Se Deus existe, por que o mal existe? 

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por: Thiago Freitas

Acredito que todo ser humano, por algum momento, já refletiu sobre a existência de Deus. Ao refletir sobre a existência de Deus, deparam-se com o problema do mal. O mal parece ser um enorme entrave para a crença em um Deus que as Escrituras afirmam ser o Criador.

Ao verem inúmeras maldades sem sentido e desnecessárias ocorrendo no mundo, muitas pessoas concluem que Deus não existe. Muitos acreditam que a existência do mal (na quantidade e variedade que encontramos hoje) torna a crença em Deus sem fundamento e racionalmente inaceitável.

A pergunta que vou procurar responder é: o mal prova a inexistência de Deus?

Como muitos pensadores observam, se alguém afirma que o mal existe no mundo, primeiro deve perguntar-se qual o critério adotado para julgar que alguma coisa é má. Como julgar se algumas coisas são boas ou más? Por qual padrão moral analisamos pessoas e eventos? Como você reconhece o mal quando o vê? Por meio de que processo você reconhece o mal? Você há de concordar comigo que é impossível distinguir o mal do bem, a menos que se tenha um ponto de referência do que é absolutamente bom. Do contrário, seria como alguém que estivesse em um bote em alto mar, em uma noite encoberta e sem bússola, não tendo condições de distinguir entre Norte e Sul. O que quero dizer é que Deus é o nosso ponto de referência para distinguir entre o mal e o bem.

O universo planejado por Deus é como uma casa planejada por um arquiteto. Assim como só a presença de cupim não refuta a existência do arquiteto, também a presença do mal no universo não refuta a presença do arquiteto divino.

Pense um pouco sobre o que é o mal. O mal não auto-existe; na verdade, ele é a perversão de algo que já existe. O mal é a ausência ou privação de alguma coisa boa. Só há devastação florestal porque existem árvores. A queda de dentes só ocorre porque há dentes. Olhos cegos e ouvidos surdos ilustram o mesmo ponto. O mal existe como perversão de alguma coisa boa; ele é a privação e não tem essência em si mesmo. Todas as nossas palavras para definir o mal pressupõem que um bem foi pervertido. O mal envolve a ausência de algo bom que deveria estar lá. Quando o bem que deveria estar em alguma coisa não está ali, isso é mal.

Quando Deus, como arquiteto divino, originalmente, criou o universo, ele era, de todas as maneiras possíveis, perfeitamente bom (Gn 1.31). Nada estava errado, não havia mal.

Hoje no entanto nem tudo é bom. Na verdade, existe agora uma grande quantidade de mal no universo que, um dia, foi inteiramente bom. Isso só pode significar que algo terrível aconteceu entre aquele momento e agora, causando tamanha mudança. Assim como uma casa pode sofrer uma invasão maciça de cupins, o universo sofreu uma invasão maciça de pecado.

A existência do mal no universo não desmente a existência de Deus, como também a existência de cupim na casa não desmente a existência do arquiteto. O fato de que a feiúra, o tormento, a morte, a dor, o sofrimento e o caos estejam presentes no mundo, ainda que por um período determinado de tempo, pois Deus a seu tempo fará novo céu e nova terra, não são argumentos que desmintam o planejador.

Em vista do que expus, parece insensatez sugerir que Deus não exista apenas porque constatamos a presença de certas formas de mal no mundo. Desde da queda do homem Deus tem atuado no mundo. Ele estava atuando com seu julgamento justo sobre o incorrigível mal e a incomparável graça concedida a Noé e sua família. Deus estava lá em graça quando Israel e Judá foram levadas para cativeiro, enviando profeta após profeta para chamar seu povo de volta à significante comunhão e serviço.

Embora possamos ser tentados a pensar que Deus não está envolvido com nossa vida, a realidade é que Ele sempre está conosco, operando nos bastidores para realizar seus propósitos, permanecendo o tempo todo perfeitamente bom, justo, reto e santo. No recomeço da história da humanidade, quando estivermos no novo céu e na nova terra, sem dúvida, nos deleitaremos na sabedoria Dele ao realizar seus propósitos em um planeta caído sem fazer concessão alguma, nem comprometer qualquer um de seus perfeitos atributos. Mesmo que no presente algumas de suas ações nos sejam incompreensíveis (o que não é muito diferente da criança que não compreende como seus pais permitem coisas tão terríveis quanto uma visita ao dentista), não significa que essas ações sejam ruins para nós. Da mesma maneira que os pais humanos agem com uma sabedoria que a criança não consegue compreender, Deus atua conforme uma sabedoria infinitamente além da nossa compreensão.

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