5 minutos

Postado em
5
1174

por Dione Alexsandra

”… estive na prisão, e foste me ver”. (Mateus 25.36)

Vivemos uma rotina agitada e cheia de atividades as quais costumam ocupar não apenas nosso tempo, mas nosso coração.Em meio a esta agitação toda tenho pensado: onde está o nosso coração também está o nosso tesouro.

O texto de hoje é para testemunhar algo que vivenciei recentemente. Após a publicação do meu livro Jornada para a Liberdade, portas estão sendo abertas de oportunidades para visitar pessoas presas. E fatos novos surgem a cada momento. Definitivamente não lancei apenas um livro, as palavras escritas naquelas páginas estão saltando vivas diante de mim através de histórias reais impactadas por essa obra. Estive visitando as alunas do Rhema no Sistema Prisional e todas elas foram abençoadas com um livro que eu creio que ajudará essas mulheres guerreiras que decidiram mudar através do conhecimento da Palavra de Deus, que liberta.

Contudo, não parou por ai. Chegou até mim a informação de um homem preso por um crime cometido há pouco mais de um ano e condenado a 15 anos de prisão, o crime relacionado a pedofilia me entristeceu demais. Ao saber dessa informação, em si, já existe o choque inicial, mas um detalhe faria toda a diferença. Esse homem, foi um ex namorado meu, de quando eu tinha 17 anos. Ou seja, há mais de 25 anos. Foi chocante para mim saber desse fato, lamentei muito por todos os envolvidos no caso, em especial, a vítima. Não sabia detalhes, nem procurei saber, mas fiquei inquieta com aquele fato. E, mais que isso, orei por ele e percebi que havia mais a ser feito…

Procurei parentes e perguntei se podia visitá-lo na prisão. A princípio, soube que o mesmo não queria receber visitas, só a esposa e os filhos o veem desde que foi preso (há exatamente um ano e três meses). Continuei orando e procurando sondar meu coração, queria saber se aquilo que percebia não era apenas a emoção aflorada, mas uma real convicção de uma direção de Deus para ir vê-lo. A direção ficava mais forte e pedi a autorização da esposa para ir visitá-lo. Ela autorizou e, com o apoio de um casal de amigos, ele advogado e ela diretora do Rhema no Sistema Prisional em Campina Grande-PB, conversamos e decidimos ir visitar esse homem e levar para ele meu livro. Além do casal, me acompanhou na visita um tenente da polícia que nos ajudou na intermediação da visita.

E lá fomos nós para uma cidade próxima à Campina Grande, na qual o mesmo está cumprindo a sua pena. Ao chegar lá, fui informada que teria apenas 5 minutos de visita e, nesse tempo, precisaria falar com ele e entregar os livros (já que decidi levar o meu livro e um de Joyce Meyer – Campo de batalha da mente). Entramos na cadeia pública eu, o advogado amigo e o tenente para essa missão. Ao entrar, me vi diante do preso, um homem totalmente diferente daquele jovem que conheci aos 17 anos, carregava as marcas da dor, do erro, da vergonha, do arrependimento e da incerteza do amanhã. Muitas coisas passavam pela minha mente naquele momento para falar, mas, eu tinha apenas 5 minutos para transmitir a mensagem que desejava.

Entreguei os livros, que rapidamente foram revistados e entregues a ele. Lembro-me de algumas das palavras que eu disse: “Olha, em nossa vida, fizemos diferentes escolhas, a rota da nossa vida mudou radicalmente e, depois de tantos anos, estou aqui, diante de você em uma situação bem difícil, mas vim a este lugar para lembrá-lo que Deus o ama e que Ele está no mesmo lugar que você o deixou…” Ele falou pouco, me olhava como se não acreditasse, lembro das poucas palavras dele: “Obrigada, amém, Deus abençoe”

Nunca esquecerei o olhar dele para mim, um olhar que misturava estar não apenas surpreendido por Deus, mas profundamente impactado com tamanho amor e cuidado pela sua vida…

Minha missão estava cumprida. A porta do coração daquele homem foi aberta, não o questionei sobre nada. Me restringi a levar a Palavra e, em apenas 5 minutos, deixei a mensagem que despertou algo nele, talvez, eu nunca saiba em detalhes. Talvez, apenas ele e Deus saberão os reais resultados daquela minha visita. Mas, sabe de uma coisa, eu entendi a minha missão. Eu tinha apenas 5 minutos para ajudar alguém a mudar, a se reerguer novamente, em apenas 5 minutos eu deixei a mensagem principal descrita no texto bíblico acima: ”… estive na prisão, e foste me ver”. (Mateus 25.36)

Cumprir Mateus 25.36 exigiu de mim aquietar as minhas emoções e sentimentos, para obedecer o mandamento de Jesus. Eu esqueci as razões e lógicas que me impediriam de levar um pouco do muito amor e perdão de Deus por ele, pois, assim como eu, ele é amado por Deus e a vida dele tem para o Senhor o mesmo valor que a minha.

Acredito firmemente que Jesus se alegrou nesse dia, pois visitar esse homem foi visitar Jesus de alguma forma, lembrar do amor de Deus por ele foi viver o Evangelho na prática. Sair daquele lugar depois de pregar o meu melhor sermão me ensinou muito… Me ensinou que as minhas realizações ministeriais mais relevantes são aquelas que faço sem benefício próprio. Cumpridas em secreto, sem audiência e nem plateia…

A semente foi lançada, talvez eu veja os frutos, talvez não, mas não vê-los não tira o brilho de obedecer ao Senhor e à sua direção. Eu creio que esse homem será liberto de si mesmo, de suas culpas, erros e pecados, eu creio que ele sairá outra pessoa daquela prisão, eu creio que a restauração na vida dele começou naquele dia.

E você, se tivesse apenas 5 minutos para mudar a vida de alguém, o que diria?

 

5 COMENTÁRIOS

  1. Pedofilia é um pecado que muitos se apartariam, mas Cristo morreu por todos. Necrófilo, pedófilo, bestial, homossexuais, incestos… quem não olha o pecado, mas sim a possibilidade de vida transformada: cumpriu seu papel de cristão. Parabéns!

  2. Nossa… O quê falar depois de estar tomada por uma Emoção que não sei explicar. É surpreendente o agir de DEUS. Dione você foi exatamente o que todos nós devemos ser nas mãos do Senhor… Instrumentos. Como a letra da canção Sonda-me, usa-me de Aline Barros fala… Como um Farol que brilha a noite, como Ponte sobre as águas, como Abrigo no deserto, como Flecha que acerta o alvo… Você foi usada pelo Amor, o único e perfeito Amor. O Amor de Deus. O Amor do Pai. Que nos aceita, nos acolhe e nos levanta da nossa condição de pecador, e nos faz Filhos. Parabéns e obrigado por ter compartilhado conosco esse texto belíssimo.
    DEUS ABENÇOE

  3. Recebi o link dessa matéria no zap da Exodus Brasil e confesso algo. Mateus 25:36 mexeu comigo no sentido de sair do comodismo ao ler essa matéria meu coração transbordou sobre o meu chamado. Obrigado

DEIXE UMA RESPOSTA