Identidade de Gênero: A Força do Querer?

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por Edílson de Lira

O mês de Abril começou com mais uma tentativa da Rede Globo de difundir, no horário nobre da TV aberta, os ensinos sobre a controversa “ideologia de gênero”. Antes mesmo, lançara uma série parcial e tendenciosa no Fantástico sobre os “transgêneros”. Parcial, porque não mostrou que esse assunto ainda é extremamente controverso, com dezenas de argumentos científicos a favor E CONTRA. Uma reportagem séria colocaria as opiniões opostas para debaterem, mas, de uma maneira tendenciosa, emocional e apelativa, quase doutrinadora, a série defendeu abertamente o que alguns entendem como manipulação abusiva da orientação sexual infantil.

Recentemente, a novela “A Força do Querer” (principal novela da Globo) protagonizou o conflito de uma jovem que “não se identifica como mulher” ao longo da adolescência, e que “se descobre transgênero”. A história também conta com um personagem travesti, que trabalha como motorista. Antes de relatar o que fui inspirado a escrever, quero fazer algumas ressalvas muito importantes, como pastor e médico que sou:

  1. Quero deixar claro que conheço os “riscos” de abordar um tema que gera inimigos e discussões emocionais na internet atualmente. Mas a responsabilidade de pastor de uma igreja, que é a “coluna e fundamento da verdade” (1Tm 3:15), fala mais alto. Estou disposto a pagar este preço.
  2. Deixo claro também que não sou “intolerante”, ou “homofóbico”. Conheço pessoas do meio LGBTQ+ (a cada dia e em cada lugar esse termo tem mudado) e respeito a vida pessoal delas. Devemos amar as pessoas independentemente de suas opções sexuais, mas tolerar ou respeitar é muito diferente de concordar com um comportamento.
  3. Não procuro com esse artigo gerar um “boicote em massa” ao programa A ou B. Apenas aproveitei a oportunidade para discutir o assunto. Porém, pessoalmente, procuro seguir a orientação de Salmos 101:1b-2: “Portas a dentro, em minha casa, terei coração sincero. Não porei coisa injusta diante dos meus olhos.” Cada um escolha o que quer ver na sua TV ou na internet. Eu já fiz minha escolha!

Vivemos em uma época na qual todo tipo de mudança é celebrada. Você facilmente se torna popular nas redes ao criticar tudo o que é hábito, tradição ou rotina. “Não importa se é útil, se é construtivo, ou se é saudável. Moderno é ser diferente. Se não mudar algo, então é chato e antiquado”. Porém, a palavra ‘rotina’ vem da expressão ROTA, que significa caminho, rumo, destino. Uma sociedade ou uma vida sem rotina não tem um destino certo, e é por isso que existem tradições que devem sim ser preservadas e enaltecidas em nossa sociedade. Mudar só por mudar é um estilo de vida insensato e negligente, e, por isso, devemos celebrar e ensinar as boas tradições que levaram nossa sociedade ao estágio em que vivemos hoje.

O sexo é uma questão biológica, XX ou XY, e sempre será. A sociedade nasceu da construção entre o relacionamento de homens com mulheres, pais e mães, e essa origem também nunca mudará. A reprodução é um dos fundamentos da existência humana, e sempre será feita entre sexos opostos. Ponto final. Não é uma “ditadura da sexualidade heteronormativa” (ou outro dos termos que você deve ouvir por aí…). É simplesmente como a vida é! Assim como a lei da gravidade não depende da minha opinião, as leis da natureza não dependem da opinião de um grupo ou de um “especialista”. Você pode não concordar, ou achar injusta, mas se pular de um edifício de 20 andares vai sofrer as consequências da gravidade, não importa qual seja o seu ponto de vista!

E o gênero? A palavra “Gênero” foi usada pela primeira vez para expressar uma diferença social e psicológica entre homens e mulheres em 1955, pelo psicólogo John Money (1921-2006). Poucos citam, porém, como a aplicação de seus princípios foi catastrófica na vida de seus “pacientes”, crianças que abusivamente foram tratadas como transgênero (procure na internet pelo documentário “Dr. Money e o Menino sem Pênis”, da BBC). Pesquisas recentes1 mostram que as taxas de suicídio são 20 vezes maiores entre adultos que fazem “mudança de sexo” de maneira hormonal ou cirúrgica do que em outros indivíduos. O hospital Johns Hopkins, um dos mais respeitados do mundo até mesmo na “Cirurgia de Redesignação Sexual”, afirmou que cerca de 62% dos transgêneros que fizeram cirurgia tentaram suicídio, por insatisfação com a cirurgia e não por preconceito social.

