Fundamentos da fé

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por Beto Gomes

Muitos cristãos associam uma vida de fé à uma vida penosa e difícil, repleta de resultados negativos. Eles pensam que viver pela fé seja sinônimo de derrota, de fracasso, de sofrimentos constantes, vivendo à duras penas enquanto estiverem aqui na Terra (Os 4.6; Is 5.13 ; Sl 119.92).

Por desconhecerem a obra redentora de Cristo Jesus e o que Ele proporcionou à humanidade, essas pessoas prorrogam resultados em Deus (positivos) para a eternidade, sem se darem conta daquilo que Cristo conquistou para elas e, que tudo que necessitam já está disponível no tempo presente. O conhecimento dessa verdade será vital para aqueles que nela creem (Jo 8.32; I Ts 2.13; Mc 9.23; Is 1.19). Obtemos esse conhecimento entrando em contato com a vontade de Deus expressa nas Escrituras, que nos revelam qual o estilo de vida que agrada a Deus Pai.

Por quatro vezes na Bíblia encontramos a citação de que o justo por sua fé viverá (Hc 2.4; Rm 1.17; Gl 3.11; Hb 10.38), o que deixa bem claro o desejo de Deus de que, enquanto estivermos aqui nessa Terra vivamos pela fé, nos posicionando sobre o que Ele nos diz em Sua Palavra.

Aprecio algo que o irmão Kenneth E. Hagin dizia: “Se Deus exige que tenhamos fé quando isso é impossível para nós, temos o direito de questionar Sua justiça, mas, se Ele coloca em nossas mãos os meios que produzem a fé, então, crer ou não passa a ser responsabilidade nossa”.

Muitas pessoas, erroneamente, responsabilizam Deus por tudo que acontece em suas vidas, inclusive coisas ruins, alegando ser a vontade de Deus que estejam vivendo daquele modo. Mas, precisamos entender que a vontade de Deus é a Sua Palavra, que Ela é boa, agradável e perfeita e, que foi compartilhada aos homens com o propósito de ser conhecida, para a partir de então ser praticada, a fim de que estejam em um campo de obediência plena e provisão abundante (Rm 12.1-2 ; Tg 1.22-25).

F. Bosworth disse algo interessante e poderoso: “Fé começa onde a vontade de Deus é conhecida”.

Reflitamos sobre isso: se não conheço a Palavra de Deus, não conheço a vontade de Deus. Se não conheço a vontade de Deus, não demonstrarei fé em Deus. Se não demonstro fé em Deus, não agradarei a Deus e, por Sua vez, viverei às margens ou alheio aos resultados que Deus me prometeu em Sua Palavra, que diz que Ele é Galardoador (Presenteador) daqueles que O buscam (Hb 11.6). E a maneira pela qual buscamos a Deus é vivendo pela fé, obedecendo a Sua vontade.

Sem desmerecer esses valores, a Bíblia deixa bem claro que a fé não vem pelo jejum e ou oração. Até porque essas duas práticas, apesar de importantes e imprescindíveis para a vida do cristão, não serão aplicadas de forma correta e equilibrada sem o conhecimento do que a Bíblia ensina a respeito delas. A Bíblia nos diz que a fé vem pelo ouvir e o ouvir pela palavra de Cristo (Rm 10.17). Perceba nesse texto a relação que existe entre fé — Palavra — Deus (Cristo). O fundamento da nossa fé em Deus é a Palavra de Cristo, ou seja, uma fé que se apoia mais propriamente naquilo que Cristo realizou por nós (Gl 2.16, 19-20). Nossa caminhada cristã se iniciou pela fé nessa verdade, de que pela obra de Cristo e não por obras pessoais, recebemos tão grande salvação, nos tornando a justiça de Deus nEle (Ef 2.8-10; I Co 1.30-31; Rm 5.1-2; Rm 10.3-4; II Co 5.21). Pela fé em Cristo tivemos acesso ao Pai, recebemos da Sua própria natureza, dos Seus valores e das Suas maravilhosas promessas (II Pe 1.3-4). Esse entendimento é determinante para uma fé segundo Deus, para uma vida cristã saudável e vitoriosa, pois só assim agiremos de uma forma correta aos Seus olhos e experimentaremos daquilo que é nosso por direito (Rm 8.37).

