A História da Reforma Protestante

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por Armando Sena

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, afim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (II Timóteo 3: 17-17 ARA).

Estas palavras foram usadas por Paulo, o apóstolo, para seu jovem discípulo Timóteo, mostrando a importância das escrituras sagradas, que, na época, eram apenas os escritos do antigo testamento. O novo testamento ainda não tinha sido concluído e também não tinha entrado para o Cânon, que só foi definido posteriormente no Sínodo de Cartago em 397 d.c.

Nestes versículos preciosos, podemos ver a importância da Palavra de Deus na vida do homem. E, para mim, a maior marca ou legado da Reforma Protestante foi a disponibilidade da leitura e do estudo das escrituras para todo crente. Uma Bíblia, hoje, em nossas mãos é algo comum, mas, ao longo da história da Igreja, nem sempre foi assim.

Logo depois que Constantino declarou o Cristianismo como a religião oficial do império em 313 d.c e a partir disso, teve início um sincretismo com o paganismo romano. Começamos a observar que a ambição pelo poder de muitos lideres religiosos só aumentou, tornando a igreja institucional um estado de declínio moral, no qual o mundo mergulhou em um período conhecido como Idade Média ou Idade das Trevas. Em tal período, o homem simples foi privado do conhecimento das escrituras por cerca de 1000 anos, se tornando um período obscuro e sangrento uma vez que qualquer um que se levantasse contra a autoridade do Papa (que estava acima de todos, estando apenas abaixo de Deus) era condenado como herege e queimado na fogueira da Inquisição.

Mesmo assim, no meio dessa baixa moral, ignorância do conhecimento e com o homem privado das escrituras e apenas acreditando que a autoridade do clero era a ” palavra final da vontade de Deus”, havia alguns homens que conseguiram ser uma espécie de elo entre a igreja primitiva e os ensinos de Jesus, de Paulo e dos apóstolos. Estes homens viviam na região do norte da Itália e eram chamados de Valdenses. Eles foram comerciantes e tinham que decorar textos das escrituras para poder pregar o Evangelho genuíno aos seus clientes. Muitas vezes, tinham apenas o conhecimento de fragmentos, pois o acesso à Palavra de Deus era restrito. Eles viviam em vales, faziam cultos em cavernas e também foram perseguidos e mortos nestas perseguições. Porém, Deus sempre teve um povo sincero no meio desse tempo; podemos destacar algumas pessoas importantes, como John Wycliffe na Inglaterra (conhecido como a Estrela da reforma), John Huss, na Boemia e Jerônimo Savanarola, em Florença na Itália.

Estes homens foram chamados de pré-reformadores, pois, em comum, não aceitavam a autoridade abusiva da igreja institucional e suas doutrinas absurdas, como a transubstanciação e venda de indulgencias. Eles se esforçaram para traduzir as Escrituras para suas línguas maternas, mas encontraram dificuldades, pois tinham que fazer de forma manuscrita suas cópias, dificultando em grande medida o trabalho. Tais homens foram condenados como hereges e queimados no fogo.

No entanto, Deus estava se movendo na humanidade, em torno de algo poderoso que estava por vir! Então, como o acordar de um sono milenar, veio o sentimento nacionalista entre os países da Europa, como Alemanha, Inglaterra, França, dentre outros. Vieram, também, o renascimento, fazendo com que houvesse a redescoberta de línguas como o grego e o acesso aos estudos em universidades; por fim, houve a invenção da imprensa com tipos móveis de Johannes Gutenberg em cerca de 1430 d.c. Estes três fatores contribuem para a Reforma Protestante, em que um monge agostiniano, chamado Martinho Lutero, cansado de uma vida vazia, descobriu, através das Escrituras, que O JUSTO VIVE PELA FÉ. A partir daí, incomodado por ver os abusos da venda de indulgências, afixou, nas portas da catedral de Wittenberg, no dia 31 de outubro de 1517, as 95 teses de sua descoberta, onde a autoridade das Escrituras se tornam mais importantes do que qualquer bula papal ou dogma humano. Justamente por conta da invenção da imprensa com tipos móveis, sua mensagem pode ser espalhada e lida por todos os homens simples em todos os lugares! Certa vez, a respeito disso, Lutero falou: “É como se os anjos pegassem e levassem nossa mensagem por todos os quatro ventos da terra”.

A partir daí, a humanidade volta a ter acesso à palavra de Deus, que, por anos, foi reprimida e trancafiada em bibliotecas nos longínquos mosteiros. A partir desse momento, há a abertura de universidades para ensino das Escrituras, como em Genebra e por toda a parte. É certo que continuaram a haver perseguições; porém, não havia mais como deter o que Deus havia iniciado, na Alemanha, naquele 31 de outubro de 1517. E muitos filhos queridos, como John Knox,  na Escócia, William Tyndale, na Inglaterra, e outros mais estavam espalhando este mover do estudo das Escrituras, da compreensão da salvação pela graça mediante a fé e do sacerdócio santo de cada crente comum.

E a começar deste desvendamento e acesso a palavra de Deus, tudo começa a ser restaurado passo a passo. Vemos, logo depois, o rebatismo nas águas por imersão com os Batistas. Também vemos a restauração do evangelismo com poder, através de John Wesley. Tem-se conceito bíblico de atos 2, com relação ao Batismo no Espírito Santo com a evidência de falar em outras línguas com Charles Parham e William Seymour, no movimento da rua Azuza. Também não podemos esquecer do movimento Voz da Cura nas décadas de 1940 e 1950. E, por fim, agora, temos o que chamam de movimento Palavra da Fé, que se iniciou com Kenneth E Hagin. Na verdade, sabemos que tudo isso é a obra do Espírito Santo, restaurando tudo, pela autoridade das Escrituras, ao ensino que se praticava na igreja primitiva, por Paulo, Pedro, João e todos os apóstolos, tendo Jesus como chave Hermenêutica (Efésios 2:20-22).

Para mim, me sinto feliz em poder saber que são 500 anos, onde Deus se moveu através da Reforma. Hoje, temos de volta a Bíblia em nossas mãos confiadamente e de forma legítima, sendo a eterna, santa e imutável Palavra de Deus. Este é o maior legado destes 500 anos da Reforma!

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