O Arrependimento de Deus

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por Marcos Honório Junior

“Então, se arrependeu o SENHOR de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração”.
(Gênesis 6.6)

“Arrependo-me de haver constituído Saul rei, porquanto deixou de me seguir e não executou as minhas palavras. Então, Samuel se contristou e toda a noite clamou ao SENHOR”.
(I Samuel 15.11)

A questão do “arrependimento de Deus”, não é o tema dos mais fáceis de se explicar. Visto que a Bíblia afirmar a perfeição de Deus e, um ser perfeito jamais se arrependeria, pois isso implicaria no reconhecimento de erro em algum momento. A bíblia também afirma sua imutabilidade e novamente um ser imutável não volta atrás em suas decisões. E a bíblia declara textualmente que Ele não se arrepende, no famoso texto bíblico de Números 23.19.

Ainda assim, nos deparamos com textos, especialmente no Velho Testamento, como esses afirmando que Deus se arrependeu. Como solucionar essa questão ?

Nestes casos temos que compreender a revelação limitada que se tinha de Deus. Ao afirmar isso, não estou em hipótese alguma, dizendo que o Velho Testamento é menos Palavra de Deus, mas que Deus não podia, em virtude da condição caída e entendimento limitado do homem, se revelar na plenitude. Essa revelação só se torna plena na pessoa de Jesus Cristo e, por isso, muitas vezes certas ações de Deus são expressas em termos humanos.

A isso denominamos Antropomorfismo, quando o texto bíblico aplica a Deus características humanas. Antropos de homem, ou humano e morfos de forma, estrutura.

Diante de antropomorfismos, como esse, devemos olhar para o contexto e perceber na revelação bíblica geral que tipo de processo está se passando.

Ambos os textos citados expressam a mesma verdade, tanto a geração pré-diluviana, quanto Saul, esgotaram a medida da misericórdia. Talvez, você se pergunte, ou queira me perguntar o que significa isso, veja o seguinte texto abaixo:

“Na quarta geração, tornarão para aqui; porque não se encheu ainda a medida da iniqüidade dos amorreus”. (Gênesis 15.16)

Neste texto, Deus está aprofundando o seu relacionamento de Aliança com Abraão e garantindo que Ele daria a Abraão uma enorme descendência que possuiria a terra na qual ele, Abraão, vivia, mas Deus também garante que isso não seria imediato e que a descendência de Abraão passaria um tempo em terra estranha e seria escravizado, mas Deus os livraria de lá. Isso se deu no Egito.

O motivo dessa não possessão imediata era que a “medida da iniquidade” dos amorreus ainda não havia se enchido completamente. Em outras palavras, os amorreus estavam seguindo um caminho de pecado, mas Deus ainda estava oferecendo a sua misericórdia e tolerando esses pecados. Mas, em algum momento essa balança iria virar e a misericórdia divina iria dar lugar ao juízo. Veja outro texto que expressa verdade semelhante:

“Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento”. (II Pedro 3.9)

Nesta passagem o apóstolo Pedro está alertando para o perigo de algumas pessoas começarem a descrer da vinda do Senhor Jesus, em virtude de uma aparente demora, depois de colocar a perspectiva do tempo no devido lugar, afirmando que muito tempo para o homem, pode não ser nada para Deus, Pedro afirma que na verdade Jesus não está demorando, mas dando tempo para que as pessoas se arrependam e creiam, pois Deus não quer que pereçam em seus pecados.

“Mas, em algum momento Jesus virá e aqueles que o rejeitam terão que lidar com essa decisão”.

No caso dos textos que citamos, com uma vida de pecado e desobediência a geração pré-diluviana e Saul atraíram juízo para as suas vidas, fazendo com que tudo o que Deus havia planejado e dito a respeito deles fossem estancado. Em outras palavras, Deus tinha outros planos para eles, mas ao insistirem no pecado e obstinação esses planos não se cumpririam e eles seriam cortados do plano divino.

E Deus realizaria um novo início, no caso da geração pré-diluviana a família de Noé repovoaria a terra, no caso de Saul, Davi seria estabelecido rei em seu lugar.

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