O Ministério do Evangelista

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por Luciléia Toledo

Fico impressionada ao meditar a respeito da forma pela qual, Deus supre as necessidades da igreja através dos dons ministeriais. Cada ofício, como temos apresentado nos textos anteriores, carrega em si as ferramentas que fazem com que uma igreja possa crescer forte e saudável, como é proposto por Deus no tocante aos cinco dons ministeriais. 

Deixe-me exemplificar: o apóstolo abre os caminhos para o nascimento de uma igreja; o pastor se ocupa do governo da igreja e do cuidado das vidas que nasceram no Reino; o mestre, por sua vez, desvenda as Escrituras com ensinos que fortalecem o fundamento construído pelo apóstolo e o pastor; o profeta alerta a igreja sobre a comunhão com o Senhor e a santidade e o evangelista ocupa-se em anunciar a pessoa e a obra de Jesus Cristo ao pecador. 

Se tentássemos qualificar um ofício como sendo melhor que o outro, possivelmente cometeríamos uma grande falha. Precisamos compreender que cada um tem seu lugar e é extremamente necessário para o crescimento do Corpo de Cristo. Para esse crescimento saudável, e em nada deficiente, é necessário que os ministérios trabalhem em mútua cooperação. Cada um, conforme a graça concedida, contribui conjuntamente para a salvação de vidas, não apenas no tocante a que recebam a vida eterna, mas igualmente para que cheguem ao pleno conhecimento da verdade.

O Evangelista

O evangelista é alguém que carrega em seu íntimo uma paixão sobrenatural por vidas, mas é necessário alertar que isso pode levá-lo facilmente a uma insatisfação constante dentro da igreja por achar que não está sendo feito todo o possível para se alcançar os perdidos. Dessa forma, ele pode desenvolver uma forte tendência em julgar as decisões da liderança acerca de prioridades e investimentos. 

Além disso, por ser movido por uma convocação divina para pregar o evangelho, ele deve ter um cuidado adicional, pois, em seu empenho para livrar as pessoas do juízo eterno, pode julgar as outras pessoas que aparentemente não compartilham de seu ponto de vista, de sua convicção sobre a urgência desse trabalho. 

Se você é um evangelista, cuidado para não confundir essa convocação, fazendo julgamentos, como se o que arde em seu interior queimasse igualmente em todas as pessoas. Todos os filhos de Deus devem levar a mensagem de salvação. Todos fazemos parte da Grande Comissão indistintamente. Mas sabemos que nem todos no Corpo de Cristo são chamados nos dons ministeriais.

Todos os filhos de Deus são chamados para o ministério da reconciliação. Pregar o evangelho é um comissionamento para os filhos de Deus. Entretanto o evangelista é alguém que faz isso de uma forma especial, pois possui um equipamento sobrenatural para esse serviço: opera em sinais como milagres, curas, alcança multidões, promove salvação em massa. Todas essas características seguirão o ministério de um evangelista.

“As multidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele operava. Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam gritando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos foram curados” (Atos 8.6-7).

Embora o evangelista possa levar alguém a Cristo de forma sobrenatural, apenas conseguirá conduzir essa pessoa até certo ponto no tocante a seu crescimento e desenvolvimento. Para dar continuidade a sua obra, será necessário o trabalho de um pastor.

Jesus, o Evangelista

Faz parte do comissionamento de um evangelista o cuidado com as vidas. Jesus, tinha a unção sem medida, foi o único que atuou nos cinco dons ministeriais, portanto, é nosso modelo também de evangelista. 

Como evangelista, Jesus demonstrou interesse pelas pessoas individualmente. Milagres, sinais e curas sobrenaturais faziam parte de seu ministério. As multidões atendiam à sua pregação e ficavam maravilhadas com seus ensinos, evidenciando as marcas de um evangelista. Todavia, Ele também parava para ouvir as pessoas em suas necessidades e sofrimentos e se movia de íntima compaixão ao colocar-se no lugar delas. Jesus não apenas ocupava-se em mostrar a salvação para as pessoas, também se empenhava em mudar a condição delas. 

