Interpretando a Palavra

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MH-221“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”.  (II Timóteo 2.15)

Já faz um tempinho que não nos falamos. Esse último trimestre foi bem corrido, mas apesar de não ter escrito muito, tenho meditado em muitas coisas e acredito que muitas delas aparecerão por aqui nas próximas semanas.

Uma dessas coisas que tenho meditado bastante é sobre a necessidade de interpretarmos bem a palavra de Deus. O texto que abrimos esse post traz um alerta muito forte do apóstolo Paulo para seu filho na fé, Timóteo. Ser aprovado por Deus como obreiro, servo, ministro.

Paulo mostra que existem dois padrões que devemos vigiar para que a aprovação de Deus seja real em nosso ministério. Ele fala sobre “não ter do que se envergonhar” e isso fala do procedimento de Timóteo, sua conduta e testemunho, mas também diz “que maneja bem a Palavra da Verdade”, isso fala da doutrina e ensinamento que Timóteo divulgava.

Não foi a primeira vez que Paulo alertou seu mais proeminente discípulo sobre estes assuntos, em sua primeira carta ele já havia feito isso.

“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo com aos que te ouvem.”  (I Timóteo 4.16)

É interessante ver que o apóstolo dos gentios coloca em pé de igualdade o testemunho que se dá, da doutrina que se prega. Ter qualquer um dos dois deturpados pode atrapalhar a salvação tanto de si mesmo, como daqueles que nos ouvem, isso me parece muito sério.

É destruidor um ministro que não tem um testemunho de acordo com a Palavra pregada, mesmo que sua mensagem seja excelente, da mesma forma que é destruidor um ministro com uma doutrina errada, mesmo que sua conduta seja exemplar.

Tenho dedicado minha vida a conhecer e entender a Palavra de Deus, além de compartilhá-la com o máximo de pessoas que eu tiver a oportunidade. Nesta tarefa uma pergunta tem sempre me acompanhado: “Será que o que estou concluindo ou ensinando está correto?”. Não sei se você é incomodado por essa pergunta também, mas penso que este é um bom incômodo. A palavra de Deus é muito clara (e não há muita necessidade de interpretação nisso) que a fé vem de ouvir a pregação da Palavra de Deus, não do nosso ministro favorito.

Quero ter sempre a certeza que o que estou pregando será útil para a fé dos ouvintes, fazendo com que o poder de Deus se manifeste em suas vidas e esse poder só atende a fé na Palavra de Deus, Se a palavra que meus ouvintes tem ouvido não é de Deus, mas minha, o poder de Deus não os atenderá.

Por isso mesmo tenho buscado estudar, em primeiro lugar, como se estuda a Bíblia. Talvez alguém pense que isso é um exagero, e que pessoas do “Espírito” não deveriam se preocupar tanto, mas eu fico me perguntando, porque será que o apóstolo que falava em línguas mais do que toda a igreja de Coríntios não ensinou seu discípulo a “depender” do Espírito a ponto de aconselha-lo tantas vezes a ter cuidado de sua doutrina, do que estudava e de como ele empunhava a Palavra de Deus?

Penso que esta separação entre Espírito e Palavra não faz sentido e penso que horas de oração nunca anularão a necessidade de estudo sistemático das escrituras, assim como este estudo nunca vai tornar desnecessário uma vigorosa vida de oração.
Estudar com as ferramentas certas é essencial para chegar as respostas certas!

Existe no meio cristão um pensamento de que temos que ficar com o que a bíblia diz e nada mais do que isso. É óbvio que concordo em gênero, número e grau com isso, mas por que existem pessoas que amam a Deus e querem agradar ao Senhor e afirmam ser antibíblico o falar em línguas, ao passo que outros (dos quais me incluo) que da mesma forma amam a Deus e igualmente desejam agradar ao Senhor garantem que a Palavra de Deus nos ensina que devemos orar em línguas? Será que um dos dois grupos está mal intencionado?

Acredito que não, penso é que o uso da ferramenta de interpretação errada vai levar a conclusões erradas. Entenda algo, é desejo de todos nós vivermos aquilo que a bíblia diz em nossas vidas, mas precisamos aceitar alguns pontos importantes sobre a Bíblia, antes de nos aventurarmos na fantástica tarefa de interpretá-la.

Pretendo nas próximas semanas expor algumas ferramentas que te ajudarão a interpretar corretamente as escrituras, sem adulterar seu sentido e intenção originais.

Estudo Sistemático X Devocional

Antes de qualquer coisa quero te alertar para a diferença entre devocional e estudo sistemático. Pois o devocional é essencialmente pessoal e alcança sua vida e permite que Deus te diga coisas particulares através da revelação geral das escrituras, mas quando falamos do estudo das escrituras, estamos falando sobre encontrar a ideia original, o que o texto está dizendo para todos, é sobre isso que vamos conversar nas próximas semanas.

Para te estimular reproduzo abaixo uma citação que encontrei em um site sobre este assunto na internet e que nos mostra o perigo da “ferramenta” errada ao estudar as escrituras…

Em geral, lê-se a Bíblia para confirmar o que se crê, enquanto devíamos ler a Bíblia para formular, com base nela, a nossa crença. Isto é, lemos na Bíblia o que queremos ler e não o que ela realmente diz

 

2 COMENTÁRIOS

  1. Boa tarde!
    Graça e Paz.
    Desejo compreender mais a Bíblia, saber interpretar.Onde posso buscar mais informações, tenho lido algumas publicações aqui, desejo me aprofundar mais, mergulhar nesse entendimento.
    Grata pela atenção.

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