Os tipos de solos

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MH-221Olá pessoal,

Quero retomar o nosso assunto do último post, falando sobre a Parábola do Semeador. Na ocasião, apresentei duas abordagens para a percepção das verdades expostas na Parábola. A primeira é perceber que tipo de pessoa/solo nós somos. A segunda é identificar e lidar com pessoas a nossa volta que são identificadas também com cada um.

Como dissemos anteriormente, a Parábola fala sobre um semeador, que entendemos ser Jesus, que semeia uma semente, que o Senhor identificou como sendo a Palavra do Reino. Essa semente é semeada em quatro tipos de solos, os quais o próprio Jesus identificou como tipos de pessoas e a forma com que elas recebem a Palavra.

“Os que caem em solo rochoso…”

Jesus identificou esse solo com pessoas que “recebem (a palavra) logo com alegria, mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da Palavra, logo se escandaliza”.

Algo que tem me chamado a atenção é como, às vezes, é possível confundir a Palavra da Fé, do triunfo em Deus com a “Palavra da Utopia”. Pregamos, e devemos insistir nisso, que em Cristo somos mais do que vencedores, podemos todas as coisas e que somos abençoados, mas temos que ter cuidado de não criarmos um Evangelho de “faz de conta”, eliminando a possibilidade de enfrentarmos situações difíceis, mesmo estando corretos com o Senhor.

Uma das principais garantias do Evangelho é que sofreremos oposição pela palavra que abraçamos. Se não abraçamos com firmeza, ou se não nos aprofundamos na Palavra, essa oposição pode extinguir a Palavra em nós.

Receber a Palavra com alegria é importante, mas além de recebê-la é vital que, por meio da meditação, nos fundamentemos bem na Palavra. O livro de Tiago nos instrui a receber com mansidão a Palavra que em nós foi implantada (Tiago 1.21). O receber é uma atitude constante, não basta receber apenas uma vez, temos sempre que insistir em receber mais da Palavra, para que a mesmaseja fundamentada em nosso coração.

A resposta do crente é sempre firmada e constante, mas se nossas convicções são afetadas por causa das circunstâncias, se ao enfrentarmos situações difíceis questionamos Deus ao invés do que nos cerca, evidenciamos um déficit no nível de Palavra que temos. A Palavra de Deus tem que ser nossa resposta em qualquer situação.

Da mesma forma que temos que vigiar em nossa vida, temos que zelar por nossos irmãos, repare que não disse controlar, mas zelar. Todos nós já presenciamos pessoas que ao receberem a Palavra ficam empolgadas e aquela nova verdade é “tudo” o que ela tem, mas poucos dias depois ao encontrarmos essas mesmas pessoas, ao enfrentarem alguma dificuldade elas estão desanimadas e sem desejo de irem a igreja ou orarem.

A Bíblia nos ensina a suportar as fraquezas de nossos irmãos e não julgá-los ou excluí-los por sua inconstância. Talvez, em alguns momentos, precisaremos até ser enérgicos, mas devemos apoiar ao débil na fé. Um crente maduro não deve se escandalizar com a inconstância dos bebês espirituais, mas suportá-los.

“Semeados entre espinhos…”

De todos os solos/pessoas o que mais chama minha atenção são estes semeados entre espinhos. Jesus diz que ele “ouve a palavra, porém, os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera”. Acho muito interessante o fato de diferentemente dos semeado a beira do caminho, e em solo rochoso estes não perdem a Palavra recebida, mas ela fica infrutífera, o que me parece um desperdício maior.

Isso é um grande alerta a todo o crente, pois ao que tudo indica, ter a Palavra não faz que ela opere de forma instantânea em nossa vida, pelo contrário, é possível tê-la e não vê-la frutificar, por estar com os olhos no que é passageiro ao invés do que é eterno.

Cuidados do mundo e fascinação das riquezas são aspectos fortemente combatidos por Jesus e por todos os escritores do Novo Testamento. Jesus disse que deveríamos ajuntar tesouros no céu, onde nem traça nem ferrugem corrói, o mestre também disse ao jovem rico que desse prioridade a recompensa da vida eterna em detrimento de suas riquezas.

Com isso, de forma alguma não deve ser entendido que é pecado ou errado ter recursos e até riquezas neste mundo, mas Jesus também disse que onde estiver o seu tesouro, ai estará o seu coração, se alinharmos nosso coração no tesouro incorruptível, não tornaremos a Palavra infrutífera em nossa vida.

Paulo disse que já que nossa vida está oculta com Cristo em Deus, devemos pensar e buscar as coisas de cima e não as que são da terra (Cl 3.1-3), disse ainda que os ricos, ou que possuem riquezas nesse mundo, deviam ser ricos para com Deus e não confiar na instabilidade da riqueza, sendo generosos em dar e prontos a repartir (I Timóteo 6.17-19).

“Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou” (II Timóteo 2.4)

O cristão não está lutando para possuir um mundo de coisas, mas para ganhar um mundo de gente.

