Adoração e a vida original

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Deus criou a humanidade porque desejava estabelecer um relacionamento de amor recíproco. O homem foi criado com a essência de Deus para poder se relacionar com o Criador, que é Pai. Não somos robôs configurados para obedecer, muito menos escravos movidos a ferro e fogo.

O homem é espírito porque é tirado de dentro do Espírito, por isso o “eu interior”, ao relacionar-se com Deus consegue compreendê-lo claramente. É possível entendermos agora o porquê de Jesus ter vindo com o propósito determinado de recriar os espíritos mortos ao invés de meramente revolucionar o mundo.

Toda confusão se estabelece a partir da distorção da seguinte realidade fundamental: o homem não é pó da terra, o homem é umespírito eterno. O ser humano perde o seu sentido existencial porque se desliga da sua fonte criadora. Por isso, tudo o que ele sabe sobre ele mesmo é que “veio do pó, e que ao pó voltará”.

Desde que o homem se separou da sua Fonte original, lá no Éden, ele ficou impossibilitado de cumprir o propósito para que nasceu. Deus expôs a condição: “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás, porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Gênesis 2.17).

O homem fez a sua decisão quando comeu da árvore que não podia comer, e isso significou uma declaração de independência. Quando Adão e Eva desobedeceram a Deus, os olhos dos dois se abriram para perceberem que estavam nus (Gênesis 3.7). Eles se tornaram, a partir de então, governados pelos sentidos, deixaram de ser conscientes do mundo espiritual e tornaram-se conscientes do mundo físico; já não eram mais guiados por dentro, no coração, pelo Espírito de Deus.

No contexto perfeito do homem adorador, as relações interpessoais, familiares e conjugais, em todos os seus aspectos, seriam facetas da sabedoria de Deus, reproduzidas pelos filhos como estilo de vida. Até mesmo os anseios, experiências e prazeres humanos não seriam em si satisfações carnais, mas espirituais, pois o homem estaria vivendo plenamente sua vida em Deus, para louvor, amor e glória do Pai, correspondendo aos ideais de uma vida com sentido e princípios sublimes.

Quando o ser humano caiu da condição original de alguém que tinha comunhão com a natureza santa de Deus, ele se tornou inferiorizado, subestimado. Ele perdeu a sua referência. A consciência tão forte que tinha de que era um ser espiritual e um governante de toda a criação, foi, aos poucos, substituída por uma mentalidade escrava e carnal.

O mundo oferece um estilo de vida contrário ao que deveríamos ser de fato. Inspirados pelo mundo jamais chegaremos à perfeição porque o mundo enaltece os sentidos acima do espírito, de uma maneira tal que, a qualquer preço, o homem tenta conquistar aquilo que interessa aos seus desejos, mesmo que contrarie às convicções do coração. E desta forma, vive apenas em função do momento, perdendo a noção do seu propósito e da eternidade.

Assim, a santidade foi relegada e a adoração foi interrompida no planeta dos homens. Adão e Eva pertenciam a uma família livre, porém queriam fazer parte de uma sociedade independente. A inversão dos valores divinos foi apenas uma questão de tempo, o mundo rapidamente esqueceu o que era o bem.

A raça humana vive demasiadamente aquém de uma experiência de vida regada pela adoração a Deus: a inspiração de Deus que nutre o coração humano, a adoração humana que alegra o coração de Deus.

Para que o homem alcance o auge do seu propósito e corresponda à sua origem, um relacionamento com Deus é uma necessidade imperativa e não apenas uma opção. Para a plena realização do propósito e a experiência plena do sentido de ser, Deus não é uma alternativa, mas, sim, uma exigência.

A chave para a realização do propósito é conhecer a Origem e relacionar-se com a Fonte. Sem um relacionamento com Deus o homem é limitado. Mesmo que ele experimente, de alguma maneira, o progresso, ele ainda será uma pequena amostra de tudo o que é capaz.

Manassés Guerra 

Do livro “Louvor, Adoração e as Coisas do Coração” – Manassés Guerra

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