Os dons do Espírito Santo

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por Marcos Honório Jr.

“A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes. Sabeis que, outrora, quando éreis gentios, deixáveis conduzir-vos aos ídolos mudos, segundo éreis guiados. Por isso, vos faço compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema, Jesus! Por outro lado, ninguém pode dizer: Senhor Jesus!, senão pelo Espírito Santo.” (I Coríntios 12:1-3)

De todos os assuntos debatidos do Novo Testamento, acredito que nenhum desenvolve tamanho fascínio e controvérsia quanto às manifestações do Espírito Santo. Acredito que a mistura de culturas do nosso país contribui muito para isso, especialmente o sincretismo religioso a que nossos antepassados foram submetidos, trazendo grande grau de superstição a crença cristã.

Ainda assim é interessante ver que o apóstolo Paulo começa o “capítulo dos dons” trazendo ensinamentos importantes, que gostaria de destacar.

  1. Não devemos ser ignorantes sobre os dons
  2. Falar pelo Espírito, em nada se assemelha a experiências pagãs
  3. Existem limites ao falar pelo Espírito Santo
  4. Jesus será sempre exaltado quando um genuíno dom do Espírito Santo estiver em operação

Não quero, irmãos que sejais ignorantes

Os dons do Espírito não devem ser encarados como assunto misterioso que “não se entende, apenas se vive”, não! A fala apostólica é clara ao dizer que não devemos ser ignorantes.

A palavra grega para ignorantes no verso um é “agnoeo” que a referência Strong define como desconhecer, não entender. Podemos, e devemos, conhecer e entender os dons do Espírito, aliás era a falta de entendimento dos Coríntios que os estava colocando em problemas e excessos na questão dos dons.

Quando éreis gentios, deixáveis conduzir-vos aos ídolos mudos

Outra questão que, penso eu, ser muito importante é entender que existe uma abissal diferença entre os dons do Espírito e as crenças mágicas, esotéricas e pagãs.

Penso que isso é especialmente importante para nós no Brasil por causa da imensa influência que nossa nação recebeu das religiões africanas. Somos fascinados pelo desconhecido e misterioso. Proliferam entre nós adivinhos, cartomantes, rezas, amarrões e os famosos anúncios “trago a pessoa amada em 3 dias!”.

Temos que sempre ter em mente que os dons do Espírito Santo em nada se assemelham a isso. Não devemos buscar uma pessoa que normalmente é usada nos chamados dons de revelação (palavra de conhecimento, palavra de sabedoria e discernimento de espíritos) para receber uma “palavra de Deus”, assim como não devemos buscar uma cartomante para desvendar nosso futuro. Mais a frente o próprio apóstolo Paulo mostrará que os dons não são domínios dos homens, mas eles se surgem quando e como o Espírito Santo quer.

Além disso, é igualmente importante, destacar que não somos conduzidos pelos dons, como éramos conduzidos pelos ídolos mudos. O crente é guiado pela Palavra de Deus e pelo testemunho do Espírito Santo em seu espírito. Os dons tem o seu lugar na vida da igreja, mas a direção individual não é uma das suas funções.

Vos faço compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema, Jesus!

Paulo usa uma hipérbole, que possivelmente estava acontecendo entre os coríntios, para mostrar que não é por que estamos falando pelo Espírito Santo que podemos falar qualquer coisa, já que é Deus quem está falando.

Afirmar, pelo Espírito Santo, que Jesus é maldito é bem difícil de imaginar, mas o princípio aqui é entendermos que ao falarmos pelo Espírito Santo, essa fala não é livre de limites bíblicos e doutrinários. Em outro lugar o mesmo apóstolo Paulo nos incentiva a julgar as profecias, isso é muito importante, e deveria nos fazer refletir. Ninguém jamais teria a autoridade de julgar o que Deus fala, mas a bíblia nos incentiva a julgar a profecia. A conclusão é óbvia, a profecia não é Deus falando.

É interessante a frase de Paulo ao dizer “ninguém que fala pelo Espírito”, não seria forçado se incluíssemos a palavra inspirado entre “fala” e “pelo Espírito”. Na dinâmica dos dons do Espírito homens falam inspirados, não dominados, ou possuídos, pelo Espírito Santo. Então quem fala são os homens, e cabe aos ouvintes julgar, em seus corações, se essa fala é de fato inspirada ou confusa, mais a frente veremos alguns filtros para esse julgamento.

Ninguém pode dizer: Senhor Jesus !, senão pelo Espírito Santo

O grande selo da atuação do Espírito Santo é a exaltação da obra e pessoa do Senhor Jesus Cristo. O Espírito nos convence sobre Jesus, nos ensina e faz lembrar seus ensinamentos e é o penhor da nossa herança e salvação em Cristo.

Sempre que o Espírito Santo age, Cristo é exaltado, Jesus afirmou que ele viria para dar testemunho de Jesus. Dessa forma, nem o que fala pelo Espírito, nem o que recebe a ministração do dom devem ficar em destaque, mas Jesus. O apóstolo Paulo afirma neste mesmo capítulo que a atuação do Espírito sempre visa um fim proveitoso, e esse fim é definido pelo Espírito, em hipótese alguma aspectos mesquinhos e carnais serão operados pelo Espírito.

Equilíbrio e diversidade

“Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos”.  (I Coríntios 12:4-6 )

Avançando no ensino sobre os dons Paulo nos mostra um princípio maravilhoso. Os dons do Espírito são vários (nove) e dirigidos pelo Espírito Santo, os ministérios, ou serviços, também são vários (cinco e o ministério de socorros) e concedidos pelo Senhor Jesus Cristo, mas ele ainda fala sobre várias “realizações” dirigidas por Deus. Acho isso maravilhoso e nos inspira a buscar a inspiração sempre em Deus e não em outros, pois um pastor (ministério) profetizando (dom do Espírito) pode ter uma realização completamente diferente de outro pastor operando no dom da profecia.

O importante é o fim proveitoso, como destacamos acima, e a certeza de que é Deus quem está operando. O capítulo 12 de primeira aos Coríntios nos mostra que a atuação desses vários dons e ministérios é como o funcionamento de um corpo e isso é muito importante entender, os dons sempre visam a edificação do corpo de Cristo, eles são úteis em uma vivência coletiva.

Um dom do Espírito jamais vai substituir as práticas cristãs individuais da fé e do ser guiado por dentro, mas  na coletividade vai nos fazer crescer e exaltar ao SenhorJesus. Nunca veremos alguém trazer uma profecia para si mesmo, ou operar nos dons de curar para si mesmo, mas sempre ministrando para o corpo de Cris toa medida que existe a necessidade e a vontade do Espírito Santo

Obviamente, não é possível falar tudo sobe o assunto dos dons do Espírito em um único texto, talvez venham outros, mas aproveito para recomendar a leitura do livro “O espírito Santo e seus dons” do reverendo Kenneth E Hagin.

Por último se lembre sempre:

“Entretanto, procurai, com zelo, os melhores dons. E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente.” (I Coríntios 12:31)

 

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