O Amor de Deus e o Bandolim de uma Pequena Garota

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por Tony Cooke

God's Love and a Little Girl's MandolinÉ vital não nos esquecermos da importância de uma alma, de uma pessoa. Somos encorajados a pensar grande, a sonhar grande e a planejar grande. Queremos ver o amor de Deus e Sua mensagem se expandindo até os confins da Terra, a incontáveis multidões. Amamos aquela palavra que começa com m: multiplicação. Tudo isso é muito bom, mas não é bom se, no processo, nos esquecermos do valor de cada indivíduo, de cada pessoa.

Todos temos diferentes chamados e dons, e cada um deles deve ser apreciado e valorizado. Eu me lembro de ouvir um famoso ministro honrando sua esposa, reconhecendo que ela era muito melhor em relacionamento pessoal do que ele. Apreciei sua humildade e sinceridade em exaltar as importantes contribuições de sua esposa. No entanto, algo nocivo acontece se o relacionamento pessoal, o ministério individual for desvalorizado. Se um ministro ama as multidões, mas é desdenhoso em relação aos indivíduos, algo muito diferente de Cristo está acontecendo. Considere a perspectiva de Jesus sobre isso:

“Vede, não desprezeis a QUALQUER destes pequeninos; porque eu vos afirmo que os seus anjos nos céus veem incessantemente a face de meu Pai celeste. Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas, e UMA delas se extraviar, não deixará ele nos montes as noventa e nove, indo procurar A QUE se extraviou? E, se porventura a encontra, em verdade vos digo que maior prazer sentirá por causa desta do que pelas noventa e nove que não se extraviaram. Assim, pois, não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça UM SÓ destes pequeninos” (Mateus 18.10, 12-14 (ARA)).

Jesus não somente ensinou sobre o valor de cada indivíduo, mas demonstrou isso por meio de suas ações. Considere as vezes em que o Salvador conheceu e interagiu com indivíduos distintos. Aqui estão apenas alguns exemplos:

  • Nicodemos (João 3)
  • A mulher de Samaria (João 4)
  • A mulher adúltera (João 8)
  • O jovem rico (Mateus 19)
  • Zaqueu (Lucas 19)

Em uma época em que igrejas enormes com inúmeros campi recebem muita atenção, é importante sempre nos lembrar que Deus não se importa apenas com números, estatísticas e multidões de pessoas; Ele se importa com indivíduos.

Com isso em mente, eu quero elogiar um amigo meu, Phil Edwards, que pastoreia uma região rural na Carolina do Norte. Não é uma área intensamente povoada e seu prédio vermelho é a única estrutura que você vê por um bom tempo naquele trecho da estrada. Pastor Phil conhece todos os membros de sua igreja pelo nome, e, quando eu estive com ele, parecia que conhecia praticamente todos de sua comunidade. Eles também o conhecem e claramente o admiram e apreciam. Eu acho que eles o respeitam pelo fato de saberem que ele genuinamente se importa com cada um.

Da última vez em que eu estive em sua igreja, ele havia acabado de receber notícias de uma jovem que havia congregado em sua igreja anos atrás. Mary havia congregado na igreja do Pastor Phil por alguns anos a partir da época em que ela tinha seis anos de idade. Mary veio de uma criação difícil. Seus pais eram alcoólatras, e sua avó era alcoólatra e viciada em drogas, mas acabou cuidando de Mary por um tempo.

Beverly, esposa do pastor Phil, ensina na escola dominical e foi professora de Mary. Como forma de tornar sua vida mais fácil, sua avó colocou Mary e seu irmão sob pesada medicação para déficit de atenção. Como resultado, Mary nem sempre estava alerta na aula. Não somente isso, a avó também acordava os dois no meio da noite para mandar que limpassem a casa. Sei que isso não faz sentido, mas essa foi a criação de Mary.

A irmã do Pastor Phil, Pam, dirigia um ônibus todo domingo, buscando crianças e as levando para a igreja. Ela passou a buscar Mary e a igreja se tornou um local em que ela poderia ser livre e se divertir. Ela adorava ir à frente da igreja no momento do louvor, para dançar e rodopiar. Ela aprendeu sobre o amor de Deus por ela e começou a escrever músicas sobre seu Pai celestial. A igreja era o ponto alto de sua semana, e o amor que ela recebia dos demais membros impactou sua vida.

Reconhecendo o amor de Mary pela música, sua avó comprou um bandolim para ela. A avó possuía um bom coração e boas intenções, mas, em um momento ruim, ela, mais tarde, penhorou o bandolim e usou o dinheiro para comprar álcool. Não muito tempo após esse incidente, as autoridades realocaram Mary para outra parte do estado, para viver com outros familiares. Pastor Phil e Beverly, eventualmente, perderam o contato com ela, mas, assim que ele soube a respeito da venda do bandolim, foi para a loja de penhores e o comprou. Ele o guardou por muitos anos, na esperança de se reconectar algum dia com Mary.

