Alguns erros cometidos por brasileiros em campo estrangeiro

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por Sâmia Rocha

Estamos com aquela expectativa para chegar em um país novo, mas não para a mudança que isso causa! Mudamos por fora, mas, muitas vezes, não estamos adequando a “parte de dentro” com a realidade que está para ser vivenciada.

Lembro de que, certa vez, o Senhor falou comigo para morar em um determinado lugar que eu não queria de jeito nenhum, mas obedeci. Lembro de estar dentro do avião chegando no novo destino e começar a chorar porque não queria estar ali. Lembro de olhar para cima e dizer: “Senhor, que constem nos altos celestiais que eu lhe obedeci! ”. Na hora o Senhor falou de volta: “Não adianta você trazer o seu corpo se você não trouxer o seu coração junto também”.

Às vezes, vejo isso quando me deparo com brasileiros em outras nações: “por fora” estão na expectativa de morar ou conhecer um lugar novo, mas, “por dentro” não desenraizaram de coisas que não dizem mais respeito a sua nova realidade.

Lembro de quando cheguei aqui e comecei a mergulhar mais na cultura e no dia-a-dia do português vivi uma guerra baseada na teimosia de questionar que as coisas no Brasil faziam mais sentido do que aqui (me desculpem os “tugas” mas algumas coisas é mesmo assim), mas de outra forma, claro que não fazem sentido porque é outra cultura!

Na minha experiência aqui em Portugal eu tive que entender que não adianta se as palavras que falamos no português brasileiro fazem mais sentido do que no português de Portugal. Pelo fato de ter vindo morar aqui, eu tenho que me adaptar se eu quiser ter uma maior aceitação. E é dentro desses parâmetros que quero enfatizar porque alguns brasileiros não estão sendo bem sucedidos em nações estrangeiras.

Outra situação que vejo em relação a isso, que considero de muito conflito, é quando pessoas crentes chegam em Igrejas em outros países e querem encontrar o mesmo nível que havia no Brasil. Ora, se no Brasil de cidade para cidade existem diferenças, quanto mais de um país para outro?

As igrejas brasileiras estão muito “à frente” em alguns aspectos da realidade, falando de uma forma generalizada, pelo menos aqui da Europa. Por conta disso, não espere encontrar o mesmo tipo de estrutura, atividades e alguns departamentos que você pode ver por aí. E a questão não é não termos recursos tecnológicos ou visão. Na verdade, o que falta, muitas vezes, são pessoas com disponibilidade para ajudar a construir e pegar junto “nos pequenos começos”.

As pessoas querem encontrar o mesmo tipo de sistema, de “calor humano brasileiro”, de maneira de ser e fazer as coisas que eles tinham no Brasil e não é assim, principalmente se você não estiver em uma “igreja de brasileiros”, que é o que geralmente acontece. Brasileiros por não quererem passar pela adaptação do local, acabam se relacionando apenas com outros brasileiros e frequentando lugares brasileiros e aí a tão desejada ajuda que estamos crendo receber, por parte de quem já tem a Palavra, acaba ficando a desejar ficando limitada apenas em “guetos” brasileiros!

Acredito que uma das coisas importantes que um crente tem para fazer em território estrangeiro é ser luz onde existem trevas, ganhar e influenciar principalmente os “nacionais” com a Palavra.

Colocando à parte igrejas brasileiras que tem a visão de alcançar outros brasileiros, esse “comportamento” seria aceitável, mas apenas dentro do “contexto” de igreja, e não fora dela.

Outra questão que devemos entender é que como “visitantes” no país, temos a responsabilidade de ser bons exemplos no país no qual passamos a morar, respeitando as leis, sendo cumpridores delas para que possamos evitar algo que já existe de uma forma muito forte: o preconceito contra brasileiros. Parece algo contraditório já que brasileiro é festejado onde chega.

Em parte isso é verdade por causa da fama do futebol, da animação, etc, mas quando começam a conviver, muitas vezes a coisa muda de figura e isso eu não vi apenas aqui, mas também no Japão, Inglaterra e Estados Unidos que foram lugares por onde passei e pude comprovar, vendo e falando com os nativos de cada país.

A realidade aqui em Portugal em relação a brasileiros é, muitas vezes, complicada por causa do rastro de maus testemunhos que muitos brasileiros deixaram. Por exemplo: há mais de 10 anos vieram muitas brasileiras morar aqui e muitas delas dedicaram-se à prostituição causando a destruição de muitos casamentos para poderem obter a nacionalidade. Por conta disso, muitas brasileiras casadas com portugueses hoje em dia (como é o meu caso), enfrentam preconceitos por causa disso! A ponto da lei portuguesa ser mudada para proteger o português casado com uma estrangeira!

Fama de mal pagadores, de que para tudo têm um jeitinho e que já chegam nos lugares querendo ser vistos e se fazerem conhecidos são algumas coisas que dificultam a nossa entrada com o Evangelho aos “nativos”.

Precisamos entender que a liberdade que temos não deve ultrapassar a linha dos deveres e bons costumes de um povo, apenas por não ser agradável a nós ou por não entendermos!

Um nativo tradicional sempre defenderá suas regras e costumes e resistirá a alguém que , sem conhecer direito, já chega criticando, se isolando e já querendo mudar tudo.

Precisamos conquistar as pessoas e uma das melhores maneiras de fazer isso é mostrando para elas que somos confiáveis, que os respeitamos e que não estamos ali para menosprezar ou criticar o que eles são, ou a maneira como eles fazem as coisas.

Precisamos nos aculturar e conhecer os nossos limites como visitantes para podermos ser aceitos e inseridos como “amigos” ou até mesmo como “família”.

3 COMENTÁRIOS

  1. Sâmia Rocha ❤

    Suas Ministrações edificam a minha vida .
    Grata por sua vida,e informações desse lindo país Portugal que em breve colocarei os meus pés.

    Continue sendo Luz por onde passa🌎

  2. Obrigada Sâmia Rocha,

    Pelas belas palavras e informações desse país que declaro colocar em breve os pés ❤
    Sua ministrações edificam a minha vida.

    Seja luz por onde passar.

  3. É verdade, quando mudamos de uma cidade para outra ou de um país para outro temos que ir nos adaptando a nova mudança. Não devemos criticar as atitudes ou maneiras de pensar e agir dos que lá estão, temos sim que respeitá-los para que possamos ser respeitados também. Afirmo isso com convicção pois quando saí do Rio Grande do Norte para vir morar no Piauí tive que me adaptar aos costumes, valores e mudanças no novo Estado, porém sem deixar as minhas raízes de lado.

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