Deus constitui equipes

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por Thiago Garcia 

A igreja é uma família e o plano de Deus se desenvolve de uma forma coletiva. Ministério não é lugar de isolamento e individualismo ou solidão e a própria Palavra afirma que Deus faz com que o solitário habite em família, mas aquele que vive isolado busca seus interesses, como está escrito em Provérbios 18.1: “O solitário busca o seu próprio interesse e insurge-se contra a verdadeira sabedoria”.

O apóstolo Paulo também trata a igreja como corpo de Cristo e enfatiza em suas cartas sobre a importância deste entendimento, conforme a carta de II Coríntios 12.27: “Ora, vós sois corpo de Cristo; e individualmente, membros desse corpo”. 

Um exemplo que pode ser citado é sobre a função do braço em que ele só se torna útil quando está conectado ao corpo, quando o mesmo é cortado, se torna apenas objeto de estudo para cursos de medicina. Isso mostra claramente que todo membro que estiver desconectado do corpo de Cristo perde sua função original, pois a palavra membro já pressupõe que faz parte de um corpo, um todo.

Assim é o corpo de Cristo, os membros só existem e cumprem sua função de estiverem dentro deste contexto planejado por Deus e que Ele mesmo plantou cada um, de forma específica, para viver em família.

O apóstolo Paulo também compara o filho de Deus como parte de um grande edifício, no qual nessa construção há níveis de complexidade de materiais. Há tijolos, ferros, tubulações, revestimentos e outros materiais especiais que compõem uma construção.  

Há outro exemplo que a Bíblia fala: a lavoura. Isso traz o entendimento que lavoura não corresponde a um pé de milho isolado, mas uma plantação em que há vários tipos de sementes e a igreja é comparada a esse conjunto.

O ato de exercer o ministério já pressupõe pessoas!

No livro de Efésios 4.11 o apóstolo Paulo fala sobre os diferentes dons que foram concedidos ao corpo de Cristo e que eles não têm sua função em si de forma isolada, mas sempre envolvem pessoas.

Se alguém é pastor, o pastoreio é sobre quem? Pessoas! Não existe a unção e o dom para exercer o pastoreio se não houver alguém para apascentar e cuidar. 

Se outra pessoa foi chamada para ser apóstolo, foi enviado para quem? Pessoas!

Ou mesmo outro pode dizer: “Sou profeta, boca de Deus”. Falando para quem? Pessoas!

Alguém pode ser chamado para ser evangelista e este alcança quem? Pessoas!

Até mesmo o ofício do mestre, por mais que, em alguns momentos, precisa se isolar para estudar os detalhes da Palavra, necessariamente ele deve ensinar a alguém, caso contrário, não faz sentido o seu chamado. 

O ministério sempre diz respeito a pessoas e, portanto, não há como exercer o serviço no reino de Deus de forma isolada, conforme afirma o livro de Atos 6 quando afirma sobre a instituição do serviço no diaconato e como foram eleitos homens de fé e cheios da graça de Deus para abençoar pessoas e propagar o evangelho. 

O autor Tony Cooke assegura em um de seus livros com o título: “Seu lugar no time dos sonhos de Deus“, algo interessante na página 19: “Quando Deus quer fazer algo na terra, Ele sempre começa com o líder, esse líder tem uma atribuição dada por Deus, mas não consegue realizá-la sozinho. Até mesmo o melhor líder sabe que precisa construir uma equipe para ajudá-lo a realizar os desejos e o plano de Deus. Porém, essa equipe precisa ter as qualificações adequadas, embora Deus sempre comece sua obra com um líder, parece que Ele sempre se empenha em terminar a obra por meio de uma equipe”.

Deus sempre começa uma visão com o líder, e isso pode ser percebido através da vida de Moisés que trabalhou em parceria com Arão e Miriã. Davi e seus valentes; Paulo que trabalhou com Barnabé, Lucas, Timóteo, Tito e outros parceiros ministeriais e o próprio Jesus. Todos estes líderes levantaram uma equipe e se o próprio Jesus construiu uma equipe e treinou, aquele que pensa que não precisa está agindo de forma pretensiosa.

