Fé para esse tempo

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por Cristhiane Franqueiro Machado Santiago

Tenho o privilégio de congregar na Igreja Verbo da Vida, em Caxias do Sul (RS), e participar do avanço do evangelho neste tempo.

Coordeno com o meu esposo a Secretaria de Missões e o Missões Urbanas – Amor em Movimento e, nesses quatro anos de trabalho, iniciamos diversas ações urbanas, com as quais visamos, de maneira estratégica, entrar em várias áreas da nossa sociedade, para que possamos ter um alcance maior e sermos mais eficazes na nossa missão de levar as boas novas. Pois cremos que nossas palavras falam, mas são nossas ações que são ouvidas.

Infelizmente, desde que foi iniciada essa quarentena devido à pandemia do Covid-19, temos orado e buscado novas formas de agirmos e continuarmos com a nossa missão, pois muitas das nossas ações tiveram que ser interrompidas.

Somos da fé e cremos em milagres, mas também respeitamos as leis, pois devemos ser referência para todos. Sabemos que não podemos parar e o nosso desejo de servir sempre será maior do que as circunstâncias que podem tentar nos parar. Oramos e, como sempre, o Espírito Santo nos direcionou (Ele é maravilhoso) e abriu portas junto aos órgãos municipais competentes, para que, respaldados por eles, pudéssemos ser luz e sal nesse tempo.

Entendemos que aquilo que para muitos é caos, para Deus e aqueles que são guiados por Ele, são excelentes oportunidades.

Desde então, temos servido a comunidade: distribuindo quentinhas; doando cestas básicas, roupas e móveis; confeccionando máscaras para hospitais e pessoas que não podem comprar; e no lugar das visitas hospitalares estamos enviando mensagens, realizando ligações, enfim, usamos a internet para alcançar aqueles que não podemos abraçar no momento. Não paramos e não vamos parar, nossos irmãos da fé são nosso braço forte e têm nos impulsionado a cada dia, seja com recursos, orações e palavras diretas do céu. Temos sido fora o que vivemos dentro.

Mas, mesmo diante do avanço e do desejo de não pararmos, eu, que sou ligada em 220 volts, e sempre busco me envolver em tudo e com todos, me vi diante de uma situação muito delicada e que me fez parar em um tempo que desejava correr. Trabalho na Saúde há 20 anos, e faço da minha profissão a extensão da minha missão.

Nunca tive medo diante de nenhum paciente que tive que cuidar por pior que fosse o diagnóstico, e dessa vez não foi diferente. Como estava no início da pandemia, o hospital ainda estava fazendo seus planos e protocolos para que todos nós pudéssemos lidar com algo ainda sem cura e desconhecido. Nosso alvo era nos cuidar e continuar cuidando dos nossos pacientes e de tantos outros que poderiam chegar.

Muitas informações nos eram passadas e o cenário em outros países nos preocupava. Tinha dias que eu precisava parar minhas colegas para dar uma palavra de esperança e fé. Sempre que dava um tempinho, eu procurava reunir toda elas para orar, mesmo cada uma tendo a sua religião, pois sabia que estávamos passando por um momento difícil, mas também era um momento oportuno para cada uma delas conhecer o amor e o cuidado de Deus por suas vidas. Infelizmente começamos a ter casos entre nós, pessoas próximas e que tínhamos contato tiveram que ser internadas e logo foram para a UTI.

Logo após uma superior minha se internar, na verdade três dias depois, eu comecei a ter dor de cabeça e tosse leve, fui avaliada e pude voltar a trabalhar, porém em 24 horas comecei a apresentar outros sintomas característicos e precisei coletar os exames necessários para confirmar. Precisei entrar em isolamento domiciliar até o exame principal ficar pronto, pois naquela época, no mês de abril, ainda demorava 7 dias para sair o resultado. Infelizmente as notícias não foram boas, e eu me vi no lugar do paciente, e em um momento que eu precisava ajudar a cuidar, precisei ser cuidada, pois também fui diagnosticada com o Covid-19. Tive que ficar em isolamento domiciliar o tempo necessário para findar o ciclo do vírus, fui medicada conforme protocolo vigente naquela época e me orientaram a procurar o hospital de campanha construído no hospital que eu trabalhava, caso os sintomas piorassem.

