Vencendo as nossas crises

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por Dione Alexsandra

Recentemente, ouvi uma ministração na qual aprendi muito e que me confrontou bastante. Algumas considerações me fizeram pensar sobre a minha vida e, por isso, resolvi compartilhar no meu blog um pouco do que Deus me ensinou.

Aprendemos a sufocar e ignorar aquilo que precisa ser tratado. Agir assim não faz as coisas sumirem. Na ótica de muitos, se eu sou crente, ministro a Palavra, não posso viver crises, conflitos interiores, ir a frente e pedir oração, isso é assinar uma procuração de fracasso total como cristã.

Quando leio os Evangelhos, vejo um Jesus que demonstrou tanto a Sua humanidade, quanto a Sua divindade. Acredito que Ele queria fazer isso mesmo. Ele se esvaziou de si mesmo, assumido a forma de servo, por mim e por você. Por isso, Ele nos entende. Ele sabe o que é lidar com limitações aqui na Terra. Nada é absurdo para Ele. Jesus sempre viveu de forma extremamente didática e pedagógica e me ensinou: “Filha, quando as coisas ruins, difíceis, acontecem com você, aprenda a reagir”.

Jesus era divino, mas também era humano, Ele era homem. Se não fosse humano não teria chorado em João 11.35 quando Seu amigo Lázaro morreu, mesmo sabendo que Ele o iria ressuscitar, mas Jesus sabia lidar com a humanidade não apenas dEle, mas daqueles humanos que o rodeavam. Ele não era insensível e, se não fosse humano, não teria lidado com uma angústia de alma no Gestêmani. Se não fosse humano, não teria nos dito: “tende bom ânimo, porque eu venci o mundo” (João 16.33).

Respeite a sua humanidade. Resolva suas crises.

Precisamos aprender a respeitar o nosso tempo. Durante muito tempo a gente não aprendeu a respeitar a nossa humanidade, as nossas limitações e sentimentos, e começamos a internalizar as coisas; aquele famoso ato de “empurrar com a barriga“. Tem gente que vive hoje com amargura, explodindo facilmente no dia a dia, em confusões no trânsito, por exemplo, e nós nem sabemos, mas aquilo é reflexo de doenças emocionais maiores por dentro.

Gente que não sara as feridas. Pessoas que não permitem que as dores sejam sepultadas definitivamente. Andam arrastando caixões emocionais invisíveis por décadas, carregam como sepulcros caiados a dor, ninguém vê, mas está lá.

Conheço pessoas que choram o fracasso de anos atrás até hoje. Elas são saudosistas, reclamam de tudo, mas não param, não se saram e nem se respeitam.

Muitas vezes, nós não podemos fingir que nada aconteceu.  É preciso parar as nossas atividades diárias para nos tratar emocionalmente sim, curar as feridas para só depois seguir adiante, curados.

A gente não se sara quando ignora. A nossa vida não é uma dor, é um complexo de cenários.

Em Mateus 14.13 diz: Ouvindo o que havia ocorrido, Jesus retirou-se de barco, em particular, para um lugar deserto […]”

O texto relata um momento que me chama atenção na vida de Jesus, quando Ele recebe uma notícia triste: a morte de João Batista. Lemos que Ele pega um barco e sai sozinho, vai orar. Ele não vai pregar para ninguém, vai orar. Que ensinamento maravilhoso vemos nesse relato.

Então, Jesus saiu sozinho para orar. Não se sabe o que ele falou com Deus. Talvez não tenha pedido nada. Talvez tenha apenas chorado e derramado o coração como água perante Ele (Lamentações 2.19). Talvez tenha dado graças, pois mesmo abatido havia conseguido confortar a multidão. Talvez tenha agradecido pela vida e ministério de João Batista. Talvez tenha lamentado a miséria humana. O fato é que o período de oração não foi curto. Jesus orou do pôr do sol à meia-noite e da meia-noite à quarta vigília da noite (entre três e seis horas da manhã).

Se Jesus, que era o Cristo, o Ungido, precisou parar e ir orar, se isolar dos discípulos e da multidão para ter um tempo a sós com o Pai, quem somos nós para querermos resolver as nossas crises sozinhos?

