Textos Prescritivos e Descritivos

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por Marcos Honório Júnior

Ser a revelada e registrada Palavra de Deus, já é suficiente para dizer que a Bíblia é um livro inigualável. Haja visto que nenhum outro livro pode carregar tal alcunha. Acho, além desse fato, a Bíblia um livro fascinante, aliás, acredito até que ela é prova incontestável de que o Evangelho não é uma trama inventada, pois é impossível a Bíblia ser o roteiro de uma história inventada. Um livro que foi moldado durante 1500 anos não pode ser fictício. Sem nenhuma contradição, com longos intervalos, períodos de silêncio e dezenas de autores que nunca se viram ou se conheceram, mesmo sendo, em sua maioria do mesmo país, não é possível que tenha sido tudo uma conspiração.

De qualquer forma, interpretar as Escrituras, não é tarefa tão fácil, visto sua complexidade e profundidade. Por séculos muitos homens têm dedicado a vida para compreendê-la na totalidade. Apesar da dificuldade, é tarefa fascinante e a mais edificante tarefa que um cristão pode empreender. Não falo aqui de questões sem importância, ou discussões que não levam a nada, mas de esquadrinhar de maneira nobre, como os judeus bereanos, as escrituras que nos levam a conhecer a realidade, o caráter e a personalidade do nosso Deus.

Há no entanto algumas dicas interessantes, e bem simples, que podem ajudar em muito essa tarefa desafiadora e recompensadora. Uma delas é identificar o tipo de texto que estamos estudando.

Uma das características marcantes da bíblia é que nela achamos vários tipos de textos, narrativas históricas, poesia, profecia, mandamentos, diálogos, cartas, apocalipse, provérbios, enfim uma infinidade. Talvez seria mais fácil se a Bíblia fosse composta apenas de textos do tipo: “faça assim, não faça assado”. Mas prefiro pensar que se Deus quis que ela tivesse essa variedade de textos, isso é a melhor forma que a Bíblia poderia ter.

Já é fascinante o fato de Deus ter desejado se comunicar conosco e ter feito isso através de palavras registradas. Já dizia o autor de Hebreus: “Havendo Deus falado muitas vezes e de várias maneiras…”

Uma forma de encarar essa variedade de textos é dividi-los em duas categorias básicas: Descritivos e Prescritivos.

Seja uma profecia, seja uma carta, ou um texto dos Evangelhos, todos os textos vão se encaixar em alguma dessas duas categorias.

PRESCRITIVOS

Textos prescritivos, são textos que trazem uma prescrição para os leitores, ou ouvintes originais. Podemos citar aqui os 10 mandamentos por exemplo. São ordens, ou instruções claras, explicações evidentes.

Textos prescritivos devem ser os preferidos na hora de afirmar uma doutrina, visto serem mais diretos e claros e conterem, obviamente, prescrições.

Porque o fim da lei é Cristo, para a justificação de todo o que crê. (Romanos 10.4)

O cuidado a se tomar diante de textos prescritivos é se a prescrição continua valendo após a morte e ressurreição de Jesus, em outras palavras, se o texto se encaixa com a revelação da graça. Como citamos, a Lei é um texto prescritivo, mas outro texto prescritivo nos informa que o fim da lei é Cristo (Romanos 10.4).

Como a Bíblia é uma revelação progressiva, um texto prescritivo posterior, tem sempre autoridade sobre um anterior.

DESCRITIVOS

Textos descritivos são aqueles que textos que não trazem, necessariamente uma ordem, comando ou doutrina. São às vezes narrativas, poesias e prosas. Nestes textos devemos ter cuidado para afirmarmos doutrina.

Ao ler uma narrativa histórica, temos que ter muito cuidado ao fazer a conclusão do que aquela história nos afirma, não podemos afirmar o que gostaríamos que ela estivesse dizendo. A Bíblia é carregada de figuras de linguagem, analogias e simbologias e não podemos atribuir a interpretação a estes tipos especiais de textos que acharem convenientes. É necessário antes procurar um pouco mais profundo, olhar outros textos, ver como que outras passagens explicam aquela figura, ou símbolo.

Normalmente se tratando de textos descritivos tenho os seguintes cuidados:

  1. Algum texto prescritivo diz a mesma coisas?
  2. Quem está falando e com quem? Isso se aplica a igreja?
  3. É uma afirmação divina, ou registro de opinião humana?

Estas perguntas podem te livrar de problemas. Deixe-me te dar um exemplo:

Números 23.19 – Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá?

Nem sempre o autor da frase foi inspirado a falar o que falou, mas o escritor bíblico foi inspirado a registrar o que foi dito.

Este famoso texto, muito repetido por nós, é aparentemente um texto claramente prescritivo, mas você sabe quem fez essa afirmação? Foi Balaão, não acho que a opinião de Balaão seja segura para afirmar uma doutrina sobre Deus. O fato de estar registrado na Bíblia não é garantia de que é Deus falando. Às vezes o texto bíblico registra opiniões de homens e até do diabo que não necessariamente expressam a vontade de Deus, mas Deus quis que essas opiniões fossem registradas, para nossa informação e instrução. É o que chamamos de registro inspirado. Nem sempre o autor da frase foi inspirado a falar o que falou, mas o escritor bíblico foi inspirado a registrar o que foi dito.

Ainda assim, precisamos fazer o teste, se o que Balaão disse sobre Deus se sustenta, e a resposta é sim, pois apesar de Balaão, não ser um personagem confiável para se estabelecer uma doutrina bíblica, a imutabilidade de Deus é reiterada em outros textos da Escritura, como:

Malaquias 3.6 – Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.

Tiago 1.17 – Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança

Veja como os textos citados, afirmam a mesma coisa, mas, de forma bem prescritiva e com autores autorizados por Deus.

Espero que essas ferramentas ajudem você na maravilhosa tarefa de estudar e interpretar as Escrituras, lembrando sempre que o autor principal das escrituras habita em você, o Espírito Santo e não seria muito sábio desprezar essa ajuda.

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