Furacão Diótrefes

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por Perilo Borba

Como é lamentável vermos os inúmeros danos causados pela passagem ou pelos efeitos decorrentes do Furacão Irma, na América Central e nos Estados Unidos. Não sei quanto a você, mas o meu coração se encheu de uma grande compaixão nestes dias. Cabe a nós intercedermos pelas pessoas e por essas regiões, crendo e buscando de alguma forma ajudar por uma rápida restituição nesse lugares.

Todavia, enquanto assistia a algumas reportagens sobre a passagem desse furacão, acabei me lembrando de um estudo que fiz há um certo tempo. Consegui encontrá-lo e, agora, escrevo sobre o mesmo.

No capítulo três da primeira epístola a Timóteo, o apóstolo Paulo explicitou algumas qualificações para aqueles que deveriam ser levantados no serviço ministerial, bem como em liderança. Vamos nos basear, especificamente, em uma dessas instruções:

“não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo” (I Timóteo 3.6)

Todos nós conhecemos o que aconteceu com Lúcifer, mais conhecido hoje como o diabo ou satanás. Ele era um anjo, mas “caiu do céu como um relâmpago” (Lucas 10.18), porque quis exaltar o seu trono acima de Deus. Como pode ser visto nas passagens bíblicas de Isaías 14.12-15 e Ezequiel 28.12-19, ele se ensoberbeceu e, por isso, foi condenado.

Paulo aconselhou Timóteo a não promover neófitos no ministério, pessoas que são novas na fé ou que ainda não são tão maduras espiritualmente, para que elas não caiam do mesmo jeito que Lúcifer caiu.

Isso porque a soberba passa a ser uma tentação constante para quem está em posição de autoridade e de visibilidade. Por isso, é requerida maturidade, para poder manter-se humilde.

Vale salientar que a idade natural ou apenas o tempo de convertido não determinam a maturidade espiritual. A mesma é resultado de conhecimento e prática da Palavra de Deus, de um crescimento espiritual, que resulta na renovação da mente e no domínio da carne. Também é importante falar que, uma vez que estamos maduros em alguma área da nossa vida, precisamos nos manter assim, praticando os mesmos princípios, sendo possível voltarmos à imaturidade caso não vigiemos.

Gostei do que está na nota da Bíblia DAKE sobre este versículo que lemos: “é natural ao homem se sentir importante quando lhe é confiado algum serviço ou governo, por isso é importante exterminar este tipo de sentimento antes disso”.

O próprio Jesus foi tentado a se ensoberbecer quando o diabo o desafiou: “se és o filho de Deus…” (Lucas 4.9). Se não estivermos maduros, poderemos trazer a glória para nós, louvando a nós mesmos, exaltando-nos, tornando-nos independentes, passando a nos ver além do que somos e menosprezando os outros, ou os seus conselhos e admoestações.

A palavra grega usada por Paulo nesta passagem, traduzida por ensoberbecer, foi “tuphoo”. A mesma significa que a visão da pessoa fica turfa, como a de quem está envolvido em uma neblina ou redemoinho de vento, devido a soberba e a arrogância. Essa palavra vem da raiz “tupho” (levantar uma fumaça). Na mitologia, os gregos deram o nome de “Typhon” (palavra da mesma raiz) ao deus que consideravam o responsável pelos ventos ferozes e violentos.

Foi também daí que surgiu a palavra que conhecemos como “Tufão”, que é o mesmo que FURACÃO. A diferença dos dois, segundo vários estudiosos, é apenas a localização geográfica. Quando ocorre no Oceano Atlântico ou Pacífico Leste, chama-se furacão. No Pacífico Oeste, tufão.

A ANALOGIA

O que quero dizer com tudo isso é que podemos sim perceber que a soberba pode deixar uma pessoa descontrolada em seus pensamentos, emoções e até mesmo crenças. Pior do que isso, ela poderá causar danos por onde passar, assim como um tufão ou furacão.

