Não transforme a graça em libertinagem!

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por Edilson de Lira 

Judas, irmão de Jesus Cristo, escreveu uma carta curta, dura e profunda. Embora desejasse ensinar sobre a salvação, percebeu uma necessidade mais urgente, que parece afligir também a igreja de nossos dias.

“…senti que era necessário escrever-lhes insistindo que batalhassem pela fé de uma vez por todas confiada aos santos. Pois certos homens, cuja condenação já estava sentenciada há muito tempo, infiltraram-se dissimuladamente no meio de vocês. Estes são ímpios, e transformam a graça de nosso Deus em libertinagem e negam Jesus Cristo, nosso único Soberano e Senhor” (Judas 3b-4).

Havia pessoas que se infiltravam na igreja e transformavam a maravilhosa mensagem da graça em libertinagem. Vejamos como esse destaque se encontra em outras versões:

“Pois alguns indivíduos perversos se infiltraram em seu meio sem serem notados, dizendo que a graça de Deus permite levar uma vida imoral” (NVT).

“O objetivo deles é substituir a graça pura do nosso Deus por pura libertinagem” (MSG).

A essa altura, alguns podem pensar: “Você vai escrever um texto contra a hiper-graça?” Não existe hiper-graça: a graça de Deus já é hiper por natureza! Ela é extrema e extravagante. Mas ela não nos dá liberdade para pecar. Na verdade, do ponto de vista comportamental, a dispensação da graça é bem mais dura que a dispensação da lei:

Na lei, não podíamos adulterar. Na graça, olhar com intenção impura já é adultério (Mateus 5.27-28).

Na lei, devemos amar nosso próximo e podemos odiar nosso inimigo. Na graça, somos obrigados a amar nosso inimigo e orar por quem nos persegue (Mateus 5.43-44).

A lei diz “não matarás”. Mas a graça diz que não devo sequer chamar alguém de tolo (Mateus 5.21-22).

A lei dizia para não jurar falsamente. Na graça, você não pode jurar (Mateus 5.33-37), pois tudo o que você fala tem que ser verdade, e o que passar disso vem do diabo!

A graça, então, exige muito mais que a lei. A diferença está no fato de a lei apenas acusar, e a graça nos capacitar a cumprir os requerimentos! Graça na Bíblia nunca significou liberdade para fazer o que quiser:

E então? Vamos pecar porque não estamos debaixo da Lei, mas debaixo da graça? De maneira nenhuma! Não sabem que, quando vocês se oferecem a alguém para lhe obedecer como escravos, tornam-se escravos daquele a quem obedecem: escravos do pecado que leva à morte, ou da obediência que leva à justiça?” (Romanos 6.15-16).

Somos escravos da justiça (Romanos 6.18), e o nosso Senhor é Jesus Cristo! O que é então “transformar a graça em libertinagem”? Libertinagem significa ausência de restrição, excesso, licenciosidade. Judas continua o tema, e ao estudar brevemente sua carta podemos perceber como ele lembra seus discípulos de histórias que vale à pena lembrarmos também:

Embora vocês já tenham conhecimento de tudo isso, quero lembrar-lhes que o Senhor libertou um povo do Egito mas, posteriormente, destruiu os que não creram” (Judas 5).

Até os anjos que quiseram viver de qualquer jeito, e não debaixo do senhorio de Deus, perderam sua posição eterna (Judas 6). E de forma semelhante, Sodoma e Gomorra se entregaram a uma vida imoral e estão sob o castigo do fogo eterno (Judas 7). Judas diz aos crentes que eles servem de exemplo! Como alguém pode ler esses exemplos e ainda achar que a salvação não se perde?

O versículo 8 mostra três características destes deturpadores da mensagem da graça. Todos apresentam, em maior ou menor grau, esses sintomas:

  1. Contaminam o próprio corpo: vivem de modo imoral, ou relativizam a promiscuidade. Pode começar em coisas aparentemente simples, como ouvir uma música imoral, a falar pornografia ou mesmo viver em franco pecado sexual.
  2. Rejeitam as autoridades: ou rejeitam a dominação. Elas mostram desde um desprezo interno às posições de autoridade, até uma rebelião aberta contra igrejas e pastores, como se fossem justiceiros solitários.
  3. Difamam os seres celestiais: Ou “ridicularização do que é sagrado” (MSG). Muitos zombam do sobrenatural, fazem piadas com o mover do Espírito, e chegam a perder qualquer temor pela glória de Deus. Esse sintoma pode começar com uma leve rejeição aos dons e demonstrações do Espírito.

