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por Perilo Borba

“Então Pedro, aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? Jesus lhe disse: Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete” (Mateus 18.21-23)

No Evangelho segundo Lucas, esta mesma história foi narrada por ele, e lá podemos ler que Jesus falou que essa quantidade deveria ser por dia (Lucas 17.4).

Agora, imagine comigo se caso fosse o seu líder ou pastor quem estivesse ensinando sobre “fazer as pazes” com outra pessoa e você, assim como Pedro, fosse fazer esta mesma pergunta: “quantas vezes devo perdoar alguém que errou comigo?”.

Caso fosse, assim como Pedro, também supor uma quantidade (“sete?”), certamente você estipularia uma quantidade que, ao seu ver, fosse já alta. Pelo menos eu faria isso, admito! Não com a intenção de aparecer ou ser benquisto, embora pudesse ser tentado a isto, mas por otimismo mesmo. Talvez, por outras histórias de Pedro com Jesus, ele realmente pensasse que “sete” era uma quantidade muito alta. Pode ser que Pedro esperava ouvir de Jesus: “Isso mesmo Pedro, servo bom e fiel, perdoe até sete vezes”.

Mas, não foi isto que aconteceu. Por mais otimista que fosse a visão de Pedro, a de Jesus foi setenta vezes maior do que a dele. Não é diferente conosco, hoje em dia. Muitas vezes pensamos que podemos fazer algo até certo limite, porém, os nossos pensamentos ainda estão limitados à nossa pequena visão sobre quem nós realmente somos e, porque somos, podemos.

Aprendo com esta história que sempre poderemos perdoar, amando qualquer pessoa com o amor do tipo de Deus, muito mais do que pensamos que podemos. Somos filhos dEle, filhos do Amor. Este “ágape” foi derramado em nosso coração. Está dentro de nós, faz parte de quem somos. Precisamos tão somente, como alguns dizem: “viver de dentro para fora”. É por isso que o amor é o fruto do nosso espírito. Se regarmos esta semente com a Palavra de Deus e a comunhão com Ele, então, vamos frutificar.

Na mesma história, Jesus explica a Pedro a sua resposta contando uma parábola, de um homem que pediu perdão ao seu senhor por uma dívida que tinha, mas quando um servo dele veio lhe pedir perdão por uma dívida bem menor, este NÃO QUIS perdoá-lo. Amar sempre será uma decisão. A gente não consegue, algumas vezes, perdoar, amar alguém, simplesmente, porque com o nosso livre arbítrio, decidimos considerar tanto aquele erro a ponto de nos ressentirmos, nos magoarmos e entrarmos na que considero a maior das prisões espirituais, a amargura.

Se decidirmos considerar quem somos, quem Deus é e o tanto que Ele já nos perdoou, vamos sim, conseguir amar e perdoar, não só sete vezes, mais outras 483 vezes, por dia.

Lucas registrou que, ao ouvirem Jesus falar que deveriam perdoar 70 x 7 = 490 vezes, os discípulos pediram: “aumenta a nossa fé”? Perdoar é sim um exercício de fé. Temo que combater o que estamos sentindo. Como podemos ter mais fé? Não é pedindo. Na Bíblia, vemos que a fé vem pelo ouvir e o ouvir a Palavra de Deus. A fé não vem pelo ouvir e o ouvir o quanto aquela pessoa nos traiu, decepcionou e irritou.

Jesus novamente ajustou a visão dos seus discípulos: “Se tiverdes fé como um pequeno grão de mostarda, direis ao monte…”. Toda a fé que precisamos para perdoar é uma fé que nos faça falar contra o monte daquele sentimento de raiva, mágoa e desgosto. Todo perdão começa na nossa boca. Por isso que toda pessoa amargurada tem problema com a sua boca, fala muita besteira e fala contra e mal dos outros. Quem será a maior prejudicada? A própria pessoa. Sabiamente já disseram: “ficar magoado é como tomar o veneno e esperar que a outra pessoa morra”.

Decida falar contra este sentimento e você vai controlar suas emoções e passar a ter outro sentimento. Decida amar! Decida perdoar! Isto vai lhe livrar do mal da perturbação e impedir que você seja um contaminador, porque é isto que a mágoa faz com alguém (Hebreus 12.15).

Como compôs e canta o irmão Kleber Lucas (Música “Perdão”): “Somos filhos de Deus e pra nós o mais importante é o amor”. Perdoar sempre será uma sábia prioridade!

Se alguém, algum dia, errar com você sete vezes, declare que perdoa, fale bem daquela pessoa, ore pela vida dela, livre-se da mágoa nas sete ocasiões… E você pode fazer isto novamente caso ela erre mais 483 vezes.

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