A lembrança também do Ap. Bud, mostra que quando ele começou a trabalhar em equipe a visão começou a correr velozmente e de forma efetiva, espalhando-se para vários lugares do Brasil e anos depois tem alcançado outras nações.

Atualmente, o Ap. Guto tem estabelecido equipes para ser auxílio no ministério e isso mostra que nada é feito de forma isolada, sendo a “estrela”.

Mas, como se constrói uma equipe que irá correr com a visão? Tendo a consciência de que todos fazem parte dela e que não há estrelas, e sim uma constelação, como afirmava o Ap. Bud, e cada um entende seu papel na equipe. 

Como você líder está construindo essa equipe? Em um contexto de igreja, todos estão inseridos em uma equipe, seja liderando ou sendo liderado e todos estão servindo de alguma forma. 

O líder e sua equipe exercem um tipo de influência e por isso é tão importante atentar para a forma que essa equipe está sendo construída. Com base nisso, pode-se examinar os reis de Israel. Saul, o primeiro rei, é lembrado pela formação do reino e da nação de Israel, infelizmente, também é lembrado pelo coração cheio de orgulho e que não deu atenção à instrução de Deus. Logo após, a sucessão foi feita pelo rei Davi, lembrado por ter matado o gigante Golias e ser um homem segundo o coração de Deus que venceu muitas batalhas e consolidou o reino de Israel.

Já o rei Salomão foi lembrado por ser um homem sábio, que construiu muito em Israel em um tempo de paz e que foi referência na época, entretanto, finalizou sua jornada na terra como um rei pagão, que se corrompeu ao longo dos anos e adorou outros deuses. Após 40 anos do seu reinado Salomão morreu, sucedendo-o o seu filho Roboão  (I Reis 11.43), Roboão assumiu e foi o quarto rei de Israel. Ele não ouviu as queixas do povo que estava sobrecarregado com trabalhos forçados e impostos (I Reis 12.4-16).

O rei ouviu alguns conselhos, contudo sua decisão de não aliviar as cargas acabou dividindo o reino de Israel. Ele conviveu com essa divisão porque rejeitou o conselho sábio dos idosos e acolheu a opinião dos jovens que haviam crescido com ele e serviam a ele. E isso não tem apenas relação com a idade (Jó 32.8,9), e sim com agregar pessoas e perspectivas diferentes, que falaram não apenas o que ele queria ouvir, e não o que ele precisava. Roboão se limitou a ouvir pessoas que tinham o mesmo pensamento de vida que ele, todavia perspectivas diferentes poderiam ter trazido ao seu reinado uma visão mais ampla e produtiva. Roboão ouviu apenas pessoas que dependiam dele e que queriam algo dele e isso mostra que pessoas que pensam apenas de forma igual, nem sempre irão contribuir para resolver os mais diversos problemas que, eventualmente, podem acontecer no ministério. 

Ter pessoas na equipe com perspectivas diferentes e dispostas a dizer a verdade, sem ter nada a ganhar ou perder, farão com que o crescimento seja constante e para isso existe uma forma certa para discordar.

O livro de II Reis 5.13 narra a história de Naamã e que muitas vezes o ato de discordar precisará ter uma certa forma de afeto, proximidade e simplicidade para que o outro compreenda aquilo que precisa melhorar. 

Fazer perguntas, por exemplo, pode ser uma das ferramentas para discordar e permitir que a equipe ou a pessoa envolvida pense melhor a respeito de algo. No capítulo 29 do livro “Qualificados” de Tony Cooke, fala sobre a discordância redentiva, que mesmo não sendo confortável, vai trazer crescimento. Discordar de forma correta, mas executar com lealdade como se fosse seu próprio pensamento. 

As decisões de Roboão não afetaram somente o seu tempo de reinado, mas dividiram futuras gerações, sendo essa uma das razões para a antipatia entre samaritanos e judeus.

Um reino dividido é um reino enfraquecido e vulnerável e, se o líder não atentar para a importância de construir boas equipes de forma diversificada e da maneira de Deus, poderá sofrer as consequências de uma equipe que foi construída apenas segundo seus próprios requisitos.

*Trechos da mensagem em 17 de setembro de 2020 na Conferência de Ministros On-line – Segunda Edição

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