Fiquei comovido com essa história, mas você ainda não ouviu a melhor parte. No final do ano passado (2018), Mary, agora adulta, encontrou o Pastor Phil e Beverly, por meio das redes sociais, e entrou em contato com eles. Ela nunca se esqueceu do cuidado e do amor que ela encontrou naquela igreja. Ela ainda se lembrava da liberdade que sentia naquele prédio vermelho. Imagine seu deleite quando ela descobriu que também não havia sido esquecida; você, certamente, quase pode sentir sua alegre surpresa quando descobriu que o Pastor Phil havia guardado aquele bandolim por todos aqueles anos. Receber aquele bandolim não era apenas uma tangível expressão do amor do pastor e de sua esposa, mas também do amor de Cristo por ela.

Os pastores de hoje em dia possuem inúmeras responsabilidades; no entanto, quando ouvi essa história, algo em meu coração dizia, “Isso é pastoreio!” Não quero desmerecer nenhum outro aspecto do pastoreio. Pregar é importante. Administrar é importante. O treinamento de líderes é importante. Porém, o que qualquer um de nós pode fazer de mais importante do que amar pessoas, sendo atenciosos e nos conectando com pessoas em seus níveis de necessidades mais profundos?

Eu amo o conselho de Paulo em Romanos 12.9“O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegando-vos ao bem”. Ele precede dizendo, “em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos” (Romanos 12.16, ARA). Na versão NVI, diz, “Não sejam orgulhosos, mas estejam dispostos a associar-se a pessoas de posição inferior. Não sejam sábios aos seus próprios olhos”.

Eu aprecio quando líderes espirituais não se associam apenas a pessoas de alto escalão; Jesus nunca quis que desconsiderássemos aqueles que a sociedade considera ser “o menor deles”.

O apóstolo Tiago também abordou sobre isso quando ele alertou sobre o perigo de tratarmos alguns de forma melhor do que outros com base em riqueza e posição social (Tiago 2.1):

(KJA) “Caros irmãos, como crentes em nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, não façais acepção de pessoas, tratando-as com preconceito ou parcialidade”.

(NVI) “Meus irmãos, como crentes em nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, não façam diferença entre as pessoas, tratando-as com parcialidade”.

(NTLH) “Meus irmãos, vocês que creem no nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, nunca tratem as pessoas de modo diferente por causa da aparência delas”.

(ARA) “Meus irmãos, não tenhais a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas”.

Enquanto eu estava contemplando o que Tiago disse a respeito de tratar as pessoas igualmente, independente de status e riqueza, lembrei de algo que “Querida Abby” (Abigail van Buren) disse a respeito disso. Ela disse, “O melhor indicativo para o caráter de alguém é (a) como ela trata outros que não podem oferecer nenhuma vantagem a ela, e (b) como ela trata outros que não podem revidar”. Há muita sabedoria nessa observação.

“Gentileza torna uma pessoa atraente. Se você ganhar o mundo, derreta-o; não o martele”

Alexander MacLaren, um notável estudioso da Bíblia, observou, “Gentileza torna uma pessoa atraente. Se você ganhar o mundo, derreta-o; não o martele”. Também comentando a respeito de gentileza, Frederick Faber falou, “Gentileza já converteu mais pecadores do que a eloquência e o ensino”. O potencial da gentileza e do cuidado em impactar e transformar vidas não pode ser subestimado.

Em adição à declaração que Jesus faz em Mateus 18 (referenciado acima), aqui, vão algumas outras passagens que nos relembram do grande valor do amor e do cuidado por pessoas, não nos mantendo distantes daquilo que Deus nos comissionou ministrar:

“Como pastor, apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos e os levará no seio; as que amamentam ele guiará mansamente” (Isaías 40.11 (ARA)).

“Ainda tinha muitas coisas que vos escrever; não quis fazê-lo com papel e tinta, pois espero ir ter convosco, e conversaremos de viva voz, para que a nossa alegria seja completa” (II João 1.12 (ARA)).

“Ele chama pelo nome as suas próprias ovelhas e as conduz para fora. Depois de fazer sair todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem, porque lhe reconhecem a voz. Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim” (João 10.3-4, 11, 14 (ARA)).

“Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol da vossa alma. Se mais vos amo, serei menos amado?” (II Coríntios 12.15 (ARA))

“Nos tornamos carinhosos entre vós, qual ama que acaricia os próprios filhos. Assim, querendo-vos muito, estávamos prontos a oferecer-vos não somente o evangelho de Deus, mas, igualmente, a própria vida. E sabeis, ainda, de que maneira, como pai a seus filhos, a cada um de vós, exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes de modo digno de Deus” (I Tessalonicenses 2.7-8, 11-12 (ARA))

Como cristãos, temos uma tarefa. Devemos nos lembrar que essa tarefa é sobre pessoas. Talvez, ao invés de orar, “Deus, me ajude a alcançar o mundo”, devêssemos dizer, “Deus, me ajude a amar alguém, hoje, que realmente necessite de Seu amor”. Não sou contra a ideia de alcançar o mundo; somente acho que seremos mais eficientes se o fizermos alcançando uma pessoa de cada vez com amor, gentileza, compaixão e cuidado. Agradeço a Deus por pastores como Phil Edwards, e também por inúmeros cristãos que têm assimilado tais princípios em seus corações e os praticado. Eles estão transformando o mundo, uma pessoa de cada vez.

Traduzido por Gabriella Kashiwakura          

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