O ministério do mestre

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por Luciléia Toledo

“E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres (Efésios 4. 7 – 16).

Quando Cristo subiu ao céu repartiu dons aos homens, ele concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, evangelistas, pastores e mestres. Esses são os que chamamos de dons ministeriais. O propósito desses dons é o aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do ministério e a edificação do Corpo de Cristo. Trataremos especificamente sobre o dom ministerial do mestre.

Um ponto que vale salientarmos dentro dessa abordagem é que assim como os demais dons ministeriais são concedidos, o ofício do mestre também o é, demonstrando dessa forma, que não se trata de um título, cargo ou função que pode ser repassado como um legado, ou diploma atribuído depois de certa formação acadêmica. Apenas Deus por meio Jesus pode colocar dentro do homem esse chamado específico, o qual pode ser desenvolvido com o tempo de fidelidade, entretanto, nunca será atribuído por vontade humana. Chamado não se cria ou se adquire, nasce simplesmente e floresce.

Nas postagens anteriores escrevemos a respeito do dom ministerial do apóstolo e do profeta. Embora ambos sejam listados na carta aos Efésios supracitada, sabemos que são diferentes em essência, funcionalidade e equipamento. Vimos que enquanto o apóstolo tem a visão voltada para novos horizontes, implantação e expansão, o profeta, por sua vez, tem a visão voltada para a profundidade com o Senhor, para as coisas do Espírito Santo, o chamado, a intensidade e a santidade.

O mestre, no entanto, tem a visão voltada para a Palavra de Deus, seus olhos estão sempre atentos ao que a Palavra tem a dizer a respeito de tudo que lhe é apresentado.

Uma pessoa pode permanecer no ofício de pastor e mestre, ou profeta e mestre, ou evangelista e mestre, e assim por diante. Em outras palavras, um ministro pode ocupar mais de um ofício.

Definição:

O termo deriva-se do grego didáskalos, que significa “instrutor”, “doutor” ou “mestre”. O termo é aplicado a Jesus (Mt 8.19; 12.38; 17.24; Mc 5.35; 14.14; Jo 11.28); aos mestres da Lei (Mt 9.11; 10.24,25; Lc 2.46; 6.40; Jo 3.10); a João Batista (Lc 3.12); e ao apóstolo Paulo (I Tm 2.7). A atividade primordial do mestre, doutor ou ensinador é cuidar do ensino fundamental das Sagradas Escrituras. Os mestres são aqueles que têm de Deus um dom especial para esclarecer, expor e proclamar a Palavra de Deus, a fim de edificar o corpo de Cristo (Ef 4.11,12). “O propósito principal do ensino bíblico é preservar a verdade e produzir santidade, levando o corpo de Cristo a um compromisso com o modo piedoso de vida segundo a Palavra de Deus. As Escrituras declaram em 1 Tm 1.5 que o alvo da instrução cristã (literalmente “mandamento”) é a “caridade de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida”. Logo, a evidência da aprendizagem cristã não é simplesmente aquilo que a pessoa sabe, mas como ela vive, a manifestação, na sua vida, do amor, da pureza, da fé e da piedade sincera” (STAMPS, 1995, p. 1814).

Entendendo o ofício do mestre

Jesus, o mestre

Se você é chamado no ofício do mestre vai conseguir identificar esse chamado por uma ardente sede da Palavra de Deus em seu coração. Todos os cristãos anseiam pelo conhecimento da Palavra, mas o mestre é consumido pelo desejo intenso dela. Provavelmente, você é dado ao ensino de uma forma especial, consegue por causa desse equipamento sobrenatural maravilhar seus ouvintes à medida que expõe as escrituras com argumentação plausível, fundamento congruente, certificando-se de que todas as pontas abertas estejam amarradas. Para você a Bíblia aconselha; esmere-se!

“Se ministério, dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina esmere-se no fazê-lo” (Romanos 12.7).

Considere nosso maior exemplo e modelo, o mestre Jesus. Ele tinha a unção sem medida, por isso atuou em seu ministério terreno nos cincos dons ministeriais. Entre eles o ministério do mestre.

“E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do Reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades” (Mateus 9:35).

Grande parte do ministério de Jesus foi ocupado com o ensino. Ele ensinou nas casas, nas sinagogas, nos templos, aldeias, cidades em todos os lugares. Foi reconhecido como mestre pelos coletores de impostos (Mt 17.24); pelos escribas e fariseus (Mc 12.14,19,32); pelo jovem rico (Lc 18.18); pelos discípulos (Lc 8.24); pelo cego de Jericó (Mc 10.51); pelos discípulos de João (Jo 1.38); por Maria Madalena (Jo 20.16); além de outros (Mt 22.16; Mc 5.35; 9.17).