É importante ressaltar que Ele não estava evangelizando e nem curando ninguém naquele momento, estava sarando a si próprio. Ele estava se encontrando consigo mesmo, porque se Ele não se sara lá, a gente estaria morto aqui hoje. Jesus tinha estrutura para lidar com as suas dores emocionais, e pasme, elas existiam (espero que você não se escandalize com o que estou dizendo), porque Ele era homem, humano. Se Ele não se recupera lá, quem estava na praia esperando não seria curado.

Não tem como continuar qualquer missão, se dentro de nós houver uma crise, houver uma tempestade acontecendo. Tempestades foram feitas para serem aplacadas e não abafadas, ignoradas ou alimentadas. Vou te dar um conselho: chega uma hora em que você precisa parar de falar do problema, ficar quieto, resolver-se por dentro com Deus. Aquiete o seu coração, saia de perto da multidão, faça o que Jesus fez.

Chega uma hora na nossa vida que precisamos “nos olhar e nos sarar”.

Periodicamente, eu preciso dar pausas e resolver problemas na minha vida que se eu não resolver agora, mais na frente podem se tornar problemas maiores. Eu sou humana. Nas redes sociais, me mostro sempre “linda”, mas nem sempre estou linda, nem sempre me sinto linda. Preciso de pausas para resolver as pequenas crises, porque elas existem. A vida precisa ser parafraseada para que a gente entenda que “tudo, às vezes é nada, e nada, às vezes é tudo”.

É possível estarmos reclamando das coisas grandes, mas as grandes tempestades dentro da nossa vida são verdadeiramente pelas coisas pequenas que não foram resolvidas, respeitadas e saradas.

Respeite o seu tempo, a sua história. Respeite as suas crises e as sare, aprenda a sepultar as suas dores.

Na Bíblia, não é relatado o que aconteceu naquele barco quando Jesus se ausentou da multidão. Eu não sei o que aconteceu no barco, o que eu sei é que Ele resolveu ali suas dores e o que foi resolvido não foi feito para ser proclamado. O que aconteceu no secreto dEle não foi contado para ninguém.

A sua missão é importante, mas se você não estiver vivo, a missão acaba, então, se cuide, se cure por dentro. Curados têm a capacidade para curar, libertos têm capacidade para libertar, perdoados têm capacidade para perdoar.

Se você precisa dar pausa, pause, se precisar chorar, chore, esteja acompanhado do Senhor, se abra para Ele. Deixe-O te curar. Permita-se sarar. Quando acabar, recomece sua missão, pare de somente existir, de sobreviver, comece a fazer a sua vida valer à pena.

Só para te animar: Jesus voltou para a praia!

A Bíblia diz que Ele voltou movido de íntima compaixão e Ele fez pelas pessoas o que Ele não pôde fazer por João Batista. Só para você lembrar: a crise temporária que Ele vivenciou acabou no meio do mar. Jesus curou TODOS os que estavam enfermos. Ele não pregou, era só tocando e a cura acontecendo. Na Bíblia, lemos que a noite caiu e um dos discípulos disse: “despede a multidão”, e Jesus disse: “não, eu tenho tempo, eu não vou mandar ninguém embora com fome” e não faltou comida. Quem estava curado, agora, seria alimentado.

Jesus é o Autor do milagre, porque antes havia vivido o processo de restauração. Você precisa ser restaurado das suas crises interiores, dos seus cenários, para cumprir cabalmente a sua missão sarando e curando as pessoas ao seu redor.

Cada um de nós tem a sua história de vida, as suas limitações e fragilidades, e Deus conhece cada um de nós intimamente. Ele sabe como lidar conosco, mas em meio às crises que poderão surgir em nossa vida, devemos agir como Jesus, correr para o Pai. Buscar em oração as respostas que só nEle vamos encontrar. Assim como Jesus se curou passando um tempo em comunhão, em oração com o Pai, é nesse lugar de comunhão que vamos encontrar a cura para as nossas dores. Não tenha a oração como o seu último recurso, mas o primeiro. Jesus é o nosso exemplo em tudo. Ele sabia que precisava parar e buscar forças em Deus para continuar.

Se precisa de força, meu irmão, pare! Busque em Deus através da oração as respostas que você precisa!

“Eu disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo” (João 16.33)

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