E quando a vida voltar ao normal?

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por Juliana Toledo

Conversando com uma pessoa muito sábia (vulgo minha mãe), ela falou comigo algo que eu ainda não tinha me atentado: “a Igreja está vivendo hoje, mais uma vez, um reboliço que a tem tirado da zona de conforto”. Podemos correr para a Bíblia e ver que vários momentos assim aconteceram com o povo de Deus, mas quero me ater a um específico que é narrado em Atos 8.1:

E fez-se naquele dia uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judeia e de Samaria, exceto os apóstolos

A Igreja estava desobedecendo ao Senhor. Após serem cheios com o Espírito Santo, a ordem é de que deveriam ir e pregar o Evangelho por toda Jerusalém, Judéia, Samaria e até os confins da terra. A primeira parte eles já tinham cumprido muito bem, o Evangelho estava sendo pregado por toda Jerusalém, mas e a Judeia? E Samaria? E os confins da terra? 

Nessa narrativa de Atos, observamos a Igreja ser espalhada por causa de uma grande perseguição e, devido a isso, o Evangelho finalmente chegou a outras partes do mundo.

Mas os que andavam dispersos iam por toda a parte, anunciando a palavra (Atos 8.4).

Sabemos, muito bem, que não foi Deus quem mandou a perseguição, afinal, toda boa dádiva e todo dom perfeito vem d’Ele. A perseguição foi uma consequência de terem ficado em Jerusalém, afinal, era óbvio que o governo da época ficaria atemorizado com uma multidão tão grande, se levantando em sua cidade, pregando algo diferente. “Barulho” que não soaria tão alarmante se, de imediato, a Igreja tivesse obedecido a ordem do Senhor: “Se espalhem para pregar o Evangelho por toda parte”.

Você já deve estar se perguntando onde quero chegar, afinal o assunto da hora é o tal do novo coronavírus (Covid-19). Não vou fugir da regra social, fique tranquilo. O que quero trazer é justamente uma reflexão do marco histórico que estamos vivendo. 

Em menos de uma semana o Youtube ganhou milhares de novas contas de igrejas numa corrida virtual por seguidores para alcançar suas “ovelhas” com cultos on-line. A falta de escolha levou a igreja em Atos dos apóstolos a ganhar novos “mundos”. A falta de escolha, levou a igreja dos dias atuais a buscar novas plataformas. Ainda que o nosso objetivo seja alimentar nossas ovelhas e mantê-las em contato com a igreja local, muitos entraram em um novo “mundo” e têm descoberto o poder do streaming

Um apelo por um momento de oração que o nosso apóstolo Guto Emery gravou, apenas para os colaboradores do Centro de Operações do Ministério Verbo da Vida, vazou e repercutiu de tal forma, que os 100 colaboradores se multiplicaram em milhares orando no período solicitado. 

Um pastor que se recusava a gravar qualquer tipo de vídeo e não gostava muito da ideia da vida on-line, de repente, está tirando seu celular do bolso e gravando mensagens para suas ovelhas como se tivesse nascido para isso. A transmissão de culto normal da nossa Igreja Verbo da Vida Sede teria alcançado cerca de 2 mil visualizações que, somadas ao público presente, seriam cerca de 4 mil pessoas alcançadas. Já o programa lançado on-line, no último domingo, (devido à quarentena) alcançou quase 8 mil visualizações. Em um culto on-line da Igreja Verbo da Vida na França, uma muçulmana entrou e se converteu. E poderíamos relatar mais grandiosos acontecimentos em tempos tão difíceis, mas vou resumir:

estamos alcançando JudEia, Samaria e os confins da terra de uma maneira nova, mais veemente e, talvez, mais eficaz.

É primordial que seja feita uma análise de como fazer isso, de quais plataformas usar e como alcançar seus públicos . Igrejas mais preparadas, anteriormente, estão fazendo isso de uma maneira mais tranquila e até mais produtiva, é claro. Mas esses, são assuntos para outros artigos. 

Leia: 
Sua igreja vai ficar de Quarentena
Covid-19 x Igreja Online

Também peço que fique calmo. Não estou abolindo a necessidade, eficácia e importância da comunhão dos irmãos coletivamente nos cultos presenciais. Estou enfatizando boas novas em tempos tempestuosos. Estou destacando a eficácia e importância da pregação do Evangelho por meios virtuais. Louvando o start que foi dado no presente momento.

Dito isto, quero ressaltar algo mais importante: o que faremos quando tudo passar? E quando a igreja puder se reunir novamente nos templos físicos? E quando a vida voltar ao normal? Teremos aprendido uma grande lição e avançaremos com o que já conquistamos? Ou retornaremos ao nosso raio de atuação local, limitados ao público que podemos ver/tocar e apoiar? “Nunca antes na história do Brasil, a igreja avançou tanto com as portas fechadas”, disse minha colega de trabalho, escritora e blogueira, Dione Alexsandra. “Avançou mesmo? Podemos pensar dessa forma”, questionou outro colega de trabalho. 

Depende do que faremos daqui para a frente. Posso afirmar. 

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