Pecado para a morte

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por Marcos Honório Jr.

“Se alguém vir a seu irmão cometer pecado não para morte, pedirá, e Deus lhe dará vida, aos que não pecam para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que rogue. Toda injustiça é pecado, e há pecado não para morte” (I João 5.16-17)

Este texto e o conceito que ele carrega têm sido alvo de grande controvérsia entre os cristãos evangélicos. Alguns, por não acreditarem ser possível a perda de salvação, têm séria dificuldade de comentá-lo, outros – dentro desses que acreditam na impossibilidade da perda de salvação – preferem acreditar que, talvez, de alguma forma, ele não seja dirigido aos cristãos, aos nascidos de novo, mas essa alternativa é realmente muito improvável.

Há também aqueles que pensam que a salvação é algo que se perde em “cada esquina”, a cada erro, e, estes, vêem neste texto a prova de que assim o é. Ao contrário disso, penso que este texto nos dá forte esperança de que, apesar de ser possível perder a salvação, não é coisa simples.

Penso que a controvérsia está em duas afirmações desta passagem, são elas: aos que não pecam para a morte” e “há pecado para a morte”.

AOS QUE NÃO PECAM PARA A MORTE

A primeira coisa que acredito ser importante aqui é entender que o que torna o homem mortal fisicamente e morto espiritualmente é o pecado, dessa forma, eu devo entender que o contexto aqui é de pessoas já regeneradas e nascidas de novo, de outra forma, o contexto seria impossível.

O texto também, não dá aqui uma licença para pecados pequenos que não causam morte instantânea, nem afirma que existem pecados que não existe problema em cometê-los. Por mais que, uma vez nascidos de novo, o sangue de Jesus nos purifique de todo o pecado, a vida na carne, a vida pecaminosa, pode nos desviar lentamente. Paulo chega a afirmar em Romanos 8.13 que aqueles que andam segundo a carne estão “caminhando” para a morte; e como eu não sei o tamanho desse caminho, sempre é melhor não me arriscar nele.

O que o texto parece afirmar é que o crente não perde a salvação, ou morre, a qualquer erro que comete. O próprio João ensinou nesta mesma carta que se todavia alguém pecar, temos um advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo (I João 2.1-2). Ele também afirmou que se dissermos que não temos cometido pecado estaríamos mentindo.

O ideal para todo cristão é uma vida livre de pecado, mas estamos crescendo e, eventualmente, pode acontecer de falharmos, mas isso não quer dizer que, quando falharmos, a nossa fé em Jesus se torna inútil e a obra de Cristo ineficaz em nossa vida.

Ainda assim, já alertamos para o perigo de uma vida obstinada no pecado, como diz o escritor de Hebreus:

“Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários” (Hebreus 10.26-27)

Não quero ver essa passagem se cumprir na minha e nem na sua vida.

HÁ PECADO PARA A MORTE

Quero, antes de qualquer coisa, reafirmar que o contexto é claramente voltado para cristãos, pois ele chega a dizer: “se você ver seu irmão pecar”. Tal frase não teria sentido se tratando de pecadores não regenerados.

Então, temos que aceitar o fato de que existe pelo menos um pecado que o crente, ao cometê-lo, vai entrar em problemas ainda maiores. João o chama de “pecado para a morte”, Jesus o chama de blasfêmia contra o Espírito Santo, apesar de no contexto em que Jesus cita tal pecado ele falar com não crentes, ainda assim, ele afirma que este, diferente de qualquer outro, seria imperdoável (Mateus 12.31-32). O escritor aos Hebreus o expressa de algumas formas interessantes, vejamos:

“Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram” (Hebreus 2.3)

“Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado (Hebreus 3.12-13)

“Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o mesmo exemplo de desobediência (Hebreus 4.11)

“É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia” (Hebreus 6.4-6).

