Buscando a Presença

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Por Marcos Honóro Jr.

O salmista Davi diz assim: “quão amáveis são os tabernáculos Senhor dos exércitos, a minha alma suspira e desfalece pelos teus átrios. O pardal encontrou casa e a andorinha ande descansar, mas eu encontrei os teus altares” (Salmos 84.1-3).

No Salmos 23 também diz que Ele que unge a nossa cabeça com óleo e faz o nosso cálice transbordar, sua bondade e misericórdia me seguem todos os dias e habitarei na casa do Senhor por longos dias.

No salmo 84.10 ele diz: “prefiro estar um dia na casa do Senhor do que em qualquer outro lugar mil dias”.

Isso me mostra alguém que, em uma aliança muito inferior a nossa, com um acesso inferior, que dependia de local físico e de utensílios feitos por mão de homem, amava a presença do Senhor mais do que qualquer outra coisa. “a minha alma suspira e desfalece pelos teus átrios… Estarei na casa do Senhor para sempre. prefiro estar um dia na casa do Senhor”. Nesse lugar é onde é manifesta a presença de Deus, um lugar que posso ter acesso.

Interessante, não sendo da tribo de Levi, ele não podia entrar nos santos dos santos, mas só a ideia de estar nos átrios do tabernáculo, onde ele sabia que lá dentro estava a presença, já era suficiente para o satisfazer e ele desfalecer por esse ambiente.

Nós sabemos o acesso maior e mais glorioso que temos hoje. Talvez não tenha nuvem de fumaça visível, ou fogaréu nem incenso, mas nós temos a habitação do espirito em nós. Somos o tabernáculo ou o templo. Que Davi ansiava por estar na porta. Nós somos os carregadores dessa presença e devemos ter anseio por essa presença.
Quando o Senhor fala com Abraão, Ele diz algo interessante para ele: “anda na minha presença e seja perfeito” (Gênesis 17.1b).

Penso que isso serve muito para nós. Nosso crescimento é desenvolvido e, como pessoas cristãs, ele acontece na presença de Deus e não alheio a ela. Somos aperfeiçoados e, nessa presença, nós percebemos a força e somos estimulados a andar nessa evolução ou no crescimento, posso dizer assim, a Bíblia fala sobre o crescimento espiritual que eu sei que você mesmo espera na sua vida.

E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se muito.
Então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo.
E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres.
E, voltando para os seus discípulos, achou-os adormecidos; e disse a Pedro: Então nem uma hora pudeste velar comigo?
Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca.
E, indo segunda vez, orou, dizendo: Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade. (Mateus 26. 37-42)

Jesus se entristeceu e se angustiou. É interessante Jesus fazer essa oração quando foi Ele mesmo quem disse que para Deus não há impossível. Acho interessante o que Ele diz ao ver os discípulos dormindo: “nem uma hora pudesse vigiar comigo?”. Eu fico pensando: quanto tempo leva para uma pessoa dizer: “meu pai, passa de mim esse cálice todavia não seja como eu quero, mas como tu queres?”

No meu caso, alguns segundos, mas o que isso deixa óbvio é que não foi só isso que Jesus falou. Isso foi a suma que os evangelistas trouxeram do sentimento do que ele transmitiu ao Senhor naquela oração. Então, se ele falou para eles que não aguentaram nem uma hora acordados, significa que ele ficou uma hora ali angustiado e por isso ele disse: “vigiai e orai para que não entrem em tentação”, ou seja, para que a carne não domine vocês e para isso é necessário vigiar e orar. O espirito na verdade está pronto, mas a carne é fraca. E o texto segue dizendo que ele voltou a orar e ainda o repreendeu novamente.

John Grunewald disse dias atrás, em Campina Grande, que haviam aspectos do chamado dele que ele não queria e não eram confortáveis para ele.  Acho isso interessante, porque Jesus estava angustiado até a morte para fazer o que Deus queria que ele fizesse. E isso é importante para desmistificar um pouco a ideia de que na vontade de Deus para a nossa vida tudo é doce. Não é. Às vezes, dói, angustia, e, às vezes, dá vontade de morrer para não fazer.

Fico pensando no plano de Deus para Paulo, quando Deus falou com Ananias sobre Paulo e disse: “Ananias, vai falar com ele porque ele é pra mim vaso escolhido. E eu vou mostrar para ele como importa sofrer pelo meu nome” (Atos 9.10-11). Aleluia, glória a Deus por esse chamado irmãos! Você fica feliz com um chamado desses?

O chamado de Paulo nos mostra: “você vai aprender como é sofrer pelo meu nome”. E lembro que John falou: “para mim não é confortável falar em público, mas faz parte do meu chamado”, até pouco tempo atrás eu tinha a tendência de achar que certas habilidades do chamado nascem com a gente, mas não é assim, não é na nossa habilidade essa habilidade vem da graça, nos provando que é Deus e não nós. Se fossemos nos basear nas nossas habilidades ou conforto natural, nós teríamos a glória da obra, mas a glória não é nossa é totalmente de Deus, da Sua graça e do Seu espírito.

Então, muitas vezes, no chamado, a oração de consagração não é uma frase feita do tipo: “senhor, eu me consagro a tua vontade” mas é uma entrega total capaz de abdicar de si mesmo. Foi isso que Jesus fez. Jesus está falando da vida dele. “Senhor, se desse para eu não morrer, era legal. Contudo, se for para morrer para que a sua vontade seja feita eu prefiro a sua vontade”

Eu quero lhe chamar para esse lugar da presença, porque é nesse lugar que você é aperfeiçoado deixando que o espirito santo traga a sua memória, aquilo que precisa morrer. Não seja rápido e saia listando coisas.

Tenho percebido na minha caminhada, que existem níveis de coisas toleráveis em determinados níveis do ministério e na vida cristã, que outros níveis não toleram as mesmas coisas. Me refiro a algumas coisas que você até consegue ir empurrando com a barriga, mas chega uma hora que não dá mais. E você diz: “agora não dá mais, tenho que largar isso de vez“.

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