Temos que exortar e até admoestar aqueles que nos cercam e que estão sendo seduzidos por essa fascinação. O Novo Testamento está repleto de admoestações duras dos apóstolos contra esta atitude. Como crentes maduros precisamos exortar os novos que existem coisas lícitas, mas que roubam o senhorio de Jesus Cristo e da Palavra em nossa vida, devem ser evitados até que tenhamos a condição de possuí-las sem que isso afete sua ordem de prioridades.

“Semeado em Boa terra…”

Precisamos sempre nos lembrar de que, de acordo com esta Parábola, o semeador é Jesus, a semente é a Palavra de Deus e os solos são pessoas e suas atitudes ao receberem a Palavra em seu dia-a-dia.

Jesus falou sobre o que foi semeado em boa terra: “é aquele que ouve a palavra e a compreende; este frutifica e produz a cem a sessenta e a trinta por um”.

O alvo de todo cristão é ser encontrado neste quarto grupo de pessoa/solo, a boa terra. Infelizmente, nem sempre temos o claro entendimento do que é isso, por haver, muitas vezes em nosso meio, muitas vozes sobre o que isso significa, ficamos confusos sobre este princípio, mas repare que o próprio Jesus deixou claro, quem são estes, são aqueles que:

  1. Recebem a Palavra
  2. A Compreendem
  3. Frutificam

São três estágios obrigatórios para sermos contatos como boa terra, além de subsequentes, ou seja, cada estágio permite ou habilita para o próximo.

Sendo assim, entendemos que a coisa mais importante é recebermos a Palavra de Deus. Tudo em nossa vida cristã depende de que Palavra recebemos e como a recebemos. A vida cristã é gerada e alimentada pela Palavra de Deus, afinal, “nem só de pão o homem viverá, mas toda palavra que procede da boca de Deus”.

Para o pleno recebimento da Palavra é essencial a compreensão da mesma. A Palavra de Deus é poderosa e sobrenatural, mas não é mágica, ela precisa ser recebida, entendida e crida. Gosto muito de algo que irmão Hagin sempre disse: “Você precisa pensar certo, para crer certo e então confessar certo”.

Ao receber e entender a Palavra, ela pode gerar frutos em nossa vida. Frutos que serão crescentes e abundantes em nossa vida e naqueles que nos rodeiam.

Precisamos também perceber aqueles irmãos em nossa volta que demonstram ser este tipo de pessoa/solo, que vão receber, entender e frutificar. Talvez sejamos tentados a pensar que já que esses estão bem encaminhados não precisamos nos preocupar com eles. Isso é um engano, pois não é porque um filho vai bem, que o abandonamos, pelo contrário, acompanhamos de perto para que seu potencial não se perca e ele cumpra plenamente a expectativa gerada.

Sempre me empolgo quando vejo alguém recebendo com avidez a Palavra e se aplicando em compreendê-la. Gosto de me disponibilizar para ajudar, ofereço material de estudo, áudio, o que tiver, pois um crente cheio da Palavra e frutificando é uma possibilidade concreta de milhares saírem do inferno, pois a Palavra vai frutificar a trinta, a sessenta e  cem por um.

Agora, pense: que tipo de solo você é?

Fica na paz e até a próxima!

1 COMENTÁRIO

  1. Boa noite , pastor.
    Texto importantíssimo para o chamado do pregador e que elucida várias questões obscuras. Ainda não tive a oportunidade de pregar sobre isso, mas a primeira lição que extraio deste texto é que devemos encorajar as pessoas a prepararem seu coração para receberem a Palavra quando vão aos cultos. Isto porque descobri que dentro de uma só pessoa há quatro terrenos que podem ser receptáculos da semente. Três deles estão na alma e um no espírito. Alma- emoções, sentimentos e intelecto. Espírito – coração. Se o coração estiver endurecido por feridas não tratadas, a Palavra não entra. Se a Palavra cai nas emoções, vai-se embora com a euforia ou se afoga na decepção dos desejos não realizados. Se cai no terreno dos sentimentos, também se perde porque estes oscilam e não fornecem o suporte adequado para ela se firmar. Se cai no intelecto , fica ilhada numa compreensão superficial e carnal. E se cai à beira do caminho, chega até à pessoa aprisionada por demônios , as aves malignas, que comem a semente, não deixam a palavra cair em solo algum. Certamente, o pregador deve estar ciente desta realidade e dependendo do culto ( se acontece só entre convertidos ou cultos evangelísticos) deverá tomar as providências necessárias para cultivar um terreno adequado para então semear. Quanto a mim, aprendi a buscar o preparo para receber a Palavra, mas sempre mantendo a visão no foco que é ser edificada para edificar outros. Sou muito grata só Senhor por ter conhecido você e por estar sob uma liderança comprometida com a Palavra do Reino. Benção de Deus para mim. Com carinho, no Senhor.

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