Negligenciar a salvação; ter um coração incrédulo que nos afasta do Deus vivo; ser endurecido pelo engano do pecado; cair de forma irremediável… são várias formas de dizer a mesma coisa. Em primeiro lugar, não é possível negligenciar a salvação sem que antes a tenha possuído, assim como não é possível se afastar do Deus do qual já estamos separados e não é possível ser endurecido no coração se ele já é de pedra… Por fim, não é possível cair se já não estiver de pé.

A lista aqui apresentada é bem razoável para afirmar que é possível decair da condição de salvo, mas, quero lhe garantir que ela está limitada. Eu ainda poderia lhe citar uma infinidade de outros textos de diferentes autores neotestamentários.

É interessante reparar que o escritor aos Hebreus deixou claro a conexão que existe entre se tornar incrédulo e ter uma vida de pecados não arrependidos. Outros autores falam da mesma forma. Destaco o apóstolo Pedro:

“Portanto, se, depois de terem escapado das contaminações do mundo mediante o conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, se deixam enredar de novo e são vencidos, tornou-se o seu último estado pior que o primeiro. Pois melhor lhes fora nunca tivessem conhecido o caminho da justiça do que, após conhecê-lo, volverem para trás, apartando-se do santo mandamento que lhes fora dado. Com eles aconteceu o que diz certo adágio verdadeiro: O cão voltou ao seu próprio vômito; e: A porca lavada voltou a revolver-se no lamaçal” (II Pedro 2.20-22).

Não sou e não gosto de pregar condenação (e não estou fazendo isso aqui). Estou apenas alertando para a verdade escriturística de que uma vida obstinada de pecados pode nos levar a decair da maravilhosa graça que nos alcançou e salvou.

Não será “de repente”, não é a cada pequeno erro cometido, mas sim mediante a uma insistência em não reconhecer a malignidade do pecado, o que poderá entenebrecer a nossa visão; fazendo-nos perder o foco da fé em Jesus Cristo e chegando a apostatar desta.

Afirmo, categoricamente, que a salvação não se alcança por obras e também não é perdida por obras. A salvação se recebe de graça, mediante a fé, e, ao que a Palavra de Deus indica, se perde por abandonar a fé. Mas, é a prática sistemática do pecado que poderá nos levar a apostasia. Essa, sim, parece ser o “pecado para morte” do qual falou o apóstolo João.

4 COMENTÁRIOS

  1. Essa mensagem me deixou esclarecido obrigado! ! por que peco como todos e tenho sempre me arrependido!amo a palavra de Deus do nosso Cristo Jesus e as vezes me esqueço que Ele é nosso advogado, mais lógico proprocurando sempre não pecar e me fortalecer nessas boas novas que é o poder de Deus para nós.

  2. Oro todos os dias leio a bíblia todos os dias. Acompanho o programa do missionário soares todos os dias , ele ensina como receber a cura
    mandando o mal sair do nosso corpo , eu tenho feito essa oração com muita fé e não sou curado como os demais, cera que eu tenho pecado
    para a morte.

  3. Vivemos numa época difícil. Também aprendi a pensar dessa maneira que o texto nos apresenta. Não creio que o Senhor tenha nos chamado para a condenação, mas, acreditar que vivendo de qualquer maneira obteremos a salvação é ir contra os princípios bíblicos.
    O meu medo é que, essa teologia que vivemos hoje em dia, em que as pessoas não vêem perigo no pecado, é criar uma geração míope na palavra de Deus, onde alguns escritos não lhe fazem sentido porque são condicionados a pensarem de forma enganosa.
    Acredito que temos ler a palavra de Deus, guiados pelo o Espírito Santo e, na medida do possível, sem as lentes da ideologia.

  4. Graças a Deus pela sua vida Pr. Junior, achava que só eu pensava assim. Não existe nada que destroi um Cristão a não ser decair da fé. Quando abandonados ela rejeitamos junto O AUTOR E CONSUMADOR DA NOSSA FÉ – Jesus cristo a nossa salvação.
    Mais uma vez parabéns e obrigado.

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