A doença glorifica a Deus?

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por Marcos Honório Jr. 

Vamos responder este questionamento, o qual certamente teve com base uma passagem bastante comentada e polêmica. Muitos a utilizam como fundamento bíblico para dizer que doença, ou algumas doenças, podem trazer glória para Deus.

Caminhando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos perguntaram: Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Respondeu Jesus: Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus (João 9. 1-3)

O texto realmente não é dos mais simples, mas existem alguns aspectos que temos que considerar. Primeiro, sabemos que ao analisar uma passagem bíblica é necessário considerar o contexto em que ela foi escrita. Esta, em específico, está no livro de João, que é diferente de todos os outros Evangelhos, pois não revela uma extensa série de milagres como nos chamados “Evangelhos Sinóticos” – os que contém mais histórias em comum.

No capítulo 20 de João, versículos 30 e 31, há uma descrição do motivo pelo qual  ele não contou todos os milagres: Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.

Assim, a primeira coisa que temos que ter em mente quando lemos o Evangelho de João, é que ele teve um foco específico para relatar cada milagre escolhido: revelar que Jesus é o Cristo.

Cada um dos acontecimentos milagrosos que ele selecionou tem o objetivo de revelar um aspecto de Jesus como o Filho de Deus, que se fez homem e habitou entre nós para salvar a humanidade.

A passagem de João 9, sobre a cura do cego de nascença, foi relatada para mostrar essencialmente que Jesus é a luz do mundo. Nela, nós temos que ter cautela, pois João fez um paralelo entre o sair das trevas para a luz, ou seja, sair da cegueira para a visão. Assim como a obra de Jesus, que tira o homem das trevas para a luz.

O que causa confusão nesses versículos é a dúvida dos discípulos. Eles olharam para o cego e, por perceberem que era um cego de nascença, se questionaram: “Quem pecou foi ele? Ou seus pais?”.

Esses questionamentos mostram muito do pensamento que reinava na época e que, infelizmente, existe ainda hoje em algumas igrejas: se a pessoa está passando por algum problema, deve ter sido causado por algum pecado.

Este também é um pensamento muito parecido com o dos amigos de Jó, no Velho Testamento, e possui uma característica muito legalista.

Acontece que os discípulos tentaram achar uma lógica: “Se ele está com isso aí, foi algum pecado que ele cometeu. Mas, já que ele é cego de nascença, então, os pais foram o problema”. A falha desses dois pensamentos é que Deus teria punido o filho para dar uma lição nos pais. O que não dá para imaginar, conhecendo o caráter do nosso Deus. Isso seria ultrajante de pensar. A outra ideia é imaginar que a criança teria pecado ainda no ventre da mãe, o que também não tem o menor cabimento.

Naquela ocasião, Jesus respondeu que “não”, nenhum dos pensamentos dos discípulos estava correto. Ele buscou demonstrar que aquilo não aconteceu por causa de um pecado em específico, mas sim, simplesmente, aquilo aconteceu. Assim como em certos relatos nos Evangelhos Jesus deu o exemplo sobre pessoas que sofreram um acidente: Ou vocês pensam que aqueles dezoito que morreram, quando caiu sobre eles a torre de Siloé, eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém?” (Lucas 13.4).

O mal está no mundo por causa do pecado, portanto o mal acontece… Eventualmente, a maldade aparece.

Na situação do cego de nascença, Jesus disse que aquilo aconteceu “para que se manifestem nele as obras de Deus” (v. 3). Em seguida, no versículo 4, lemos: “É necessário que façamos as obras dAquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar”.

Ou seja, Jesus explicou que estava ali para manifestar a obra do Senhor, que é a cura, tirar o cego daquela condição de trevas e trazer para a luz. Tirar da escuridão e trazer para Si mesmo, porque Jesus é a luz do mundo.

Não se deve interpretar que Deus colocou a doença no cego para que, em algum momento, esse cego encontrasse Jesus e, então, Ele o curasse. Como se isso fosse uma trama entre Deus e Jesus para revelá-Lo como o Messias. Esse é um pensamento equivocado!

Seja lá o que for, você não deve pensar somente em qual é a causa do problema. Como disse antes, o mal está no mundo e ele acomete pessoas, mas, sabemos de uma coisa: este mal pode ser revertido para a glória de Deus.

O Senhor manifestou sobre aquela doença do cego o Seu poder e a Sua glória. Como Deus foi glorificado? Pela doença? Não, de forma alguma. Ele foi glorificado na cura, quando Jesus, que é a luz do mundo, tirou aquele homem das trevas. Assim, Deus faz com todos os que O recebem gratuitamente como Salvador.

*Fonte: Revista Conexões, seção Alumni Responde, Edição 2019.1

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