Fé é acionada por meio das palavras

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por Lucileia Toledo

Os livros do irmão Kenneth Hagin são realmente fascinantes. Li a totalidade deles, pelo menos todos os que já foram publicados em português e, os releio com frequência. Realmente, não devemos nos acostumar com as suas lições, pois, se gerarmos expectativas em cada leitura, seremos surpreendidos com revelações que estavam lá o tempo todo, mas nossa imaturidade, na primeira leitura, nos impediu de enxergar.

Muitos dos sermões pregados em nossas igrejas estão pautados no que aprendemos do irmão Hagin e do apóstolo Bud Wright. Essa é a nossa base e nossa história. Não nego, é claro, que a Palavra de Deus é o nosso fundamento, glória a Deus porque esses homens ensinaram a Palavra.

Recentemente, lendo um livro do irmão Hagin – “Você pode ter o que diz” – penso que passei por um daqueles momentos que denominamos “A ficha caiu”. Não sei se você reconhece essa expressão, mas, na época em que não tínhamos telefone em nossas residências e nem mesmo o celular (acredite, não sou tão velha assim), costumávamos utilizar o telefone público, que denominávamos de “orelhão”. Acontece que, para utilizá-lo, era necessário comprar fichas telefônicas e colocá-las nele para que conseguíssemos fazer a ligação. Algumas vezes, não conseguíamos; por mais que tentássemos, a ficha emperrava, mas, quando ela caía, a ligação era completada. Que alegria! Foi assim que me senti lendo esse livro do irmão Hagin. Eu entendi… Fé é acionada por meio de palavras!

AS PALAVRAS

Todos somos conhecedores das lições do irmão Hagin concernentes ao texto bíblico de Marcos 11.23:

“Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito.”

Aprendemos que a fé é do coração, porém não deve apenas estar guardada nele de forma estática. Existe uma forma pela qual ela é movimentada ou acionada e, essa maneira é falando. Repare que não é o que cremos que será feito, mas o que falamos.  É dessa forma que acionamos a nossa fé.

Existe um poder liberado nas palavras. Quero lhe incentivar a atentar para o que acontece todas as vezes que você diz algo. Seja o que for… e não estou falando agora, da Palavra de Deus, mas das palavras que falamos em geral. O que falamos movimenta as nossas vidas.

Às vezes, dizemos: “Irei ao culto hoje”. Tudo o que fazemos colabora para essa realização. Outras vezes, dizemos: “Não consigo entender como fazer isso”. Todo o nosso organismo vai colaborar para a efetivação daquilo que falamos. O que falamos pode afetar a nossa vida e destino e, as vidas e destinos das pessoas que estão debaixo de nossa influência, pois o que falamos pode mudar as coisas a nossa volta e outras pessoas podem ser afetadas pelo contexto que geramos com as nossas palavras.

Tudo o que Deus moveu através do tempo foi por meio das palavras

“E te deixaste enredar pelas próprias palavras; e te prendeste nas palavras da tua boca”. (Provérbios 6.2)

“A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto”. (Provérbios 18.21)

“Há alguns que falam como que espada penetrante, mas a língua dos sábios é saúde”. (Provérbios 12.18)

“O que guarda a sua boca e a sua língua guarda a sua alma das angústias”. (Provérbios 21.23)

Note, nos versículos supracitados, o poder que a Bíblia confere às palavras da nossa boca. Aquilo que fazemos com a nossa língua, de fato, tem o poder de conduzir todo o nosso corpo.

Foi por meio de palavras que o mundo veio a existir:

“E disse Deus: Haja luz; e houve luz”. (Gênesis 1.3)

“O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas”. (Hebreus 1.3)

Deus fez o mundo, estabeleceu a comunhão com o homem, conduziu o homem por meio das eras e em cada dispensação, falando.

“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho” (Hebreus 1.1)

Foi por meio da palavra encarnada, Jesus, que Deus estabeleceu uma Nova Aliança. O verbo (a Palavra) se fez carne e habitou entre nós.

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. (João 1.1-3)

Em todas as vezes que Deus falou algo, tempos foram mudados, histórias foram alteradas, destinos foram traçados e novas eras foram inauguradas.

“Assim será a palavra que sair da minha boca: ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei”. (Isaías 55.11)

Podemos ser vitoriosos ou derrotados pelas palavras que falamos.

Igualmente, quando a Palavra sai da nossa boca, sempre vai produzir o resultado contido nela. Por isso, devemos ser tão cuidadosos com as palavras que estamos enviando. Podemos ser vitoriosos ou derrotados pelas palavras que falamos.

O reino do espírito é movido por palavras.

“Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos,

A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.

Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação”. (Romanos 10.8-10)

Entramos para o reino de Deus e recebemos a nova vida em Cristo Jesus por meio das palavras que falamos. O princípio utilizado para receber a vida de Deus – crer com o coração e confessar com a boca – é o mesmo princípio que se aplica para qualquer área da nossa vida.  Entretanto, veja bem, ao confessar, falar, a nossa realidade foi mudada: éramos pecadores e, agora, somos filhos. Fazíamos parte do império das trevas e a nossa confissão nos transportou para o reino de Deus. Se o que falamos foi capaz de mudar nossa condição, também pode afetar toda a nossa existência.

Vejamos:

“Ali estava o servo de um centurião, doente e quase à morte, a quem seu senhor estimava muito.

Ele ouviu falar de Jesus e enviou-lhe alguns líderes religiosos dos judeus, pedindo-lhe que fosse curar o seu servo.

Chegando-se a Jesus, suplicaram-lhe com insistência: “Este homem merece que lhe faças isso, porque ama a nossa nação e construiu a nossa sinagoga”.

Jesus foi com eles.

Já estava perto da casa quando o centurião mandou amigos dizerem a Jesus: “Senhor, não te incomodes, pois não mereço receber-te debaixo do meu teto.

Por isso, nem me considerei digno de ir ao teu encontro. Mas dize uma palavra, e o meu servo será curado.

Pois eu também sou homem sujeito a autoridade e com soldados sob o meu comando. Digo a um: Vá, e ele vai; e a outro: Venha, e ele vem. Digo a meu servo: Faça isto, e ele faz”.

Ao ouvir isso, Jesus admirou-se dele e, voltando-se para a multidão que o seguia, disse: “Eu digo que nem em Israel encontrei tamanha fé”. (Lucas 7.2-9)

O centurião era assim denominado por ser comandante de 100 homens, estando acostumado a liberar as palavras de comando e ver aquilo que dizia em ação. Sabemos que, na liderança de tantas pessoas, nem sempre estaremos com todas elas, muito menos simultaneamente; entretanto, multidões podem ser influenciadas e direcionadas por palavras. Ao liberá-las, respaldadas por uma autoridade, tudo o que dissermos, que essa autoridade nos respalde, deve ser executado, ainda que não nos façamos presente fisicamente.

Por mais que isso pareça uma conclusão óbvia, muitos de nós ainda não recebemos isso como revelação e, esse parece ser uns dos motivos pelos quais existem tantas pessoas sufocadas pelas pressões ocasionadas por situações adversas. Nossas palavras podem chegar a lugares que não podemos ir e, lá chegando, sempre vão produzir o propósito para o qual foram designadas. Por isso, o centurião disse a Jesus que a presença dele não era necessária, mas se a palavra fosse enviada resolveria a situação.

Sabemos bem que não se trata de lugar, distância ou tempo. Podemos enviar a palavra às nações e podemos enviá-la para o futuro: nossas palavras nos precedem e nos substituem. Podemos construir o nosso futuro e da nossa família. Podemos estabelecer marcos nas gerações futuras falando, lançando palavras.

Quais palavras devemos falar,

“Mas o que ela diz?: “A palavra está perto de você; está em sua boca e em seu coração”, isto é, a palavra da fé que estamos proclamando”. (Romanos 10.8)

“Raça de víboras, como podem vocês, que são maus, dizer coisas boas? Pois a boca fala do que está cheio o coração”. (Mateus 12.34)

Visto que a fé é acionada por palavras, logo, as palavras que devemos falar são fé. A palavra que deve estar em nossa boca é a mesma que deve estar em nosso coração – a palavra da fé. Esse é o espírito da fé, falar o que se crê no coração.

“De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos”. (II Coríntios 4.8-9)

Observe Paulo falando sobre o espírito da fé. Repare que ele demonstra as situações que se apresentaram ou que podem surgir para qualquer filho de Deus. Ele demonstra que o espírito da fé é a postura daquele que contraria as circunstâncias à sua volta e altera as realidades em que está inserido falando a palavra da fé.

“Está escrito: “Cri, por isso falei”. Com esse mesmo espírito de fé, nós também cremos e, por isso, falamos” (II Coríntios 4.13)

Mais do que firmar a doutrina, que é a base do que cremos e onde está estabelecida nossa fé, nossa proposta com esse texto é alertar a respeito da necessidade que temos de não manter nossa fé estagnada em nosso coração, mas lançar a palavra da fé, falando aquilo que Deus inspira em nosso coração. Precisamos transformar não apenas a leve e momentânea tribulação que pode abalar a nossa vida, mas também as vidas, que podem ser afetadas com as grandezas que Deus pode manifestar em nossa geração e nas gerações futuras por meio das palavras da nossa boca.

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