Todos se maravilhavam de sua doutrina que se distinguia em muito a dos fariseus por causa da autoridade com que ensinava. Jesus não ensinava contos, tradições legalistas ou doutrinas de homens. Ele ensinava a Palavra. O que ouviu o Pai dizer, e seu ensino era respaldado por sua própria vida.

Jesus é um modelo perfeito para quem é chamado no ofício do mestre. Não existe um só princípio que ele tenha ensinado que não tenha sido respaldado por sua prática. Por esta razão, Lucas, ao relatar o ministério do Mestre, coloca em primeiro lugar a ação e depois o ensino: “Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo o que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar” (Atos 1.1).

“Jesus subiu a um monte e chamou a si aqueles que ele quis, os quais vieram para junto dele. Escolheu doze, designando-os apóstolos, para que estivessem com ele, os enviasse a pregar” (Marcos 3.13-14).

Jesus, levantou doze homens e os ensinou, preceito sobre preceito, a respeito do reino de Deus. Quando eles não compreenderam o que ele estava dizendo, não levou em conta o fato de serem mortos, espiritualmente, e não terem a presença do Espírito Santo dentro deles. Ele simplesmente ensinou de muitas maneiras, várias formas.

Ele utilizava exemplos, animais, o tempo, a figueira. Ele fazia perguntas obvias, e depois ensinava e ensinava novamente.

As verdades mais profundas eram reveladas com autoridade e simplicidade ele ilustrava seus ensinos com parábolas e fatos comuns do cotidiano. Seus métodos variavam de acordo com a ocasião e a necessidade dos ouvintes.

Jesus não era indulto, conhecia bem o que ensinava, conhecia as escrituras, as ciências, as falsas doutrinas e as tradições judaicas por isso, podia sentar-se com qualquer doutor da lei e ensinar a verdade.

Jesus conseguia ensinar desde o mais simples dos homens até o mais culto e estudado. Escribas, fariseus, autoridades judaicas e romanas, homens e mulheres de alta posição, mendigos e as mais tenras criaturas eram alcançadas por ele, em meio a uma multidão eclética e diversificada. Os doutores se maravilhavam de sua doutrina, conhecimento e poder e, os indoutos achavam em ensino, salvação.

Se você é chamado no ofício do mestre, considere esse exemplo de Jesus.

Zelo pela doutrina

Todos os dons ministeriais precisam reconhecer a Palavra de Deus como o fundamento sólido de sua operação, contudo o mestre não consegue dissociar sua vida, dela.

Nenhuma só doutrina aparece sistematizada na Bíblia. Isto é, organizada, desdobrada, esboçada. O equipamento no ofício do mestre permite que o entendimento da doutrina e os princípios que a norteiam se tornem sistematizados em uma sequência lógica. Entretanto, o mestre como todos os outros dons ministeriais não deve negligenciar sua dependência do Espírito Santo para ajudá-lo, orientá-lo e inspirá-lo a descortinar as Escrituras e tornar os textos bíblicos acessíveis a toda igreja.

A revelação da Palavra marca o ministério do mestre.

A obra do mestre é edificar o corpo de Cristo. Não com modismos ou uma nova revelação, mas com a Palavra. Em tempos de desvios gritantes, esse dom ministerial se faz urgente. Muitos, hoje em dia, afirmam ter tido uma nova “revelação” (geralmente são os que negam o estudo sistematizado das escrituras), apresentar uma nova interpretação bíblica nunca antes proferida, é no mínimo muito perigoso.

A função do mestre não é descobrir aquilo que ninguém descobriu, mas clarificar o que foi preservado nas Escrituras e expor o sentido claro do texto. Dessa forma a igreja cresce fundamentada e consegue resistir às sutilezas heréticas que sempre tentam se infiltrar.

Os ensinos de Jesus não alcançavam apenas o intelecto das pessoas, mas, principalmente o coração. Elas eram ministradas não por palavras persuasivas de sabedoria humana, mas no poder do Espírito Santo, assim a dúvida era dissipada, seus ensinos implantavam nos  corações profunda convicção da verdade.