Quero desde já esclarecer que tal metáfora partiu apenas de breves pesquisas online, de fontes diferentes. Até porque não sou um estudioso da área e nem consegui conversar com nenhum. Então, possa ser que haja alguns equívocos, mas que não comprometerão a mensagem que quero transmitir.

Um tufão se forma em águas quentes, devido a pressão e a evaporação no meio do oceano… É justamente quando “as coisas esquentam” que os soberbos perdem o controle. Pessoas com este sentimento, pensam primeiramente em si e supervalorizam a sua reputação. Por isso, quando são pressionadas, confrontadas, injustiçadas ou talvez somente corrigidas ou disciplinadas, “a cabeça esquenta”.

Onde um tufão se forma? No meio do oceano… A soberba nos leva ao isolamento. “Aquele que se isola busca os seus próprios interesses” (Provérbios 18.1). Alguém orgulhoso tende a ficar isolado mesmo estando fisicamente perto de uma multidão. Ele prefere se isolar do que ceder, não se abre com ninguém e nem aceita ajuda (por muitas vezes pensar que jamais precise).

É também formado o que conhecemos como “olho do furacão”. Acho interessante a analogia com o olho… A soberba muda a nossa visão com relação as pessoas à nossa volta. Foi assim com Saul, quando ele passou a ver Davi com maus olhos (I Samuel 18.6-9), vendo-o não mais como um parceiro, mas como um inimigo, com ciúmes e competitividade.

Na “viagem” ao continente, o tufão vai se fortalecendo com mais ventos – maior evaporação… Quanto mais vai ao encontro de pessoas, o soberbo se alimenta com opiniões ou fofocas que “fortalecem” as suas ideias, fazendo-o meditar cada vez mais no erro dos outros e naquilo que fizeram contra ele, em vez de enxergar os seus próprios erros e o que ele está fazendo ou falando contra as pessoas.

Por fim, quero deixar um exemplo bíblico de alguém que foi um tufão. O nome dele era Diótrefes e a sua história foi relatada por João, em sua terceira epístola:

“Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que GOSTA DE EXERCER A PRIMAZIA ENTRE ELES, não nos dá acolhida. Por isso, se eu for aí, far-lhe-ei lembradas as obras que ele pratica, proferindo contra nós palavras maliciosas. E, não satisfeito com estas coisas, nem ele mesmo acolhe os irmãos, como impede os que querem recebê-los e os expulsa da igreja. Amado, não imites o que é mau, senão o que é bom. Aquele que pratica o bem procede de Deus; aquele que pratica o mal jamais viu a Deus” (III João 9-11)  

A soberba de Diótrefes era conhecida. Segundo seu líder, ele “gostava de exercer a primazia”. Ou, como costumamos dizer: “gostava de aparecer”. Tal arrogância acabou levando-o à rebeldia. Além de falar dos seus líderes e distorcer o que eles falavam, Diótrefes trouxe danos àquela igreja e aos irmãos que tentavam se achegar. Foi um verdadeiro furacão.

Que guardemos o nosso coração e, a cada dia, nós nos vigiemos e amadureçamos mais, com o cuidado de não estarmos nos vendo além do que convém (Romanos 12.3), mantendo-nos sempre humildes e submissos. Reconhecer a graça e a unção de Deus sobre nós e que, como disse Jesus, sem “Ele nada poderíamos fazer” (João 15.5), é um bom começo. 

Outras dicas para nos vacinar da soberba: Uma prática frequente de oração, evitar más conversações e se dar a serviços de bastidores e às boas obras das quais poucos ficarão sabendo e que, naturalmente, não ganharemos nada em troca. Mas, o nosso Pai que vê em secreto, Ele nos recompensará (Mateus 6.1-5).

Enfim, que não nos tornemos um furacão e nem nos deixemos ser levados por “algum” (alguém) que, por acaso, esteja querendo se aproximar de nós e nos influenciar.

 

 

 

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