. Ele não vai dizer que não é uma pessoa boa, que é uma pessoa má, mas, quando a gente rotula alguém sem conhecimento de causa, somente porque ouviu outra pessoa rotulado, é muito comum ficar com aquele esteriótipo.

Não sei se isso já aconteceu com você, pelo menos comigo já (e eu creio que não sou a exceção), quando a gente se vê concordando com uma instrução, uma informação sobre uma característica de alguém que nem conhecemos, mas porque alguém falou que aquela pessoa era assim. “Fulano fala demais” e, de repente, você, sem conhecer aquela pessoa, sem ter uma relação com ela, vai começar a rotulá-la do mesmo jeito, mas alguém foi o responsável de colocar aquele rótulo primeiro. “Fulano fala demais, tenha cuidado, aquele cara tem a língua grande”.

Alguns ainda adicionam características a esse rótulo que já foi atribuído. Eu acho isso um perigo enorme. Porque isso me remete à Bíblia, quando diz que “Há poder de vida e morte na nossa língua” (Provérbios 18.21). Dependendo do que falamos, podemos estar falando uma bênção ou maldição. Isso serve para nós mesmos, mas também para as pessoas (o que é pior).

Quando você fala murmuração sobre sua vida, você recebe o resultado disso. A murmuração é uma miséria. Quando você age assim, atrai coisas negativas para si mesmo. E quando você fala essas mesmas murmurações a cerca de alguém? Você está jogando sobre as pessoas coisas que elas nem têm, mas que outras pessoas podem achar que tem, por sua causa e isso pode fazer com que aquela pessoa seja excluída de um grupo por causa desse rótulo que você colocou.

O rotular ou atribuir coisas às pessoas que elas não têm ou não são tem destruído relacionamentos e até chamados ministeriais. Surge um boato sobre determinada pessoa falando que aquela pessoa é assim e você começa a criar uma imagem negativa daquela pessoa; não quer mais nem ouvir falar dela e nem quer ouvi-la também.

Creio que vocês já tiveram esse tipo de experiência. Por que? Porque alguém rotulou. Então, temos que ter muito cuidado com os rótulos que colocamos, principalmente porque esse peso vem sobre nós. Um dia vamos dar conta de tudo o que nós falamos. A Bíblia diz que toda palavra frívola da nossa boca nós daremos conta” (Mateus 12.36). Imagina sobre um rótulo. Algo que você atribuiu a alguém que não tinha nada a ver, só porque você, de repente, não gostou daquela pessoa.

Coisas do tipo: “Aquele cara é chato para caramba!” e, a partir dai, aquele cara é um chato. E de repente já se ouve: “Aquele cara é chato, é ruim de conversa” e por ai vai…

Devemos ter um cuidado enorme com a nossa língua e com o que falamos. De fato, verbalizamos o que pensamos. Só que tem um detalhe, o nosso pensamento é muito rápido. Às vezes, a nossa fala não acompanha o nosso pensamento. Eu acho que falo muito rápido. Tenho procurado me corrigir, como isso já vem de muitos anos, não é tão fácil corrigir, mas me policio quanto a isso.

Imagina quando falamos sem a consciência do que estamos falando. A nossa mente é muito rápida e, se não tivermos cuidado, falaremos em uma velocidade ao ponto de atropelar as palavras.

Observando a Palavra, vemos que, quando Jesus chegou a Jerusalém as pessoas gritavam: “hosana ao filho de Davi! Hosana nas maiores alturas!” Pois é, mas aquela multidão, não digo todos absolutamente, estavam reconhecendo Jesus como o filho de Deus. Talvez alguns estivessem calados, não estavam participando daquela verbalização, mas estava ali, no meio. E estavam levantando Jesus como o filho de Deus. Pouco tempo depois, Jesus é sujeito a um julgamento diante de Pilatos e não vou dizer que aquela mesma multidão, mas parte dela ou uma nova multidão, não importa, mas, com certeza, alguns estavam nas duas multidões que gritavam agora: “Crucifica-o!, crucifica-o!, crucifica-o!”

Isso me leva a pensar que aquilo que rotulamos, colocamos no meio de uma massa pode levar a massa a dizer alguma coisa que pode ser boa ou não. O mesmo Jesus que foi ovacionado como filho de Deus, estava rotulado agora como um mentiroso falsário e que deveria ser crucificado. Alguém o rotulou para que a multidão gritasse: ‘Crucifica-o!’

Existe em nós um poder na fala, na argumentação e na persuasão muito grande. Podemos persuadir e rotular pessoas com coisas negativas que podem macular a vida, o caráter dela. Podendo manchar a vida dela em todos os aspectos tanto como homem, cidadão, filho de Deus, pai de família, marido, ou ministro. Você pode ter prejuízos em qualquer área da sua vida, simplesmente porque alguém rotulou você colocando uma etiqueta e, quando as pessoas olharem para você, verão essa etiqueta.

Existem alguns rótulos em embalagens que são fáceis de tirar, como o de extrato de tomates, por exemplo, mas tem outros que foram tão bem colocados em algumas embalagens que você pode fazer muito esforço, mas não consegue tirar o rótulo. Tem um medicamento chamado Fisioton, uma vitamina que a embalagem tem um rótulo muito difícil de tirar. É possível você danificar a embalagem e ainda assim, não consegue tirar o rótulo. Isso me levou a pensar que, as vezes, o rótulo atribuído a alguém é feito de uma forma tão forte, perigosa e venenosa que, por mais que você tire, vai ficar um resquício daquele rótulo atribuído.

Alguns de nós, por falta de sabedoria, de tato e de cuidado, atribuímos rótulos errados a pessoas. Depois de entender isso, eu te digo… Se eu já tinha cuidado com isso, terei muito mais agora. Porque Deus falou comigo claramente sobre essa coisa do falar, do atribuir características.

O que sai da nossa boca pode marcar a vida de pessoas porque palavras deixam marcas. E essas marcas são difíceis de sarar. Às vezes, elas cicatrizam, mas ficou uma marca. Ela fecha não fica ferida eternamente, mas fica a cicatriz de algo que pregamos com a nossa língua.

Você já rotulou alguém?

Tenha o cuidado de atribuir palavras que coloquem a pessoa para cima, fale positivo sobre ela, que as suas palavras sirvam de inspiração para as pessoas.

1 COMENTÁRIO

  1. Isso realmente é uma irresponsabilidade sem tamanho! Palavra poderosa essa! “toda palavra frívola da nossa boca nós daremos conta” (Mateus 12.36).

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