Existe no ofício do mestre um equipamento sobrenatural para ocupar-se da doutrina, do ensino bíblico. Deus usa o ministério do mestre para trazer estabilidade e maturidade à igreja. O mestre vai ser também um guardião da visão, levando a igreja para uma firmeza doutrinária capaz de resistir os tempos difíceis. A ocupação do mestre vai ser a doutrina.

4 COMENTÁRIOS

  1. Muito boa sua colocação, Tasso!

    Paulo foi mesmo um exemplo de um mestre excelente e preparado, culto, erudito, ensinava não apenas com propriedade e maestria, também conseguia encantar seus ouvintes com a autoridade e poder de seus ensinamentos.
    Além de apostolo, atuou muito bem no oficio do mestre.

    Muito obrigada por seu comentário!

  2. No livro de atos dos apóstolos no capítulo 17, Paulo nós dá amostras em detalhes de uma vida de intenso desejo pela a exposição da palavra aos homens e a consequente salvação dos mesmos, Paulo encontra-se no Areópago de Atenas, um lugar importante em política e em assuntos religiosos, espreitado por estoicos e epicureus, o apóstolo flui no ofício de mestre e com toda segurança e propriedade responde a altura precisa, indagações como:

    Poderemos nós saber que doutrina é essa que falas?

    Paulo teve instruções do espírito e foi ao ponto ideal, destacou a superticiosidade do povo grego e as tradições, nesse ponto ele atinge o ápice do debate atribuindo sua missão ao Deus desconhecido, pois havia um altar com essa descrição, assim como Jesus, que atuava em diversas formas, e seus métodos variavam de acordo com a ocasião e a necessidade dos ouvintes, Assim, também em algumas situações, vimos Paulo, em baixo de ousadia e intrepidez, sabedoria e certeza do que estava falando, pregar um Cristo que onde era pregado suscitava polêmica e através do poder da palavra levar muitos, inclusive pensadores é racionalistas, ao arrependimento.
    O mestre atua como um sniper, o atirador profissional não hesita, controla a respiração, mantém os nervos relaxados e fica a um comando de uma atuação infalível, Paulo entrou em “arenas” com feras e o seu conhecimento da palavra e experiências espirituais proporcionaram palavras coerentes, atitudes honrosas ( honra e submissão ao saber que Ananias era sumo sacerdote) e o cumprimento de sua missão.
    Ele não busca a necessidade de conhecer o falso, é necessário ser como os bereanos, sempre observar a palavra, e não se atentar ao erro, mas como um bom bancário, que tem tanta propriedade no conhecimento das cédulas verdadeiras, identificar as falsas automaticamente.
    A verdade sempre vence, e convencer até filosófos que viviam de suas elucubrações, é a prova que o Espírito Santo juntamente com um filho de Deus é sem duvida, uma dupla de sucesso!

    • Muito boa sua colocação, Tasso!
      Paulo com certeza é um exemplo forte de um apostolo que atuou como mestre. E que mestre ele foi! As revelações apresentadas em mais da metade do novo testamento demonstram muito bem a excelência do seu ensino.
      Muito obrigada por seu comentário!

  3. No livro de atos dos apóstolos no capítulo 17, Paulo nós dá amostras em detalhes de uma vida de intenso desejo pela a exposição da palavra aos homens e a consequente salvação dos mesmos, Paulo encontra-se no Areópago de Atenas, um lugar importante em política e em assuntos religiosos, espreitado por estoicos e epicureus o apóstolo flui no ofício de mestre e com toda segurança e propriedade responde a altura precisa indagações como:

    Poderemos nós saber que doutrina é essa que falas?

    Paulo teve instruções do espírito e foi ao ponto ideal, destacou a superticiosidade do povo grego e as tradições, nesse ponto ele atinge o ápice do debate atribuído sua missão ao Deus desconhecido, pois havia um altar com essa descrição, assim como Jesus o maior mestre atuava em diversas formas, e seus métodos variavam de acordo com a ocasião e a necessidade dos ouvintes, Assim, também em algumas situações, vimos Paulo, em baixo de ousadia e intrepidez, sabedoria e certeza do que estava falando pregar um Cristo que onde era pregado suscitava polêmica e através do poder da palavra levar muitos ao arrependimento.
    O mestre atua como um sniper, o atirador profissional não hesita, controla a respiração, mantém os nervos relaxados e fica a um comando de uma atuação infalível, Paulo entrou em “arenas” com feras e o seu conhecimento da palavra e experiências espirituais proporcionaram palavras coerentes, atitudes honrosas ( honra e submi ao saber que Ananias era sacerdote)

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