Enchei-vos do Espírito?

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por Vinicius Toscano

O que o apóstolo Paulo quis dizer com a expressão “enchei-vos do Espírito”, em Efésios 5.18? Era ser batizado com o Espírito Santo?

Para responder essa pergunta é necessário lermos uma parte maior daquilo que Paulo escreveu aos Efésios. Vejamos:

“Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor. E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (Efésios 5.15-20)

Paulo vem desde o início do capítulo 5 exortando aos efésios a serem imitadores de Cristo, afastando-se das obras infrutíferas das trevas, pois os que são nascidos de novo são luz e em nada comungam com as trevas. Nessa perspectiva, o desejo de Paulo era que eles não deixassem a segurança do evangelho a ponto de se tornarem insensatos, ou seja, deixassem de ser um imitador de Cristo. Para isso, Paulo os leva a focar na importância de viver longe do padrão do mundo, buscando conhecer sempre a vontade do Senhor.

Tendo definido o padrão que o cristão devia viver, Paulo aqui parece agora relembrar algo que já havia acontecido na igreja de Éfeso, logo no seu surgimento, e que encontramos narrado no Livro de Atos, no capítulo 19:

“1 Aconteceu que, estando Apolo em Corinto, Paulo, tendo passado pelas regiões mais altas, chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos, 2 perguntou-lhes: Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes? Ao que lhe responderam: Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo. […] 5 Eles, tendo ouvido isto, foram batizados em o nome do Senhor Jesus. 6 E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam” (Atos 19.1,2,5-6)

Os efésios, como se vê, já conheciam o batismo com o Espírito Santo e já tinham tido essa experiência, com a evidência da falar em línguas e de profetizarem. Assim, voltando ao texto inicial, Paulo agora mostra para eles que aquela experiência do batismo no Espírito Santo, não é algo que deva ser deixado no passado, ou ser apenas uma experiência isolada na vida do cristão. Pelo contrário! Quando é mostrada a possibilidade daqueles cristãos se tornarem insensatos, ou em palavras mais corriqueiras, tolos, ou mesmo, estúpidos; Paulo enfatiza que eles têm uma ferramenta dada por Deus para que isso não aconteça, que é continuar se enchendo do Espírito.

Portanto, Paulo não está se referindo, nessa passagem a uma experiência inicial do batismo com o Espírito Santo, mas sim a uma experiência contínua que os efésios deveriam perseguir continuamente em suas vidas, que era estar sempre cheios do Espírito, como uma solução para não viver uma vida de trevas. A comparação que Paulo faz para demonstrar essa ideia de continuidade é justamente com o vinho, uma bebida alcoólica que leva à embriaguez, portanto, é como se ele estivesse dizendo, “do mesmo jeito que para se embriagar é necessário beber continuamente e não apenas uma vez, vocês também, continuem se enchendo do Espírito para que ele tome conta de todo o seu ser”.

O padrão do Novo Testamento é que além da experiência inicial do enchimento com o Espírito Santo, o cristão precisa estar se renovando desse enchimento permanecendo cheio, mantendo a experiência de ser cheio;  e o melhor, o próprio texto do apóstolo Paulo, diz o que devemos fazer para que alcancemos isso, “falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo”.

A Palavra nos revela que Deus deseja que todo homem seja salvo e chegue ao pleno conhecimento da verdade (I Timóteo 2.4), e uma dessas verdades, é que o crente não só pode como precisa estar continuamente cheio e se enchendo do Espírito para que consiga viver uma vida longe das obras das carne, e isso é conquistado quando falamos, cantamos, salmodiamos, e louvamos ao Senhor com cânticos espirituais, que são as línguas estranhas como as derramadas sobre os efésios na experiência relatada em Atos 19.

Lembremos que na passagem chave dessa pergunta, Paulo diz, “procurai compreender qual a vontade do Senhor”. A vontade do Senhor, portanto é que sejamos cheios do Espírito continuamente, sejamos fervorosos, nunca deixemos apagar o Espírito Santo, que é o poder de Deus para todo aquele que crer.

 

*Texto retirado da Revista Conexões, Edição 2018.2, Seção Alumni Responde.

 

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