Deus nos concedeu a Sua Palavra para alinhar os nossos pensamentos, endireitar os nossos caminhos, para que pensemos, creiamos, falemos e vivamos corretamente (Sl 119.105; Pv 3.5-6). O pensar certo nos fará agir certo! Uma das ações mais básicas e primordiais pelas quais demonstramos fé na Palavra de Deus é confessarmos o que está registrado nela. Confissão de fé nesse sentido implica em colocarmos a nossa confiança no que Deus diz em ação, através de palavras, crendo nisso com o coração. Os homens recebem a salvação por ouvirem a Palavra, e assim, crerem com o coração que Deus ressuscitou a Cristo dentre os mortos e confessarem Jesus como Senhor (At 11.14; Rm 10.8-10,17). Todo cristão um dia fez esse tipo de confissão, mas nos enganamos se pensarmos que a confissão resume-se à experiência do novo nascimento, ou mesmo confissão de pecados.

Mesmo após nascermos de novo, podemos confessar o que a Palavra de Deus diz ao nosso respeito, sobretudo aquilo que somos, temos e podemos em Cristo Jesus, em detrimento daquilo que sentimos, pois a fé bíblica não caminha junto com nossos sentimentos (II Co 5.7; Hb 11.1).

Jesus nos ensinou em Marcos 11.22-23 como liberarmos a fé do tipo de Deus ou a fé criativa de Deus, a mesma fé demonstrada por Deus na criação (Hb 11.3), que chama à existência as coisas que não existem (Rm 4.17). Dentre outros pontos tratados no contexto em questão, podemos destacar o fato de que Jesus em Marcos 11.23 ressaltou a importância de manifestarmos o que cremos através de palavras, e que essas palavras proferidas, sem duvidar no coração, trarão o resultado desejado (Is 55.11). Esse registro nas Escrituras é glorioso, de fundamental importância e determinante, para que expressemos nossa fé na Palavra de Deus, falando o que Deus fala, e alcancemos o que Deus diz ao nosso respeito.

Está registrado na Palavra de Deus que a aliança na qual participamos é superior, baseada em melhores promessas, sendo Jesus o Mediador (Hb 8.6). Confessarmos o que Jesus conquistou para nós, através da Sua crucificação, morte, sepultamento, ressurreição e ascensão aos céus, significa nos apropriarmos daquilo que legalmente é nosso!

Portanto, não devemos nos calar diante das dificuldades, circunstâncias ou oposições que se levantam diante de nós, mas tomarmos posse da Palavra de Deus, confessando aquilo que está escrito (verdades espirituais) independente do relatório natural que nos cerca. Assim fazendo demonstraremos fé em Deus, fé naquilo que Ele diz, fé em Sua Palavra, que é poderosa e eficaz (Hb 4.12), e essa Palavra operará em nosso favor.

Encorajo você a combater o bom combate da fé (I Tm 6.12), confrontando pela Palavra a falta, doença, fraqueza, tristeza, medo, bem como tudo aquilo que contraria a vontade de Deus, falando o que Deus diz, aquilo que Cristo conquistou por você!

Mesmo o diabo sendo o deus deste mundo corrompido (II Co 4.4), podemos reinar em vida, por meio de Jesus Cristo, vivendo o melhor de Deus aqui nessa Terra, uma vida vitoriosa no presente (Rm 5.17; I Jo 4.4; I Jo 5.4), por agarrarmos o espírito da fé — “cri, por isso falei” (II Co 4.13).

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