Série – Os dons do ministério

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por Lucileia Toledo 

O ministério do apostolo

“E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do Corpo de Cristo”

Quando a igreja começou a desenvolver-se no livro de Atos não havia nos primeiros anos a atuação dos cinco dons ministeriais visto a igreja estar no primeiro estágio de sua infância.

O primeiro ministério que se tornou evidente foi o do apóstolo e, mais tarde, conforme a Igreja amadurecia os outros dons ministeriais começaram a serem desenvolvidos.

Definição:

A palavra grega traduzida por apóstolo significa: “mensageiro, alguém enviado com ordens, ou alguém com uma missão.”

O ministério do apóstolo está listado em primeiro lugar em ordem de surgimento, porém por muito tempo acreditou-se que o apóstolo possuía a preeminência sobre a igreja por entender que a ordem mencionada acima tratava-se de uma ordem hierárquica. Entretanto todos os dons do ministério colaboram conjuntamente para o desenvolvimento de ambos e todos conforme as ferramentas de cada um, trabalham para o crescimento do Corpo de Cristo.

Embora quando tratamos ou nos referimos ao apóstolo, a tradição e a religião nos tenham condicionado a pensar em um cargo elevado, acima de qualquer outro, ou uma posição ministerial que sobrepõe as demais. Quando analisamos esse ofício dentro do contexto proposto em Efésios 4, percebemos que o apóstolo é mencionado conjuntamente com os outros dons ministeriais e tratado da mesma forma que os demais, demonstrando ser um serviço, tanto quanto os outros são, com suas especificidades, é claro.

Outro ponto que vale salientarmos dentro dessa mesma abordagem é que assim como os demais dons ministeriais são concedidos, o apostolado também o é, demonstrando dessa forma que não é um título, cargo ou função que pode ser repassado como um legado, ou diploma atribuído depois de certa formação acadêmica.

Apenas Deus pode colocar dentro do homem esse chamado específico, o qual pode ser desenvolvido com o tempo de fidelidade; entretanto nunca será atribuído por vontade humana. Chamado não se cria ou se adquire, nasce simplesmente conosco e floresce.

Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, por sobrenome Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, colaço de Herodes, o tetrarca, e Saulo.

E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado.

Então, jejuando, e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram”

(Atos 13.1-3)

Note que quando o Espirito Santo disse: “Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado”. Ele não estava falando de um oficio.

Quando Paulo e Barnabé são separados pelo Espírito Santo e receberam a imposição de mãos não foi por causa do oficio, até então, Paulo ainda não estava atuando no ofício do apóstolo. Ele foi separado para uma obra específica que era condizente com seu chamado ministerial. No entanto, o chamado apenas ganhou forma dentro dele à medida que caminhava no que Deus o separou para fazer no momento. Paulo não foi enviado como apóstolo, posteriormente nas suas epístolas ele se nomeia apostolo.

“Paulo, apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos)” ( Gálatas 1.1)

Pessoas não são ordenadas para um dos cinco dons ministeriais. Podemos levantar pessoas para obras especificas, mas, quanto ao oficio que vão atuar, apenas Deus pode comunicar em seus corações.

Os sinais que acompanham o apostolado

Embora não exista nos dias de hoje apóstolos do Cordeiro ou apóstolos de fundação, como no caso de Paulo, e suas atuações demonstrem maior abrangência que os apóstolos que ocupam a quarta classe – não fundacionais (apóstolos atuais) é inegável que as mesmas ferramentas se manifestem; visto estarem ligadas ao dom ministerial (chamado). Dessa forma, podemos examinar a atuação dos doze apóstolos e de Paulo para entendermos o equipamento ministerial.

Faz parte do equipamento ministerial de um apóstolo a facilidade em implantar uma visão. Jesus ocupava a primeira classe de apóstolo, ele era o mensageiro enviado da parte do pai para implantar uma nova visão. Ele revelou a vontade de Deus para o mundo. O ministério do apóstolo, portanto, deve estar fundamentado na pessoa e na obra de Jesus.

Jesus estabeleceu uma nova doutrina, ele desbravou consigo um tempo totalmente novo. Não apenas para o povo Judeu, mas para toda a humanidade. 

O apóstolo, mesmo na quarta classe, vai atuar assim. Ele vai carregar em si a mensagem, a visão e, ainda que nada à sua volta seja favorável, ele vai empenhar a sua vida em implantá-la.

Podemos notar a mesma característica nos doze apóstolos do Cordeiro. Eles tinham uma visão e uma missão e empenharam suas vidas em cumpri-la.

“E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.

Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.

E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas;

Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão”. (Marcos 16.15-18)

“Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” (Atos 1.8)

O Apostolo Paulo, estabeleceu a visão de Deus para a Igreja deixando os marcos da doutrina bem fundamentada, insistiu em pregar para gentios quando havia resistência mesmo entre os apóstolos do Cordeiro, enfrentou o pensamento dos judaizantes (Atos 10.1-20, 15.1-31) e escreveu mesmo em prisões mais da metade do Novo Testamento esclarecendo por meio de cartas a visão de Deus para a Igreja.

