Relacionamento Ministerial

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Por Renato Gaudard

Estava estudando um pouco e observando algumas características do ministério de Paulo. Ele construiu, inspirado por Deus, uma estrutura ministerial altamente organizada. Ele enviava pessoas, fazia as viagens de supervisão, promovia reuniões ministeriais, trabalhava com cartas. Fico pensando, às vezes, se ele tivesse um whatsapp ou um facebook, ele teria feito muito mais coisas.

É impressionante como Paulo conseguiu estruturar o ministério dele de uma forma que conseguiu promover um crescimento como vemos hoje. É o missionário que mais influenciou e mais influencia a igreja. Escreveu a maior parte das cartas do novo testamento; desenvolveu uma dinâmica ministerial que as coisas poderiam crescer, se desenvolver, sem passar por ele. Uma estrutura só cresce, se ela descentraliza. E Paulo fez isso. Ele desenvolveu o seu ministério de uma forma que os ministros não precisavam mais ser levantados por ele.

Por exemplo, quando ele orienta Timóteo com respeito as qualificações que um ministro deveria ter para ser levantado, Timóteo a partir dali, já tem as ferramentas para que ele mesmo levante ministros. Então, naquela época já havia uma estrutura de ministério que as coisas não precisavam passar por Paulo para acontecer, por isso cresceu, e foi bem sucedido. Isso com respeito a essas questões organizacionais, de estrutura, de funcionamento. Mas, existem alguns elementos também, dentro da sua estrutura ministerial que são bem interessantes, que é o vínculo, o relacionamento que Paulo conseguia desenvolver com os seus ministros, ou com as pessoas ligadas ao ministério.

Quando falamos de relacionamento ministerial, sempre penso que antes de ser ministerial é relacionamento. Você desenvolve com as pessoas um relacionamento e, este se torna ministerial por causa do tipo de atividade que podem desenvolver juntos. Vemos isso muito forte no ministério de Paulo, e esse com certeza foi um dos motivos para que ele tivesse êxito em tudo o que fez.

“A Tito, meu verdadeiro filho, segundo a fé comum: Graça, misericórdia, e paz da parte de Deus Pai, e da do Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador. Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam, e de cidade em cidade estabelecesses presbíteros, como já te mandei”. (Tito 1.4-5)

Essa palavra “deixei” tem também o sentido de ser abandonado, de ser deixado para trás. Nós sabemos que não foi assim que Paulo fez, mas ela também significa “ordenar a alguém a permanecer”. Paulo tinha um tipo de relacionamento com Tito que permitia a ele deixar Tito em um lugar e, pelo o que está escrito se entende que Paulo deixou algumas informações com Tito, mas com certeza não deve ter passado tudo, mas pela carta ele soube do que devia fazer.

Pelo o que o texto afirma, pode ser que Paulo tenha passado algumas informações para Tito sobre o que ele tinha que fazer, mas as informações chegaram de uma forma detalhada com a carta. Agora, imagina Paulo falando com Tito assim: “Tito, eu tenho umas coisas pra resolver mas vou te deixar aqui e depois eu te explico o que precisa fazer”. Depois Paulo disse para Tito que o deixou ali para que ele colocasse tudo em ordem, e por que isso? Porque estava em desordem. E o trabalho de Tito não era nada mais nada menos do que levantar líderes.

“Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão, Aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância. Um deles, seu próprio profeta, disse: Os cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos.Este testemunho é verdadeiro. Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sãos na fé”. (Tito 1.10-13)

Que tipo de relacionamento você acha que Paulo tinha com Tito para que ele pudesse se conduzir dessa forma? Paulo com certeza tinha um relacionamento de extrema confiança em Tito, mas também Tito confiava em Paulo. Não era um relacionamento unilateral, era Tito cooperando com Paulo porque ele confiava nele tanto quanto Paulo confiava em Tito, era uma via de mão dupla. Relacionamentos ministeriais se constroem assim.

Você só está pronto para assumir responsabilidades grandes quando você consegue construir com pessoas vínculos duradouros.

Tem um outro exemplo também, que é o de Priscila e Áquila. 

“Saudai a Priscila e a Áqüila, meus cooperadores em Cristo Jesus, Os quais pela minha vida expuseram as suas cabeças; o que não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios”. (Romanos 16.3-4)

Imagina a coragem que Paulo teve para dizer que Priscila e Áquila que eram os seus cooperadores e pela vida dele arriscaram a a sua cabeça? Você poderia dizer isso a respeito de alguém? Tem alguém que vem a sua memória que você sabe que arriscou a vida por você? É mais fácil a gente dizer que arriscaria a vida por alguém, do que ver alguém arriscando a vida por nós. Paulo teve confiança para dizer isso, porque ele teve experiências com esse casal que sustentavam isso; outra coisa, não seria mais fácil Paulo dizer que eles arriscaram a vida por Jesus? Claro que sim! Mas, veja o nível de amizade, companheirismo, que paulo estabeleceu com este casal.

Posso te fazer uma pergunta? Por quem você arriscaria a sua própria vida? Lendo essas passagens eu fico pensando até onde eu teria coragem de ir.

Um relacionamento superficial não vai promover nada que seja duradouro na sua vida. Relacionamentos de compromisso, leais, vínculos fortes, com certeza te darão condições de construir coisas duradouras com as pessoas. Estou falando sobre você construir isso com pessoas, eu não estou falando isso para você construir relacionamentos com o pastor da sua igreja, ou o líder do seu ministério, porque relacionamentos você não faz com posição você faz com pessoas.

“E, achando um certo judeu por nome Áqüila, natural do Ponto, que havia pouco tinha vindo da Itália, e Priscila, sua mulher (pois Cláudio tinha mandado que todos os judeus saíssem de Roma), ajuntou-se com eles, E, como era do mesmo ofício, ficou com eles, e trabalhava; pois tinham por ofício fazer tendas”. (Atos 18.2-3)

Paulo conheceu esse casal em Corinto e se aproximou deles porque eram do mesmo ofício, trabalhavam na mesma coisa. Você não sabe aonde você vai encontrar as pessoas que se tornarão muito importantes na sua vida. Paulo não encontrou esse casal na sinagoga, ele os encontrou no trabalho e conseguiu desenvolver com eles um relacionamento tão forte que eles se tornaram companheiros de ministério.

Você não sabe onde estão as pessoas que podem se tornar grandes companheiros seus de ministério. Isso reforça o pensamento de que os meus vínculos precisam estar ligados a pessoas.

Pense: Qual a natureza dos relacionamentos que você tem conseguido construir? Será que temos fechado a porta para as oportunidades que Deus está abrindo na nossa vida? Avalie o tipo de relacionamento que você tem construído com as pessoas, até onde você poderia ir por elas, e pode ter certeza de uma coisa, relacionamentos ou vínculos superficiais não te levarão muito longe. Vínculos fortes, vínculos de lealdade, de comprometimento farão com que você construa coisas duradouras.

Não pense só no que você pode receber, pense no que você pode dar. Não queira receber de um relacionamento o que você não está disposto a dar.

Texto transcrito a partir de ministração realizada no Centro de Operações do Ministério Verbo da Vida em Maio de 2017.

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