Entrevista com Michelle Grunewald

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Olá mulheres!

Este ano, tivemos a visita no Brasil do casal Jhon e Michele Grunewald, diretores internacionais das escolas Rhema na Europa, África e Oriente Médio. Na oportunidade, conversamos com Michele e você pode conferir e ser edificada através da sabedoria dessa  poderosa mulher na entrevista abaixo:

Michele, por favor, nos conte a sua história com o John:

Eu e John nos conhecemos no RHEMA, em 1979. Éramos da mesma turma. Naquela época, O RHEMA possuía 1600 alunos no primeiro ano, divididos em grupos de 200 alunos cada. Eu e John estávamos no mesmo grupo. Por volta do meio do ano letivo, nos conhecemos. Ele veio até mim. Menos de um ano depois, nos casamos. Essa foi uma decisão um tanto impressionante! Conhecendo o John, posso dizer que ele não é de tomar decisões de forma tão rápida. Então, o fato de termos nos conhecido, noivado e nos casado em um prazo de 10 meses é um milagre. Em outubro de 1980, nos casamos.

Como foi conciliar a educação dos seus filhos com o serviço ministerial? 

Nós temos três fihos: Zack, Spencer e Gabi. Quando Zack tinha dois anos, nós trabalhávamos em Tulsa (Oklahoma). Eu era secretária da Patsy Cameneti e Jonh trabalhava com diversos ministérios. Nessa época, fomos ministrar em Indiana e John recebeu uma proposta para ser pastor de uma igreja naquela região. Aquela parecia ser a decisão certa. Zack tinha apenas dois anos e nos mudamos para indiana para pastorear uma igreja. Na verdade, lidar com toda a questão administrativa relacionada com o pastoreio foi relativamente natural para nós, pois já havíamos sido treinados em Tulsa. Havíamos trabalhado com diversos ministérios; éramos aquelas pessoas que ficam “por trás das cortinas”, que “fazem as coisas acontecerem”. No entanto, a parte ministerial, de liderar mulheres, planejar estudos bíblicos e liderar um ministério de forma espiritual, necessitou de um esforço maior. Apesar disso, com relação à família, tínhamos apenas o pequeno Zack; portanto, foi mais fácil nos ajustarmos à situação, colocando em perspectiva mediante a todas as mudanças que aconteceram em nossas vidas posteriormente.

Quando ele tinha seis anos, nos mudamos para a Alemanha. E isso significou uma transição maior para a família. Tivemos que assegurar que Zack se adaptaria bem a essa transição para outro país, significando um desafio maior. Eu não conhecia a cultura alemã. E acho que, se eu tivesse conhecimento da cultura, talvez me recusasse a ir para lá. Como Zack já era educado em casa nos EUA, quando nos mudamos para Alemanha, eu queria que ele continuasse sua educação à distância, para que não houvesse mudanças extremas para ele. No entanto, na Alemanha, as crianças não podem ser educadas em casa. Então, quando chegamos em Heidelberg, eu consegui um emprego na base militar americana, na seção feminina de uma loja de departamentos dentro da base. Assim, eu consegui uma identidade militar americana, fazendo com que permanecesse sob a proteção das leis americanas. Dessa forma, pude educar o Zack em casa.

O problema era que, como eu trabalhava todos os dias, chegava em casa no final da tarde e tinha que educá-lo. John cuidava dele durante o dia. Foi realmente um desafio. Não tínhamos descanso. Apesar de Zack ter sido uma criança relativamente fácil de se lidar, nós não tínhamos amigos ou família conosco, naquela época, para nos ajudar a cuidar dele. Com o passar do tempo, estabelecemos uma vida lá e tudo ficou mais fácil. Tivemos Spencer quando Zack tinha nove anos de idade, na Alemanha. Tínhamos uma escola bíblica nessa época; abrimos essa escola assim que chegamos lá. Eu ensinava somente algumas aulas. Não lecionava muito, por causa dos filhos, da casa e do emprego que eu mantive até o nascimento do Spencer. Eu era mais um apoio para o John.

Em 1998, Gabi nasceu. Em seguida, nos mudamos para Bonn, na Alemanha, e iniciamos o RHEMA. Gabi tinha um ano de idade. Spencer tinha dois, e Zack tinha 11 anos de idade. Iniciamos a igreja em maio e o RHEMA em outubro. E essa foi uma experiência bem intensa! Nessa época, já tínhamos pessoas para nos auxiliar. O RHEMA era diário e em tempo integral. Em Bonn, nossos filhos foram matriculados em uma escola internacional. Com isso, eu pude me envolver mais no ministério. Eu trabalhei no departamento de crianças por muitos anos, na supervisão e no ensino de diferentes faixas etárias. Quando se tem filhos em fase de crescimento, você sabe que há estações em que pode se envolver mais e outras em que deve se dedicar mais aos seus filhos. Muitas vezes, não há como fazer os dois ao mesmo tempo. Quando seus filhos são pequenos,  você simplesmente não consegue se dedicar a tudo. Porém, durante todo esse tempo, eu tentei estar envolvida no ministério o máximo possível. Senti muita falta da minha família, de alguém com quem eu realmente pudesse contar a qualquer momento. Mas nós conseguimos, e nossas crianças não sofreram danos. Todos falam inglês e alemão fluentemente.

Como foi para você auxiliar também no chamado do seu marido?