O apóstolo da quarta classe é ungido para a partir do que Deus colocar em seu espírito estabelecer e fundamentar igrejas nos lugares mais improváveis e implantar nela a visão que Deus tem para aquela obra ou povo e o propósito de Deus será cumprido. Ele também será um protetor da doutrina para que a visão não seja perdida.

“Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor.

Mas, se alguém ignora isto, que ignore.

Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar, e não proibais falar línguas.

Mas faça-se tudo decentemente e com ordem. (I Coríntios 14.37-40)

 

“Mas, se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal, e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe.

Todavia não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão.

Ora, o mesmo Senhor da paz vos dê sempre paz de toda a maneira. O Senhor seja com todos vós.

Saudação da minha própria mão, de mim, Paulo, que é o sinal em todas as epístolas; assim escrevo” (II Tessalonicenses 3.14-17)

 

“Para que vos lembreis das palavras que primeiramente foram ditas pelos santos profetas, e do nosso mandamento, como apóstolos do Senhor e Salvador” ( II Pedro 3.2)

Estabelecimento de governos

Além de estabelecer igrejas e a visão, também é parte do oficio do apostolo o estabelecimento o governo da igreja. Ele vai estabelecer um líder local ou vai atuar no oficio pastoral até que um pastor seja levantado por Deus. Providenciará estrutura tanto hierárquica, quanto organizacional para que a igreja possa amadurecer com equilíbrio. Em sua primeira viagem missionária com Barnabé, no livro de Atos, podemos notar essa característica com clareza no ministério do apostolo Paulo.

“E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio e Antioquia,

Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus.

E, havendo-lhes, por comum consentimento, eleito anciãos em cada igreja, orando com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido” (Atos 14.21-23)

 

“E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas.

Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio.

Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra.

E este parecer contentou a toda a multidão, e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia;

E os apresentaram ante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos” (Atos 6.2-6)

Pioneirismo e fundamentação de igrejas

Um erro comum relacionado ao ministério do apóstolo é a confusão entre o pioneirismo e a fundamentação de igrejas, embora o apóstolo seja um desbravador sua atuação e equipamento espiritual se distinguir consideravelmente de um pioneiro. Não é por ser um pioneiro que necessariamente será um apóstolo. Um exemplo disso é o caso de Filipe em Samaria:

“E, descendo Filipe à cidade de Samaria lhes pregava a Cristo.

E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia;

Pois que os espíritos imundos saíam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados.

E havia grande alegria naquela cidade.”

E estava ali um certo homem, chamado Simão, que anteriormente exercera naquela cidade a arte mágica, e tinha iludido o povo de Samaria, dizendo que era uma grande personagem;

Ao qual todos atendiam, desde o menor até ao maior, dizendo: Este é a grande virtude de Deus.

E atendiam-no, porque já desde muito tempo os havia iludido com artes mágicas.

Mas, como cressem em Filipe, que lhes pregava acerca do reino de Deus, e do nome de Jesus Cristo, se batizavam, tanto homens como mulheres.

E creu até o próprio Simão; e, sendo batizado, ficou de contínuo com Filipe; e, vendo os sinais e as grandes maravilhas que se faziam, estava atônito.

Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João.

Os quais, tendo descido, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo

(Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido; mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus).

Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo. (Atos 8.5-17)

Note que Filipe foi o pioneiro em Samaria pregando o evangelho, sinais acompanharam seu chamado que despontava como um evangelista. Entretanto, o fato de iniciar algo em Samaria não o tornou um apóstolo. Hoje, podemos encontrar sinais em países, estados ou povoados onde o evangelho foi pregado, podemos encontrar igrejas estabelecidas, entretanto apenas o apóstolo tem as ferramentas para gerar uma visão que se estenderá não apenas a uma igreja local, mas para um povo.

Filipe pregou a palavra e muitas pessoas foram conduzidas a Cristo, entretanto quando os apóstolos ouviram que Samaria recebeu a palavra trataram logo de enviar para lá Pedro e João a fim de fundamentar a igreja.

O apóstolo tem ferramentas para além de gerar uma visão, fundamentar igrejas, cuidar de forma sobrenatural de pastores, profetas, evangelistas, mestres, no âmbito geral dentro da abrangência de sua autoridade apostólica. Faz parte de seu equipamento o estabelecer de forma sobrenatural líderes, e equipá-los por meio de treinamentos para o ministério.

1 COMENTÁRIO

  1. Parabéns a toda equioe da coordenação doutrinária pelo exelente trabalho que tem nis acrescentado ricamente. Artigo maravilhoso claro explicativo abrangente informações preciosas muito bem escrito Parabéns!

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