E o dizimo na Nova Aliança?

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Por Lucileia Toledo

Parece ser uma das maiores controvérsias quando falamos da Nova aliança.Geralmente, as dúvidas permeiam entre o dízimo ser um preceito da lei e hoje não estarmos mais debaixo da lei.

O interessante é que não parece haver dúvidas se é bíblico ou não prosperar financeiramente na Nova Aliança. Queremos usufruir dos direitos e privilégios conquistados por Jesus na cruz, ainda que não entendemos a totalidade deles. Todavia, quanto a entregar o dizimo, pessoaschegam de imediato com o argumento que o dízimo foi instituído na lei. PorémJesus cumpriu a lei e, portanto, não vivemos mais no regime da lei, dessa forma estamos desobrigados dele.

Existem dois extremos perigosos nessa questão:o primeiro, já apresentado, é a respeito da não obrigatoriedade, e outro, bem comum e que tem colocado jugo sobre as pessoas, é a respeito da obrigatoriedade.

Vamos analisar desde o primeiro registro na bíblia sobre dízimo:

“Após voltar Abrão de ferir a Quedorlaomer e aos reis que estavam com ele, saiu-lhe ao encontro o rei de Sodoma no vale de Savé, que é o vale do Rei. Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; era sacerdote do Deus Altíssimo; abençoou ele a Abrão e disse: “Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que possui os céus e a terra; e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus adversários nas tuas mãos”. E de tudo lhe deu Abrão o dízimo” (Gênesis 14:17-20).

A bíblia não mostra antes desse episódio qualquer lei ou ensinamento em que Abraão pudesse estar fundamentado, de tal maneira, que se sentisse obrigado a dar o dizimo.Ainda mais entregando a uma pessoa que ele pouco conhecia.

Abraão lançou mão de dois princípios fundamentais quando o assunto é dízimos:

1) Ele fez isso pela fé.2)Entregou a alguém que era da parte de Deus, reconhecendo dessa forma a unção de Deus sobre a vida dessa pessoa, e associou-se com a unção. É exatamente o que acontece quando entregamos o dizimo em nossas igrejas, honramos o Senhor e nos tornamos participantes ou associados a unção e visão que Deus entregou a liderança para a igreja.

Sabemos que Abraão não foi justificado pela lei ou por obras(Romanos 4: 2-3), ele tinha uma aliança com o Senhor muito antes da lei ser instituída.Uma aliança estabelecida por meio da fé. Abraão foi o primeiro dizimista e não fez por obrigação ou constrangimento, fez por meio da fé.É possível que ele tenha aprendido isso com seus antepassados, desde os primórdios como os casos de Caim e Abel (Genesis 4: 3-7) que demonstraram a atitude de dar a Deus as primícias.

Ao dar uma boa olhada no contexto dos acontecimentos entre Caim e Abel, é exatamente esse o grande diferencial de suas ofertas. Embora ambas eramas primíciase a melhor parte, entretanto, uma foi oferecida por meio da fé, já a outra é possível que tenha sido oferecida apenas para cumprir uma tradição. Por isso que a bíblia nos instrui que tudo que não procede da fé é pecado (Romanos 14:23).

Após 430 anos, vemos a lei ser instituída e nela, possivelmente por causa da dureza do coração das pessoas, o dízimo tornou-se uma obrigação. Agora, o fato de não dar o dízimo traria maldição já que todos os preceitos da lei deveriam ser observados.

Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las. Gálatas 3:10

Podemos pensar: Por qual motivo algo é sancionado em lei, se não é importante? Por qual motivo o Espírito Santo inspirou tantas passagens bíblicas a respeito do dízimo? Deus pensou no dízimo mais do que uma maneira de prover mantimento e sustento financeiro para a igreja ou para os ministros que vivem do evangelho, sim, isso é uma das causas primordiais. Todavia, Ele pensou também no dízimo como um fruto que aumentasse nosso crédito, como sempre, pensou em uma forma de nos beneficiar.

Em Cristo, uma Nova Aliança é estabelecida.Agora, o homem não está mais debaixo da lei, mas na dispensação da graça. O homem não precisava mais de um aio, ou seja, algo que lhe conduzisse, e a vida proposta para se viver nessa dispensação não é diferente do que foi proposto ao crente Abraão, uma vida por meio da fé.

Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar.De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados.Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio.Gálatas 3:23-25

Então, entendemos que na nova aliança não existe nenhuma lei que nos obriga a entregar o dizimo, mas o Deus da antiga aliança que julgou importante o dízimo é o mesmo Deus que espera de nós a atitude do primeiro dizimista da bíblia, que sem qualquer obrigação e sem necessidade de lei, decidiu honrar a Deus entregando por meio da fé a décima parte de todo seu despojo.

O dízimo nunca foi uma obrigação antes da lei, pelo contrário, era um princípio. E agora na Nova Aliança não foi abolido junto com a lei, já que existia muito antes dela. O que mudou em relação ao dízimo foi seu status, que passou de uma obrigação e voltou a ser o princípio que qualifica uma vida por meio da fé.

Dessa forma, o dízimo sempre foi bíblico antes da lei, na lei e depois da lei.Assim como é bíblico zelarmos por meio deleo sustento financeiro da igreja a qual fazemos parte. Deus espera de nósnão apenas que sejamos acrescidos pela igreja local e seus ministros, mas que nos façamos participantes de todas as coisas boas com eles. Esse é um princípio estabelecido por Deus para que não apenas aquele que está sendo instruído prospere financeiramente, mas de igual modo aquele que o instrui.

“Mas aquele que está sendo instruído na Palavra faça participante de todas as coisas boas aquele que o instrui. ”(Gálatas 6:6)

Foi isso que Abraão fez com Melquesedeque. Deus instituiu o dízimo como lei na antiga Aliança para o sustento dos levitas (Números 18:21,24,26), os quais não podiam trabalhar, pois foram levantados para cuidar das coisas do Senhor em período integral. Se as pessoas que estavam sob o regime da lei tivessem na posição que estamos hoje em Cristo, não precisariam de uma lei para cuidar dos levitas. Deus realmente tem expectativas a nosso respeito nessa dispensação da graça. Que possamos fazer bom uso da liberdade que temos e escolhemos praticar seus princípios com perseverança e fidelidade, sem nenhuma obrigatoriedade, mas voluntariamente e pela fé.

O dízimo é um dos tipos de ofertas cujo o diferencial é o valor pré-estabelecido, ou seja, a décima parte do rendimento financeiro de uma pessoa, e deve ser oferecido pela fé, como oferta de gratidão a Deus, não por tristeza ou por necessidade (obrigação), porque realmente Deus ama o que dá com alegria.

 “Aliás, aqui são homens mortais os que recebem dízimos, porém ali, aquele de quem se testifica que vive. ”(Hebreus 7:8)

2 COMENTÁRIOS

  1. Excelente argumentação! “O que darei eu ao Senhor port tantos benefícios que Ele me tem feito?” Sou dizimista porque amo o meu Senhor e contribuo para o crescimento da sua obra.

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