Glorificar a Deus

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“Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer” (João 17.4)

Recentemente esta passagem me chamou atenção durante minha meditação e notei algo que nunca havia visto. Jesus afirmou, em sua oração sacerdotal, que havia glorificado ao pai, cumprindo a obra que Ele havia lhe dado.

O texto do capítulo 17 de João que é a famosa intercessão mediadora do senhor por seus discípulos, inicia com uma série de argumentações sobre glorificação (ainda escreveremos sobre isso) e, então, Jesus faz a afirmação que destacamos; e o que me chama a atenção é que raramente vem a nossa mente que essa é a forma de glorificar a Deus.

Um dos aspectos que têm estado mais constantes em minha mente sobre Deus é vê-lo como meu criador. Sei que podemos ver Deus como nosso Senhor, como nosso Pai, e amamos essa revelação, pois ela é realmente maravilhosa e verdadeira, mas, além de Senhor, Pai e Deus, Ele é nosso criador e esse aspecto é muito abrangente. Ao pensar que Deus é meu criador, sou obrigado e pensar que tudo o que sou e tenho é uma concessão dEle a mim, pois, se ele nunca tivesse me criado, eu jamais existiria, ou teria coisa alguma.

A minha família, que é coisa mais valiosa da minha vida, foi criada por Deus. O ministério que desenvolvo, ao qual sou extremamente realizado desenvolvendo é plano e criação dele também. O ar que eu respiro, foi criado por Deus. Nada que qualquer pessoa possa ter sobre a terra está livre desta regra, tudo o que se tem, é possível de se ter por que Deus o criou. Até mesmo o tempo e os dias que se sucedem, só existem por que Deus decidiu criar um universo habitável regido pelas leis da física que Ele mesmo fez existirem.

A minha existência deve ser para exaltá-lo e glorificá-lo, doutra forma eu não teria por que existir.

Tudo isso para afirmar que, como ser criado por Ele, obviamente fui criado para Ele, ou para o louvor da sua glória. O apóstolo Paulo afirmou solenemente em Romanos 11: “Por que d’Ele, por Ele e para Ele, são todas as coisas, a Ele a glória”. A minha existência deve ser para exaltá-lo e glorificá-lo, doutra forma eu não teria por que existir.

Pensando assim, glorificar a Deus deve ser o meu alvo maior, minha maior motivação. Deus me criou com a capacidade de pensar e escolher, mas este pensamento e escolha não possuem o direito moral de me afastarem dEle, pois são resultados da Sua vontade. Deus quis que eu pudesse escolher, Deus quis que eu tivesse autoconsciência, não para buscar o meu próprio interesse, mas para revelar a sua maravilhosa vontade.

Jesus, enquanto homem, cumpriu esse princípio a risca. Ele afirmou solenemente que desceu do céu, onde ele fazia parte da soberania, não para fazer sua própria vontade, mas para cumprir a vontade Daquele que o enviou, ou seja, mesmo tendo o direito da soberania, escolheu a obediência. Afirmou que tudo o que ele fazia tinha o propósito de revelar o Pai, de fato só fazia e falava o que via o pai fazer e falar. Em João 14 ele afirma que quem o vê, vê o Pai, em outras palavras, ele estava afirmando que não existia para que as pessoas o conhecessem, mas para que, através dele o Pai fosse conhecido.

Agora, é possível que pensemos em várias formas de como podemos glorificar a Deus, em primeiro lugar devemos pensar o que exatamente significa glorificar a Deus. A palavra traduzida por glorifiquei é “doxazo”, que vem de “doxa”  que significa glória, esplendor, mas doxazo é louvar, fazer exaltado, ou conhecido. Glorificar a Deus é louvá-lo, mas é também dar a ele a primazia, além de comunicar a sua grandeza, ou fazê-lo conhecido.

A forma primária de exaltar e glorificar a Deus é cumprir aquilo que ele nos enviou a fazer

Jesus afirma que fez isso, cumprindo a obra que o pai o enviou para fazer. E isso deve chamar nossa atenção, pois isso não se trata de uma vida religiosa, ou regras de conduta cristã, mas razão de existência. Jesus encarnou e viveu, não para levantar as mãos e adorar a Deus, apesar de ter feito isso em sua vida, mas a forma primária de exaltar e glorificar a Deus é cumprir aquilo que ele nos enviou a fazer. Isso vai louvar, exaltar e tornar Deus conhecido. Quanto mais nos aplicamos ao que Deus nos chamou a fazer, mais ele será conhecido e exaltado. Isso não tem a ver com momentos esporádicos de oração e louvor, mas com toda uma orientação de vida, que constantemente terá momentos de oração e louvor, mas mais do que isso.

Louvar, adorar e orar a Deus, deve ser resultado de uma vida onde se entendeu que Deus é a verdadeira razão da existência e que sua vontade é tudo o que se deve buscar, almejar e viver, por que de outra forma, essa vida não terá sentido, uma vez que só existe vida, por que Deus quis que assim fosse.

Tudo o que Jesus fez foi com o intuito de perseguir o propósito para o qual o Pai o enviara. Da mesma forma, devemos orientar nossas ações para perseguir o mesmo propósito. Cada ação nossa deve ter uma nota, um resultado de louvor a Deus, pois é por Ele que fazemos.

Entender isso, tem tornado muito mais fácil as “obrigações” cristãs na minha vida, além de diminuir o orgulho. Tenho buscado entender que não vivo para mim mesmo, para meus anseios carnais, mas para Aquele que me criou e para Aquele que por mim se entregou. Minha existência é para revelar a Deus, e a Jesus a quem Ele enviou. Não existo para ser famoso ou conhecido, apesar disso poder acontecer, não é por mim, mas por Ele

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