O evangelista, antes de pensar nas grandes cruzadas, nos milagres operados por meio de seu ministério e na quantidade de pessoas levadas a Cristo – entenda que tudo isso é lícito e tem o seu lugar, todavia, antes de tudo – deve ser apaixonado por vidas.

O evangelista e o missionário

Nem todo evangelista é, de fato, um missionário. Igualmente, nem todo missionário é chamado no ministério do evangelista. Ambos carregam em si a divina convocação para a salvação de vidas.

O evangelista, como já vimos, é alguém chamado no ministério quíntuplo, conforme Efésios 4.7-16. Ele possui um equipamento específico que respalda esse ofício. 

O missionário, por sua vez, pode ser alguém chamado em um dos cinco dons ministeriais ou não. Sua qualificação e equipamento sobrenatural advêm do comissionamento feito por Deus em seu coração, especificamente tendo como fundamento Marcos 16.15. O missionário é alguém chamado por Deus com uma missão para um povo ou nação distinta.

Não muito diferente do evangelista, o missionário também prova de uma graça sobrenatural que acompanha seu chamamento, mas sua atuação nem sempre vai envolver multidões. Ele será usado por Deus muitas vezes para fazer a obra de um apóstolo, implantar uma visão, abrir novos caminhos, fundamentar a Palavra de Deus das mais diferentes maneiras, em diversos lugares e de formas incomuns e improváveis. Ele consegue atuar em áreas da sociedade e, muitas vezes, mesmo que a conta-gotas, consegue levar a salvação por meio dos ensinamentos de Jesus, até sem palavras, se necessário. O missionário se mistura com o povo para o qual foi chamado e será para eles o que for necessário no momento.

Bom, acho que acabei deixando exalar meu amor e honra pelos missionários, afinal, este ministério – Verbo da Vida – foi estabelecido pelo trabalho extraordinário de um casal de missionários: Pr. Bud e Jan. Quem sabe um dia posso escrever um texto específico relacionado ao assunto e explicar o chamado missionário com mais detalhes?!

 O evangelista e o tempo de treinamento 

O ministério de socorros é a forma mais efetiva e eficiente de alguém crescer em sua carreira ministerial seja ela qual for. Enquanto servimos ao Senhor, desenvolvemos nosso chamado. Servir na igreja em qualquer área que Deus ou nossa liderança nos designar, nos qualificará para corrermos nossa carreira. Se o fizermos com excelência e com coração acertado, Deus poderá contar conosco para coisas maiores e confiar a nós seus filhos.

Se você é um evangelista, possivelmente, seus olhos estão voltados para fora das quatro paredes de sua igreja, seu coração arde por sair e levar as pessoas que sofrem ao conhecimento de Cristo. Provavelmente você não entende por que todos não pensam assim como você. Mas saiba que aquilo que o motiva é a graça que foi distribuída a você conforme o dom. Nem todos são participantes da mesma graça. 

Deixo a você, evangelista, um conselho: calma! Submeta-se ao treinamento. Se apenas ser chamado por Deus fosse o suficiente, as portas já estariam abertas para você ir até os perdidos em nações e povos. Entenda o tempo e o modo de cada coisa.  Envolva-se com sua igreja, sirva em quantos departamentos conseguir. Sim, existem muitas pessoas indo para o inferno a todo tempo, mas não pense que elas morrem sem oportunidades. Lembre-se de que Deus é o maior interessado em alcançá-las e Ele não está limitado a você nem às suas possibilidades. Você não terá que prestar contas das vidas que não foram a você confiadas. Deus é o maior responsável por elas. Apenas não atrase o que Deus vai fazer por meio de sua vida, resistindo ao treinamento. Você é muito importante em sua igreja local, naquelas quatro paredes. No momento, seja o melhor servo que uma igreja pode ter, submeta-se ao treinamento.

 

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