Interessante também notar que Judas afirma que eles “difamam tudo o que não entendem”. Já percebeu como muitos deles vivem julgando e difamando pastores, igrejas e denominações inteiras, em assuntos que não conhecem na profundidade, mas justificam suas próprias atitudes pecaminosas com interpretações parciais das Escrituras? “Não julguem”, e “o importante é o amor”, são as favoritas.

Enquanto Judas 9 mostra que nem mesmo o arcanjo Miguel ousou usar uma palavra injuriosa contra o próprio diabo, tem “crentes” que se sentem no direito de difamar publicamente nas redes sociais pastores e autoridades religiosas que eles nem conhecem pessoalmente, e ainda a respeito de assuntos que eles não dominam.

A mensagem de Judas é clara: “Ai deles!” (Judas 11). Esses deturpadores da graça terminam em três finais clássicos. E vale à pena estudar cada uma dessas histórias:

  1. Seguem o caminho de Caim: Caim se irritou com Abel (Gênesis 4), porque seu irmão honrava o Senhor nos detalhes da oferta. E ao invés de proceder corretamente, para ser aceito por Deus, decidiu viver sem protocolos, seguir seus instintos, e acabou cometendo o grave pecado de homicídio, marcando a sua vida para sempre.
  2. Caem no erro de Balaão: o profeta Balaão (Números 22), movido por motivações erradas (2 Pedro 2.15), “colocou tropeços para o povo” (Apocalipse 2.14), levando-os a pecar na idolatria e a se prostituir. Quantos pregadores de hoje, movidos pela popularidade, não ensinam uma graça deturpada não convencem hoje multidões a seguirem uma vida de imoralidade, colocando pedras de tropeço sobre seus ouvintes?
  3. São destruídos na rebelião de Corá: Corá levou seu desrespeito às autoridades ao extremo (Números 16), fazendo uma rebelião aberta contra Moisés, e seu argumento foi muito semelhante aos argumentos dos deturpadores da graça em nossos dias: “Toda a congregação é santa!” (Números 16.3). Parecia um discurso justo e digno, e é uma mensagem que agrega os insatisfeitos com uma liderança: “porque temos que nos sujeitar a essa pessoa, se todos somos santos?”. Mas Deus julgou a irreverência e rebeldia, e o final foi de morte. 

São esses os finais mais comuns dos deturpadores da graça: (1) são marcados por um grave pecado, (2) se tornam enganadores que derrubam muitos crentes ingênuos, ou (3) entram em rebeldia aberta contra lideranças em igrejas e sofrem consequências terríveis em suas vidas. Decida hoje fugir desses caminhos! 

Eles são rochas submersas (Judas 12): Como os icebergs que fazem os navios despercebidos naufragarem, eles fazem irmãos ingênuos naufragarem na fé. Nuvens sem água, gerando aparência de divino, mas sem nada do alto para derramar. Judas 19 mostra que são pessoas que causam divisões nas igrejas, seguem apenas a tendência da própria alma, e não têm o Espírito. Esse é o fim deles, mas o caminho pode ser revertido!

Devemos nos fortalecer orando no Espírito (Judas 20), mantendo-se no amor (Judas 21) e usando de misericórdia com eles (Judas 21), mas sem se contaminar com suas ideias, odiando até mesmo a roupa suja de pecado (Judas 23). A mensagem é clara, e continua atual: não brinque com o pecado!

Resumindo, porque “transformar a graça de Deus em libertinagem” é negar o Senhorio de Jesus (Judas 4)? É que esse ensino aceita apenas uma parte da obra de Cristo, a salvação. Mas nega o Senhorio de Jesus, limitando Cristo a um amuleto ou álibi pra viver a vida sem nenhum compromisso ou sem ser discipulado. Aceitam a cruz que Jesus carregou, mas rejeitam a cruz que Jesus mandou carregar.

Mais do que nunca, precisamos nos levantar para “batalhar pela fé que um vez foi dada aos santos” (Judas 3). Jesus é o meu Salvador, mas nunca deixará de ser o meu Senhor!

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