O bom pastor e a boa ovelha

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por Marcelo Saraiva

“ E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores.Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Efésios 4.11-13).

Deus está tão interessado em nosso progresso, que providenciou cinco unções distintas para o nosso crescimento espiritual. Dos cinco dons ministeriais, elencados na Bíblia, o que mais dedica tempo em prol de cuidar do Corpo de Cristo é o Pastor.

Na celebração de um casamento, quem está lá? Um escritor famoso ou o seu pastor? No funeral de um ente querido, quem o ajuda e consola? Um palestrante ou o seu pastor? De que adianta uma cruzada evangelística com milhares de conversões sem alguém para pastorear essas pessoas depois?

Em Mateus 9, vemos Jesus tomado de compaixão ao ver a multidão aflita e desamparada, “como ovelhas sem pastor”. Observei todas as versões da Bíblia e listei todos os adjetivos usados para descrever uma ovelha desgarrada de proteção: aflita, exausta, enfraquecida, confusa, abatida. É isso que nos acontece quando estamos sem congregar, desligados do pastoreio.

É importante saber a importância do pastor e do que ele foi chamado a fazer. Um dia, observei uma irmã me olhando de forma enviesada. Ao perguntar o que ocorreu, ela respondeu: “Você é diferente do meu antigo pastor. Ele sempre nos visitava para tomar café com bolachas”. Veja bem, não há nada de errado nessa conduta. Mas será que ela é prerrogativa de um pastor? Posso cobrar isso da minha liderança, com respaldo na Palavra? Às vezes, colocamos expectativas nos pastores de que eles exerçam coisas que não são ordenadas nas Escrituras. O que devo esperar dos pastores, então? Atos 6, afirma: 

“Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano. E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra” (Atos 6. 1-4).

A maior atribuição de um pastor é a oração e Ministério da Palavra para que possa tocar a sua vida, alimentá-lo e apascentá-lo. Existem muitos crentes incrédulos por causa de uma mensagem confusa. Pessoas que não creem na plenitude do Evangelho pela inabilidade de muitos na pregação.

Afora o Ministério da Palavra,  existem outras responsabilidades que recaem sobre uma equipe ministerial. Em João 10, lemos:

“Em verdade, em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas. Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas. Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas. Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido”  (João 10.11-14).

O pastor dá a vida pelo crescimento de suas ovelhas. Jesus, ao falar do lobo, não se refere ao animal, mas às circunstâncias que nos rodeiam. O mercenário abandona o rebanho aos seus próprios cuidados. Certa vez, sintonizei em uma pregação na televisão e reparei que, em certa igreja, não havia Departamento de Crianças, nem de Jovens, nem da ‘melhor idade’. Não havia nada. O que interessa àquela igreja? Dinheiro. Isso não é julgamento, é apontar os frutos que indicam quem cada um é. O bom pastor é aquele que se interessa em cuidar da sua família. Agradeça a Deus se você congrega em um local que zela pelo crescimento de toda a sua casa.

As pessoas não percebem, mas há uma intensa carga emocional sobre o pastor. Às vezes, pensando tanto em uma família prestes a se dissolver, ele pode não corresponder a um cumprimento de alguém e é imediatamente julgado. O que devemos fazer, tratá-los como anjos? Não. Anjos não tiram férias, nem pagam contas, trate o seu pastor como alguém  que também tem as suas limitações e necessidades.

Uma vez que já falamos sobre o Bom Pastor, o  que podemos dizer da Boa Ovelha? I Coríntios afirma:

“Se eu não sou apóstolo para os outros, ao menos o sou para vós; porque vós sois o selo do meu apostolado no Senhor. Esta é minha defesa para com os que me condenam. Não temos nós direito de comer e beber? Não temos nós direito de levar conosco uma esposa crente, como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas? Ou só eu e Barnabé não temos direito de deixar de trabalhar? Quem jamais milita à sua própria custa? Quem planta a vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta o gado e não se alimenta do leite do gado? Digo eu isto segundo os homens? Ou não diz a lei também o mesmo? Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi que trilha o grão. Porventura tem Deus cuidado dos bois? Ou não o diz certamente por nós? Certamente que por nós está escrito; porque o que lavra deve lavrar com esperança e o que debulha deve debulhar com esperança de ser participante. Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito que de vós recolhamos as carnais?” (I Coríntios 9.5-11).

Às vezes, as pessoas perguntam: para que recolher dízimos e ofertas em todos os cultos? Esse trecho já responde. Somos alimentados espiritualmente. Da mesma forma que, no Antigo Testamento, as tribos que serviam no templo viviam dos dízimos, o Novo Testamento ensina que os nossos recursos devem ajudar a manter a obra de Deus.

Se lermos Lucas 18, podemos aprender muito com a passagem do jovem rico. Propositalmente, Deus citou o principal mandamento por último: pegar todos os bens, dar aos pobres e segui-lO. Isso significa amar mais o Senhor do que as riquezas. O que você faria se, hoje, Jesus repetisse essa ordenança a você? Se lhe pedisse para doar tudo? Afinal, Ele é Senhor e tem todo o direito de dizer o que devemos fazer de nossas vidas. Eu não sei você, mas eu iria orar um bocado (risos).

É compreensível que seja difícil pensar em dar tudo. Mas é inconcebível que 10% do que temos nos custe tanto. 

Tenho aprendido que tenho uma aliança com Deus e que há interesse d’Ele em me ver prosperar. Mas, a vida de um cristão é pela fé. Preciso crer n’Ele para tudo, inclusive para obedecê-lO em como usar os meus recursos e tirar uma oferta para a igreja quando Ele me guiar dessa forma. 

Tem gente sem uma moeda e que, mesmo assim, coloca a sua confiança no dinheiro. A sua expectativa jamais deve estar em bens. A sua confiança deve repousar em Deus. 

Quando a Bíblia nos orienta a estarmos em prontidão para repartir, é para o nosso próprio benefício. Cada campanha em uma igreja é para o seu bem e para o bem de sua família. Da mesma forma que o Corpo de Bombeiros está sempre de plantão aguardando a hora de entrar em ação e ser socorro para alguém, a Boa Ovelha deve estar em prontidão para ser um instrumento de bênção, inclusive com os seus recursos. A este respeito, Gálatas assegura que certa é a colheita, ao afirmar “porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6.7).

*Texto retirado do site da Igreja Verbo da Vida Sede em Campina Grande-PB

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