Lições de reis passados

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por Tony Cooke

Algum tempo atrás, eu estava lendo sobre os diversos reis que passaram pelo Antigo Testamento e me deparei com a seguinte descrição que me deixou espantado! 

“Jeorão tinha trinta e dois anos de idade quando se tornou rei de Judá. Ele governou em Jerusalém oito anos. Quando morreu, ninguém sentiu falta dele; ele foi sepultado na Cidade de Davi, mas não nos túmulos dos reis” (II Crônicas 21.20  – NTLH).

Aqui também diz que ele “foi sepultado na Cidade de Davi, mas não nos túmulos dos reis”. Quando li isso, fiquei impressionado com a tristeza de se viver uma vida sendo uma pessoa tão desagradável a ponto de ninguém sentir falta ao morrer. Que trágico!

O Antigo Testamento certamente contém um conteúdo histórico, mas é muito mais do que isso. Ele contém lições poderosas e exemplos que podem ser aplicados a nós atualmente. O apóstolo Paulo transmitiu um propósito essencial do Antigo Testamento quando declarou: “Tudo isso aconteceu com os nossos antepassados a fim de servir de exemplo para os outros, e aquelas coisas foram escritas a fim de servirem de aviso para nós. Pois estamos vivendo no fim dos tempos. Portanto, aquele que pensa que está de pé é melhor ter cuidado para não cair” (I Coríntios 10.11-12 – NTLH). A versão A Mensagem traz uma escrita ainda mais gráfica: 

“Esses incidentes são sinais de alerta da nossa história, escritos para que não venhamos a repetir os erros deles. Historicamente, vivemos situações semelhantes – eles no início e nós no fim – e podemos confundir tudo, assim como eles. Não sejam tão ingênuos e autoconfiantes. Vocês não são diferentes. Podem fracassar tão facilmente como qualquer um. Nada de confiar em vocês mesmos. Isso é inútil. Mantenham a confiança em Deus.”    

Em outras palavras, é vital que estudemos as lições do Antigo Testamento e encontremos as aplicações pessoais apropriadas que Deus colocou para nós. Eu entendo perfeitamente que vivemos debaixo de um Novo Testamento; entretanto, o Antigo Testamento continua importante para nós. Quando Paulo disse: “Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça” (II Timóteo 3.16), sem dúvidas, ele estava se referindo ao que denominamos Antigo Testamento. De acordo com estudos, há 855 referências ao Antigo Testamento no Novo Testamento e há 2.309 alusões e paralelismos relacionados ao Antigo Testamento, no Novo Testamento. Com isso em mente, quero aprender tudo o que posso de toda a Palavra de Deus.         

Se você fizer um apanhado geral dos reis de Israel e Judá, uma das primeiras coisas que você verá é que os bons reis sempre abordavam a questão da idolatria (alguns mais detalhadamente do que outros). Ao mesmo tempo, os reis considerados maus deixavam que a idolatria persistisse. Devemos garantir que Deus seja sempre o primeiro lugar e tenha preeminência em todos os aspectos de nossas vidas. Podemos talvez pensar que a idolatria já não exista mais na era moderna, afinal, não conhecemos ninguém que tenha estátuas de Baal ou Moloque. Entretanto, a idolatria ainda existe escancaradamente na vida de muitos.      

O Apóstolo João escreveu, “Filhinhos, mantenham-se longe dos ídolos (falsos deuses) [de qualquer coisa ou de tudo que possa ocupar o lugar de Deus no seu coração, de qualquer tipo de substituto para Ele que tome o primeiro lugar de sua vida]” (I João 5.21 – AMP). Paulo inclusive nos admoesta que, “a cobiça é um tipo de idolatria” (Efésios 5.5 – NTLH). Martin Luther afirmou com perspicácia: “Tudo que seu coração se apega e confia, esse é realmente o seu Deus”. Uma das declarações mais poderosas que eu já li sobre a idolatria dos dias modernos vem de Tim Keller

“Tudo que você procura mais do que Cristo em busca de aceitação, alegria, significância, esperança e segurança é, por definição, o seu ‘deus’, aquilo que você adora e serve com todo a sua vida e coração. Se você tenta alcançar seu senso de si mesmo por meio de uma performance (da forma como algumas vezes eu fiz com o meu trabalho e ministério), então, você está colocando algo no lugar de Cristo como Salvador. Isso é um ídolo por definição. O indício de idolatria é sempre uma ansiedade desmedida, uma raiva descontrolada e um desânimo desordenado. Ídolos são coisas boas (família, realização, trabalho, carreira, romance, talento, etc.) que transformamos em objetivos finais, a fim de obter a significância e a alegria que necessitamos. Então, tais coisas nos levam ao chão, pois nos sentimos na obrigação de possui-las. Se perdemos algo bom, ficamos tristes. Se perdemos um ídolo, isso nos devasta.”

