Um coração missionário

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por Janiklessya Oliveira

Sempre ouvi que existe um coração missionário. E, na verdade, eu não entendia bem o que essa frase queria dizer. Mas tenho compreendido que existe mesmo um coração missionário e nele há algo muito importante para a missão: a compaixão, que é uma das formas do amor em ação. 

Na atualidade, temos escutado muito sobre a empatia, e a importância desta para a humanidade, e de fato, a empatia é uma capacidade psicológica muito importante nas relações humanas. Pois é ela quem nos permite pensar, imaginar, tentar compreender o que se passa com o outro, para assim agir de modo mais sensível para com o mesmo. Mas diferente do que alguns pensam, empatia não é o mesmo que compaixão. Sendo a compaixão uma das facetas demonstrativas do amor, ela não é natural, mental, mas espiritual, que diz de uma atitude.

Sou curiosa para descobrir a etimologia das palavras, por ver que ela pode nos nortear um sentindo ampliado. E analisando a origem da palavra compaixão, vi que ela vem da palavra grega ESPLAGNISOMAI, que se refere a uma dor profunda, algo como que ser movido pelas entranhas, sensibilizar-se com algo ou alguém. Ao ver esse sentido, logo lembrei da intercessão com gemidos inexprimíveis. E para que possamos cooperar com o Espírito em oração intercessória, precisamos galgar esse nível de compaixão.

E não há como falar de compaixão, ou qualquer outro assunto nas Escrituras, sem que não possamos olhar para Jesus, nosso Mestre e maior referencial. Segundo uma breve pesquisa, a palavra compaixão aparece aproximadamente 64 vezes na Bíblia, sendo mais ou menos 15 delas na Nova Aliança, e pelo menos 11 vezes ela aparece nos evangelhos e relacionadas a Jesus e seu ministério. Jesus era movido de íntima compaixão. Ele era o próprio amor de Deus, ou melhor, o próprio Deus se movendo entre os homens.

Mateus 14.14 nos mostra que Jesus, movido de íntima compaixão, se compadece do povo e cura os doentes. Mateus 9.36 nos mostra que Jesus moveu-se por grande compaixão das pessoas, por elas estarem aflitas e desamparadas, como ovelhas que não tinham pastor. E ele orienta para orarmos e pedirmos para que o Senhor da seara envie mais trabalhadores para a colheita. Em Marcos 8.2, Jesus foi movido de compaixão pelas pessoas que estavam com ele há 3 dias sem comer, realiza mais um milagre de multiplicação. E em Lucas 15.20, através da parábola do “Filho Pródigo”, Jesus nos ensina a compaixão de Deus por seus filhos que se extraviam da comunhão com Ele.

Vemos, pois, que Jesus, o amor de Deus manifesto em carne, movido pelas entranhas, em amor, se compadece das vidas. Se compadece do sofrer do homem e provê a resposta, a resolução. E essa é a maior diferença da compaixão para empatia, que pude compreender. Enquanto a empatia procura pensar, imaginar, a compaixão sente e se move para a resolução, ou para aliviar o sofrer de outrem.

E esse é um pouco do coração missionário que vemos, principalmente, em Jesus. O coração missionário é compassivo, é tão tocado, tão impregnado no amor de Deus, que não considera sua vida como preciosa a fim de que vidas sejam tocadas. O coração missionário sente a dor de vidas que sofrem enfermas, por desconhecerem o Jesus que Cura. Sente a dor dos que sofrem aflitos, desamparados, porque desconhecem O Bispo de Suas almas, O Bom Pastor. E esse coração missionário se move para cooperar com a resposta para vidas, na intercessão por elas, gerando no Espírito; não só novos filhos de Deus, mas igrejas, nações rendidas ao senhorio de Cristo.

Um coração missionário contribui com suas finanças, para que a Luz da Verdade brilhe mais e mais por entre as nações. Um coração missionário, movido como pelas entranhas, se move em direção ao plano de Deus, ao chamado, dizendo “sim”, para ser a continuidade de Cristo andando sobre a terra, sendo seus pés, para chegar aos lugares mais inóspitos, sendo Seus braços que alcançam os que não foram alcançados, sendo o colo para o filho que retorna quebrantado.

Esse é um pouco do coração missionário, é um pouco do meu e do seu coração. Pois como bem dito por C.H Spurgeon “Todo Cristão ou é um missionário, ou é um impostor”. Se o amor de Deus está, continuamente, derramado em nossos corações como nos esclarece Romanos 5.5, a compaixão faz parte de nós e deve ser manifesta para que sejamos, cada dia mais, a resposta de Deus para vidas, onde estamos, e além de onde estamos, para todo o mundo.


Janiklessya Oliveira
 
Professora do Centro de Treinamento Bíblico Rhema 
Líder da Secretaria de Missões da Igreja Verbo da Vida de Garanhuns (PE)

 

 

 

 

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