Não se prive da graça

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por Cristiano Arcoverde

Ao estudar mais um pouco o conceito de “amargura” me deparei com algo que veio como grande revelação em minha vida. Lendo a minha Pequena Enciclopédia Bíblica de O. S. Boyer, entendi a profundidade no simples sinônimo da palavra AMARGURA: DESGOSTO.

Alguém que está amargurado é alguém que está desgostoso com algo ou alguém. Muitos estão desgostosos com sua própria vida, com seu cônjuge, com seus líderes, com seu trabalho, sua igreja e é aí onde está o grande perigo.

Isso veio com grande força de revelação quando, certo dia, em um momento de devocional, li Hebreus 12.15 e constatei que alguém que está desgostoso está correndo sérios perigos. Atente para o texto abaixo:

Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem” 
(Hebreus 12.15)

Existem alguns estágios que acontecem no coração amargurado. O que me chama atenção é que o escritor aos Hebreus inicia o verso com o que poderia considerar o resultado final. Então, o que significa isso? Significa que a questão é tão séria que antes de anunciar os estágios da amargura ele já alertou para o que seria mais grave, justamente para que o cristão não permita que nenhuma semente contrária possa adentrar em nosso coração. 

Certamente, você deve ter percebido que, em uma curva ou obstáculo em uma pista, a placa de alerta vem com bastante antecedência, justamente para que o motorista esteja posicionado para lidar com os obstáculos. As consequências são graves e a placa de alerta vem bem antes.

“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mateus 26.41)

“Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos”
(Efésios 6.18).

Esteja atento, vigilante e não deixe a amargura entrar, nem muito menos se alojar para que não haja um afastamento seu da graça de Deus. A graça de Deus é a capacidade divina operando no humano, concedendo-lhe a força e o favor necessários para uma vida cristã bem-sucedida; é a graça que nos faz suportar todas as coisas e por isso não podemos deixar que nada nos afaste dela. O Apóstolo Paulo soube lidar com estas questões de guardar o coração para não permitir que a amargura entrasse em seu viver. 

Imagine o quanto Paulo sofreu por pregar o evangelho, por fazer o bem às pessoas e na maioria das vezes não era reconhecido ou elogiado! Paulo tinha maturidade para, identificando sua missão, não ser pego por coisas que poderiam roubar suas forças e tirá-lo do propósito maior de Deus para sua vida.

Certa vez, ele chegou a pedir ao Senhor que afastasse aqueles enviados de satanás, aqueles que o perseguiam, mas mesmo assim o Senhor lhe ressaltou o poder da graça sobre sua vida:

“A Minha graça te basta, porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza (na nossa incapacidade humana de produzir resultados satisfatórios); por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então sou forte“
(
II Coríntios 12.7-10).

Perceba que ele chega a citar injúrias, perseguições, angústias por amor de Cristo. Por diversas vezes, ele cita situações de abandono por parte de alguns companheiros de jornada, em outras menciona que esteve entre falsos irmãos, ou seja, pessoas que se diziam irmãos e amigos, mas estavam agindo falsamente. Ele passava por todas estas situações tendo prazer, alegria, justamente porque guardava o seu bem precioso… o seu coração. Isso o motivava a sair de um lugar para o outro anunciando o evangelho da Salvação. 

“Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos”
(II Coríntios 11.26)

E isto por causa dos falsos irmãos que se entremeteram com o fim de espreitar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus e reduzir-nos à escravidão(Gálatas 2.4)

“Estás ciente de que todos os da Ásia me abandonaram; dentre eles cito Fígelo e Hermógenes. Conceda o Senhor misericórdia à casa de Onesíforo, porque, muitas vezes, me deu ânimo e nunca se envergonhou das minhas algemas; antes, tendo ele chegado a Roma, me procurou solicitamente até me encontrar. O Senhor lhe conceda, naquele Dia, achar misericórdia da parte do Senhor. E tu sabes, melhor do que eu, quantos serviços me prestou ele em Éfeso ” (II Timóteo 1.15-18)

Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda. Procura vir ter comigo depressa. Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica; Crescente foi para a Galácia, Tito, para a Dalmácia. Somente Lucas está comigo. Toma contigo Marcos e traze-o, pois me é útil para o ministério. Quanto a Tíquico, mandei-o até Éfeso.

Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, bem como os livros, especialmente os pergaminhos. Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe dará a paga segundo as suas obras. Tu, guarda-te também dele, porque resistiu fortemente às nossas palavras. Na minha primeira defesa, ninguém foi a meu favorantes, todos me abandonaram. Que isto não lhes seja posto em contaMas o Senhor me assistiu e me revestiu de forças, para que, por meu intermédio, a pregação fosse plenamente cumprida, e todos os gentios a ouvissem; e fui libertado da boca do leão.

O Senhor me livrará também de toda obra maligna e me levará salvo para o seu reino celestial. A ele, glória pelos séculos dos séculos. Amém!”

(II Timóteo 4. 7-18)

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