O missionário e a crise humanitária

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por Iracelma Patrícia Fernandes Casimiro

Durante este ano, mais de 37 mil venezuelanos e venezuelanas foram reconhecidos como refugiados no Brasil. Eles deixaram o seu país de origem devido ao agravamento da crise econômica e social na Venezuela.

Atualmente, Campina Grande (cidade na qual resido), abriga cerca de 59 desses refugiados, venezuelanos que o Senhor tem nos permitido prestar assistência, desde o mês de agosto, com a Palavra que transforma e também suprindo algumas de suas necessidades físicas. Eles nos contam que sua trajetória até chegar ao Brasil foi longa, tiveram que andar muitos quilômetros a pé, incluindo as crianças, e também passaram dias de fome. Tudo porque estavam em busca de uma vida de paz e esperança, abandonando tudo que tinham para trás.

No seu país de origem muitos possuíam títulos como: pescadores, artesãos (como é o caso dos que se encontram em Campina Grande), professores, doutores, entre outros títulos. Hoje eles fazem qualquer coisa, até mesmo pedir esmolas para sustentar seus filhos e garantir que nunca mais passarão fome. Assim como eles, existem milhares de pessoas no Brasil tidas como refugiadas, que deixaram casas, famílias, sustento, etc., em busca de um novo começo, se assim posso dizer.

Segundo a ONU, o mundo hoje enfrenta a pior crise humanitária do século, sendo este também o maior fluxo de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. Classifica-se como “refugiado” quem se encontram fora do seu país por causa de fundado temor de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, opinião política ou participação em grupos sociais e que não possa ou não queira voltar para casa.

Estima-se que a maioria dos refugiados sejam mulheres e crianças sem a presença dos pais e os principais motivos que os levam a fazer essa viagem forçada e muitas vezes perigosa são: guerra e conflito — especialmente guerras de longa duração e conflitos econômicos.

Fomos chamados para amar os refugiados

O que você pensa quando escuta a palavra refugiado? Será que o seu coração se enche de medo como o de algumas pessoas? Será que você, simplesmente, pensa em alguém debaixo de uma ponte sem ter o que oferecer para ninguém? Se você só consegue pensar nessas coisas e nada mais é porque você precisa mudar o seu modo de enxergar essa situação, pois o nosso Deus nos ensina a amar o estrangeiro.

Vejamos alguns textos da Bíblia:

“O estrangeiro residente que viver com vocês será tratado como o natural da terra. Amem-no como a si mesmos, pois vocês foram estrangeiros no Egito. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês” (Levítico 19.34, NVI).

“Quando tiverem separado o dízimo de tudo quanto produziram no terceiro ano, o ano do dízimo, entreguem-no ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que possam comer até saciar-se nas cidades de vocês. Depois digam ao Senhor, ao seu Deus: “Retirei da minha casa a porção sagrada e dei-a ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, de acordo com tudo o que ordenaste. Não me afastei dos teus mandamentos nem esqueci nenhum deles” (Deuteronômio 26.12-13, NVI).

Cuidar de um refugiado não é apenas um ato de caridade da nossa parte, devemos encarar essa situação como uma ordenança do próprio Deus, que nos manda amá-los como a nós mesmos. E, independente da nossa natureza, precisamos entender que o nosso único propósito é amar e para que isso aconteça é necessário nos deixar ser moldados por Deus e Sua Palavra.

Vamos nos colocar um pouco no lugar desse povo que tem sido considerado um dos seguimentos não alcançados do Brasil. Se você estivesse em outro país com uma cultura e língua totalmente diferente, você gostaria que alguém o visse como um intruso destruidor de cultura ou você ficaria mais feliz se alguém estendesse a mão e lhe ajudasse a se enquadrar na nova cultura? Obviamente a segunda opção seria a sua resposta. É importante compreendermos que fomos chamados para amar e não julgar e ainda tentar colocar toda responsabilidade no governo.

O que mundo chama de crise humanitária eu, porém, chamo de oportunidade de praticar o Ide

O que me chama mais atenção, em tudo isso, é o objetivo que leva a pessoa a se tornar refugiada. Elas não se tornam refugiadas por causa de uma guerra ou porque não tem comida no seu país, elas se tornam refugiadas em busca de paz, alegria e esperança que não conseguem ter ao permanecer no meio de tantos conflitos. Saem do seu país com a convicção de que ao chegar em outro lugar terão a oportunidade de recomeçar. Agora eu pergunto: quem são as pessoas qualificadas para apresentar essa paz e a segurança que elas precisam, a não ser aqueles que foram enviados ao mundo para ser sal da terra, para servir de luz?

De nada vale a pena dar esmolas ou um prato de comida para o refugiado se não apresentarmos para ele, Aquele que é a verdadeira Paz, o único que pode mudar por completo o rumo de suas vidas. Essa pessoa é o próprio Jesus que um dia se tornou Senhor e Salvador da minha e da sua vida.

“Ninguém deve restringir seu amor ao próximo, pelo contrário, o ser humano deve buscar proporcionar tanto bem ao próximo quanto aprecia realizar o bem em sua própria vida” (Trecho das anotações da Bíblia de Estudo King James)

Vemos no evangelho de Lucas, Jesus esclarecendo que o nosso próximo não são apenas os nossos familiares e amigos, mas todas as pessoas que o Senhor nos permite ter contato. Por isso, vamos aproveitar as oportunidades dadas por Deus e pregar a Palavra da Fé para os refugiados. Lembre-se de que: Você é resposta de Deus para o mundo.

 


Iracelma Patrícia Fernandes Casimiro (Natural de Luanda – Angola)
Graduanda do Curso de Fisioterapia – Unifacisa
Graduada da Escola de Missões Rhema 2019
Líder da Secretaria de Missões da Igreja Verbo da Vida no Distrito Industrial em Campina Grande (PB)

 

1 COMENTÁRIO

  1. Amém, eu vejo situações como estás como oportunidades que temos em mostrar quem nós somos, nós somos o povo de Deus, luz do mundo e sal da terra, em oportunidades como está podem sim ser luz para os refugiados, ser o sal, e cuidar deles. Deus abençoe

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