Se eu quero evitar o que trouxe abaixo tantos reis, se eu quero tirar lições vitais de suas histórias de vida, então, eu preciso guardar meu coração da idolatria.

Porém, há outras lições importantes a serem aprendidas com os reis. Vamos examinar algumas delas: 

Com o Rei Saul, aprendemos que devemos administrar; tanto o espiritual como o natural:

Pode parecer que estou ignorando algumas lições escancaradamente óbvias de Saul – sua presunção e desobediência, sua arrogância e sua insegurança e ciúme profundo de Davi. Todos esses são fatores que levaram a sua queda. Todos esses fatores merecem atenção e análise, mas quero focar em outra lição: o conselho prático que Samuel forneceu a Saul quando ele assumiu o reino. Considere:   

“Neste momento, o Espírito do SENHOR tomará pleno controle de ti, e terás manifestações proféticas com eles; e serás transformado em outro homem (isso é transformacional). Quando estes sinais te vierem, faze o que achar a tua mão para fazer, pois Deus é contigo (isso é prático)” (I Samuel 10:6-7 – KJA).

O verso 6 descreve uma experiência espiritual dinâmica e poderosa. O verso 7 descreve uma sabedoria prática.  Esses dois versos foram feitos para serem complementares e não contraditórios.  

Um ministério eficaz se encontra no equilíbrio certo entre os versos 6 e 7. Sem o verso 6, temos uma mente tão terrena que nos esquecemos do espiritual. Sem o verso 7, estamos tão guiados pelo divino que nos esquecemos do terreno. 

Com o Rei Davi, aprendemos que devemos manter nossos corações no jogo:

Há dezenas e dezenas de lições a serem aprendidas com a vida de Davi, mas uma das mais importantes se encontra em Segunda Samuel. 

“Tendo decorrido um ano, no tempo em que os reis saem à guerra, Davi enviou Joabe, e com ele os seus servos e todo o Israel; e eles destruíram os amonitas, e sitiaram a Rabá. Porém Davi ficou em Jerusalém. Ora, aconteceu que, numa tarde, Davi se levantou do seu leito e se pôs a passear no terraço da casa real; e do terraço viu uma mulher que se estava lavando; e era esta mulher mui formosa à vista” (2 Samuel 11.1-2).

Você notou? Essa era a época do ano em que os reis iam para guerra, mas Davi permaneceu em Jerusalém. Onde estava o coração de Davi? Onde estava o seu foco? Tendemos a enfatizar o adultério de Davi com Betsabá, mas, antes de Davi cometer um pecado de comissão, houve um pecado de omissão. Ele acabou fazendo a coisa errada pois ele não estava ocupado fazendo a coisa certa. Devemos manter nossos corações no jogo!   

Com o Rei Salomão, aprendemos que dizer “não” é vital:

Por mais que apreciemos a sabedoria que Salomão compartilhou no livro de Provérbios, é importante reconhecer que ele nem sempre viveu conforme tal sabedoria. Uma das fraquezas de Salomão estava na sua inabilidade de demonstrar controle próprio e moderação. Ele escreveu: “E tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei, nem privei o meu coração da alegria alguma” (Eclesiastes 2.10).    

A autoindulgência de Salomão o levou a violar muitas instruções dadas em Deuteronômio 17.16-20 para reis e os dias finais da vida de Salomão foram vividos em escancarada e miserável desobediência a Deus (I Reis 11.1-10). Tristemente, uma das últimas declarações feitas sobre Salomão é a seguinte:     

“O Senhor, o Deus de Israel, havia aparecido a Salomão duas vezes e lhe havia ordenado que não adorasse deuses estrangeiros. Mesmo assim, Salomão não obedeceu ao Senhor, mas afastou-se dele. Por isso, o Senhor ficou muito irado com Salomão” (1 Reis 11.9-10 – NTLH).

Eu não compartilho essas histórias de Davi e Salomão para jogar pedras neles ou para meramente ressaltar o lado negativo de seus reinados. Nós não devemos nos esquecer das características positivas também. No entanto, lembre-se que tais registros foram “escritos para que não venhamos a repetir os erros deles” (I Coríntios 10.11 – MSG).

Queremos viver nossas vidas pra valer e queremos deixar um impacto, um legado positivo. Certamente, não queremos seguir o exemplo de Jeorão de que ninguém estava triste quando ele morreu (II Crônicas 21.20). Vamos viver uma vida repleta de graça e de obediência, a fim de que nossos legados sejam somente bênçãos.  

 

 

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