A propósito, o Colégio Americano de Pediatras (maior organização de Pediatria nos EUA e no mundo) trata de uma forma clara essa questão de gênero entre crianças e adolescentes. Segue tradução literal de seu parecer (veja na íntegra AQUI): “Quando um garoto biológico, saudável em outros aspectos, acredita que ele é uma menina, ou uma garota biológica, saudável em outros aspectos, acredita que ela é um menino, existe um problema psicológico objetivo que está na mente e não no corpo, e deve ser tratado como tal. Essas crianças sofrem de DISFORIA DE GÊNERO” (destaques feitos por mim).

De acordo com o DSM-V (maior referência mundial de diagnósticos e estatísticas de psiquiatria na atualidade), até 98% dos meninos e 88% das meninas com confusão de gênero irão aceitar bem seu sexo biológico após atravessarem a puberdade. Isso porque os hormônios sexuais influenciam o córtex frontal do cérebro quanto à opção sexual, e esse processo só se completa por volta dos 20 e pouco anos de idade! Esses dados levaram o Colégio Americano de Pediatras a considerar abusiva a divulgação da ideologia de gênero (pois muitas crianças e adolescentes que sofrem da disforia de gênero “mudam de ideia” depois da “mudança definitiva de sexo”, e são levados ao suicídio e outros distúrbios mentais, como a depressão).

Será que o gênero é apenas uma questão de “força do querer”? Será que estamos mesmo reprimindo uma multidão de adolescentes que querem mudar de gênero, ou estamos manipulando perversamente uma geração que ainda está descobrindo sua identidade sexual? A ideologia de gênero prega (usei a palavra certa mesmo, prega, pois não é 100% científica) que os pais, a família, a sociedade e a escola não deveriam impor a um menino que seja menino, ou à uma menina que seja menina, pois isso causaria “desigualdades injustas entre homem e mulher”. Como naturalmente os pais, família e sociedade rejeitaram essa ideia, agora apelam para a escola, em uma tentativa antidemocrática de reprogramar as crianças sobre o que é ser menino ou menina (a psicóloga Marisa Lobo discute AQUI um pouco da ideologia de gênero nas escolas).

A última vez que pesquisei, o aplicativo Facebook oferecia aos seus usuários 71 opções diferentes de gênero sexual! Essa “guerra de gêneros” se origina também do movimento feminista moderno, que começou nos anos 50 defendendo causas nobres, como o direito feminino do voto, da igualdade salarial e do acesso à educação, mas se radicalizou em “libertação da opressão da maternidade” (linha seguida por muitos defensores do aborto – veja mais AQUI), e na ideia de que o gênero é uma imposição social e cultural. Outra origem inquestionável é o Marxismo/Comunismo, que defendia que “a família tradicional não é uma consequência da biologia humana, mas um fruto da opressão social do homem sobre a mulher, causada pela acumulação de riqueza entre os primeiros povos agricultores”2 (mas entrar na política e ideologia de gênero seria um texto inteiro à parte).

A discussão de gênero não é apenas um resultado da “força do querer” individual. Ela protege (ou ameaça) a própria existência humana! Não é uma simples questão de opinião… Que me chamem de antiquado, ou de qualquer outro apelido pejorativo, mas a receita para uma vida, uma família e uma sociedade saudável está na tradicional descrição Daquele que desenhou o ser humano de maneira perfeita, amorosa e imutável: E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” Gênesis 1:27.

  1. Dhejne, C, et.al. “Long-Term Follow-Up of Transsexual Persons Undergoing Sex Reassignment Surgery: Cohort Study in Sweden.” PLoS ONE, 2011; 6(2). Affiliation: Department of Clinical Neuroscience, Division of Psychiatry, Karolinska Institutet, Stockholm, Sweden. Accessed 3.20.16 from http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0016885.

  2. Engels, Friedrich. “A origem da família, da propriedade privada e do Estado”.

4 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns doutor , que Deus o Rei da gloria continue derramando graça sobre graça em sua vida para o senhor sabiamente levar conhecimento para as pessoas , pois sem o mesmo elas não poderiam fazer suas escolhas .

  2. Excelente! Texto bem fundamentado em argumentos consistentes. Certamente uma ferramenta para munir jovens e líderes sobre o tema “identidade de gênero”. Aprofundemos o assunto para, diante das oportunidades, falarmos a verdade e desfazermos as mentiras do diabo.

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