Sozinha em casa, me vi diante de conflitos internos e de tantas vozes que tentavam me persuadir da fé que confessava e praticava, afinal fui acometida de algo que até o momento era mortal e desconhecido. Pensava constantemente na pessoa que provavelmente tinha me passado o vírus e ficava ainda mais preocupada, pois ela tinha ido para a UTI e o seu estado requeria muita atenção. Tudo em mim doía, cada juntinha do meu corpo, minha cabeça parecia que ia explodir, tinha falta de ar, o cansaço e a fadiga aumentavam a cada movimento que fazia, perdi o paladar.

Fui confrontada, diariamente, com as vozes persistentes, que mesmo não crendo nelas, a cada dia perseveravam em me fazer olhar para o natural e me esquecer do espiritual. Vozes de medo, ansiedade, confusão, pânico, desespero, culpa, morte, insegurança, incapacidade. Não conseguia ler a Bíblia, ler um livro, orar verbalmente, por isso comecei a orar na mente, lembrava da Palavra que tinha dentro de mim, da vida que habitava dentro de mim. Porém, durante o isolamento, teve um dia crucial que passei, eu tive uma piora na falta de ar e tive que ser levada para o hospital de campanha e ser avaliada e fazer vários exames. Queridos, não vou enganar vocês e dizer que me enchi de fé nesse momento. Porque não foi isso que aconteceu, me senti sem força e com medo mesmo. Por fora buscava passar calma e tranquilidade para meu esposo e os profissionais que ali estavam, mas na minha mente vinha uma voz constante e perturbadora dizendo:

“Você é cristã, conhece a Palavra da fé e pegou o Covid-19. E agora?”

Nossa! Como era ruim ouvir essa voz confrontando a minha fé, tentando me fazer duvidar da Cruz de Cristo e do amor e cuidado de Deus por mim.

Tive que fazer uma tomografia para avaliar os meus pulmões, e aproveitei que fiquei sozinha dentro daquele aparelho barulhento, me enchi de força e determinação por alguns segundos apenas e mesmo sendo difícil falar por causa da falta de ar, comecei a orar em línguas e declarar que já era curada em Cristo, que no meu exame não daria nada, que iria me recuperar e seria testemunho vivo da humanidade de um cristão e do constante cuidado do Senhor em favor daqueles que O amam. E acredito que vocês sabem o que acontecem né?

O milagre aconteceu! Recebi a cura física e ainda obtive a resposta para a pergunta que tanto me afligiu nesse momento: Você é cristã, conhece a Palavra da fé e pegou o Covid-19. E agora?

“Agora? Agora eu me lembro de que realmente sou cristã, que conheço sim a Palavra da Fé, e não somente conheço, mas creio e me movo sobre ela. E quanto à enfermidade que me acometeu? Essa eu deixo sobre os cuidados d’Aquele que venceu tudo na cruz. Afinal de contas, tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus. E quando se diz tudo, é tudo mesmo!!!”

E para finalizar queridos, quero que vocês entendam três coisas:

1) A nossa missão de servir a comunidade continuou mesmo comigo em isolamento social, pois não faço nada sozinha, existe uma equipe com o mesmo foco e coração (1 Coríntios 1.10).

2) E que mesmo ouvindo vozes contrárias ao que creio, perseverei em ouvir o que estava dentro de mim. Por isso vivi experiências tremendas com o Senhor. E aquilo que a situação tentou me convencer que seria para morte, redundou em vida.

3) Por isso, diante de tudo o que você enfrentar nessa vida, lembre-se disso:
 – A Palavra da Fé não nos imuniza de situações difíceis, mas nos garante a vitória sempre. (João 16.33)
– Deus é bom o tempo todo. (Salmos 119.68)
– Ele começou uma boa obra na sua vida. Então, creia! Ele vai completar. (Filipenses 1.6)
– As vozes virão, e elas são cruéis, mas ouse ouvir a voz do Senhor em todo o tempo. (Isaías 1.19)
– Temos uma missão e ela inclui cada área da nossa vida. Então, seja luz e sal onde for, no tempo que for, com quem encontrar. (1 Coríntios 9.22)
– Não temas, Ele prometeu que estaria conosco. (Josué 1.9)

Com carinho no Senhor,
Cris.

Cristhiane Franqueiro Machado Santiago

Técnica de Enfermagem
Líder da Secretaria de Missões da Igreja Verbo da Vida de Caxias do Sul (RS)
Líder do Missões Urbanas – Amor em Movimento

 

 

 

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