Eu nunca vi o ministério como uma obrigação. Cristo é minha vida. Então, tudo na minha vida está relacionado a Ele. Meu apoio ao ministério do John nunca foi uma obrigação; algo que eu tinha que fazer. O ministério faz parte da nossa vida com Cristo. Portanto, quando temos uma vida com Cristo, tudo que fazemos se relaciona a Ele. Meus deveres com o ministério nunca me afastaram da minha família, dos meus filhos. Nossa família, todos juntos, servimos a Deus. Eu já ouvi ensinamentos sobre colocar o ministério à frente da família ou vice-versa; no entanto, Deus é a minha vida. Na minha vida, há estações em que a família vem primeiro e estações em que o ministério é prioridade. Momentos em que temos que dar prioridade ao ministério, pois temos prazos importantes a cumprir, e momentos em que podemos nos concentrar na família. A prioridade é Deus e essa é a nossa vida. O ministério e a nossa vida nunca foram duas questões separadas; sempre foi o nosso caminhar com Deus.

Qual é o seu sentimento ao ver os frutos de tanto trabalho ao longo desses anos?

O que tem me impactado durante todos esses anos de ministério é o fato de poder ver mudanças nas vidas das pessoas. Tivemos uma graduada do RHEMA que queria ter filhos. Ela confiava em Deus para isso. Ela ficou grávida; no entanto, enfrentou problemas de saúde durante a gravidez e parecia que iria perder o bebê. Ela estava no quarto de hospital. Eu fui vê-la, e ela me disse: “você sabe o que Deus me falou? Essa manhã, eu estava triste e Deus me mandou cantar a música ‘I’ve Got the Victory’ (‘Eu Tenho a Vitória’)”. E, mesmo não querendo e não entendendo, ela começou a cantar. E, ao cantar, fé cresceu dentro dela e ela começou a atuar em cima da Palavra. E seu bebê nasceu saudável. Ver as pessoas praticando a Palavra que foi ensinada nos mostra como vale a pena passar por todos os desafios que enfrentamos no campo missionário. Ela teve seu bebê, independentemente dos relatórios médicos. Quando me refiro aos desafios, não quero dizer sacrifícios físicos, pois a Alemanha é um país maravilhoso! No entanto, não é nosso país natal. Morar e manter um ministério em outro país envolve certos desafios.

Você ministra para mulheres e as auxilia através da sua liderança. Qual encorajamento você gostaria de enfatizar para nós?

Como líder de mulheres, eu as encorajo a olhar para Deus. Tendemos a cuidar dos nossos filhos, nossos esposos e nossos amigos e a nos sentir bem quando eles nos correspondem de forma positiva. Como mulheres, nós temos a tendência de sempre procurar alguém para satisfazer nossas necessidades. Se estamos nos sentindo um pouco sozinhas ou estamos desmotivadas, precisamos dos nossos amigos ou familiares para encontrar o encorajamento necessário. Quando eu percebi que Ele é a minha vida, eu me tornei uma mulher livre. Então, eu confio nEle e olho para Ele. Assim, eu não fico desapontada quando alguém não me abraça, quando não me telefonam no dia do meu aniversário ou quando meu marido não me traz flores. Eu paro de depender de outras pessoas para me tornar uma pessoa completa; eu olho para Ele. Eu confio nEle para guiar os meus relacionamentos. Não é como se eu estivesse em uma ilha, isolada das pessoas. É Ele quem garantirá que eu tenha relacionamentos saudáveis, relacionamentos que me impulsionem e que me corrijam quando necessário. Ele tem sido maravilhoso, por trazer diferentes pessoas nos momentos certos, para falar o que eu preciso ouvir. Pessoas que, talvez, eu nem procuraria se fosse por mim mesma. É realmente maravilhosa a forma como Ele pode trazer as pessoas. Eu sou completa nEle. Ele garante que eu seja suprida em tudo o que eu precisar, emocionalmente, fisicamente, espiritualmente, em todos os aspectos. Esse é um encorajamento que eu procuro transmitir às mulheres, para que elas não se vejam em uma “montanha russa” emocional, dependentes de relacionamentos.

Por favor, deixe uma mensagem para as mulheres no Brasil.

Para as mulheres do Brasil, eu as encorajo a olhar para Cristo como o centro de suas vidas. Eu as encorajo a não ficarem tão pressionadas para preencher todos os critérios de uma mulher perfeita. Peçam ao Senhor para que sejam guiadas por Ele. Você não se torna o tipo de mulher descrita em Provérbios 31 enquanto jovem. A mulher de Provérbios 31 já passou por diversas experiências, sendo mais velha e mais amadurecida. Há estações em que precisaremos estudar mais ou que serviremos mais no ministério; em outras, nos dedicaremos mais à família. Dedique sua vida a Ele e você será a pessoa que deseja ser. Quando somos jovens, achamos que somente quando fizermos tal coisa é que chegaremos no local que desejamos. No entanto, a chave é saber discernir as estações e aproveitá-las, sabendo que há um tempo específico para cada coisa. Algumas vezes, quando olhamos para tudo que passou, vemos como estamos diferentes. Daqui a cinco anos, muitas coisas terão mudado novamente. Somente viva a sua vida nEle. E você será feliz, porque a completude vem dEle. O que te torna feliz é ter uma vida baseada e conectada nEle.

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