O tipo de pessoa que Deus usa

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por Tony Cooke

Estamos vivendo dias incríveis. Há mais pessoas vivas no planeta do que em qualquer outro momento da história, e o potencial da Igreja nunca foi tão grande, para impactar um mundo que está suspirando, chorando e morrendo com uma mensagem vivificante e um poder transformador. Mas as igrejas estão prontas? Os trabalhadores pelos quais Jesus orou estão equipados e com energia, ou os crentes mal se aguentam, tentando meramente sobreviver?

Isso nos leva à pergunta: “Quem Deus usa?”. Sabemos que Deus fez a pergunta a Isaías: “Quem enviarei? Quem irá por nós?”. E sabemos a resposta direta e sincera de Isaías: “Eis-me aqui! Envia-me” (Isaías 6.8). Quantos estão respondendo a Deus, hoje, com tal entusiasmo? Não estou me referindo, simplesmente, a quem se tornará um pregador ou missionário, mas quantos – independentemente de uma chamada para o ministério em tempo integral ou não – estão se entregando totalmente a Deus? Quantos estão totalmente rendidos para servir a Deus, seja em sua igreja local, no mercado de trabalho ou em outro lugar?

Ao longo dos anos, tenho visto uma espécie de progressão nos tipos de pessoas que se colocam em um lugar onde podem ser usadas por Deus. Embora, certamente, haja outros fatores envolvidos, deixe-me mostrar cinco componentes muito importantes que as pessoas adotam para aumentar sua utilidade na obra do reino.

1 – Disposição

Os dispostos são aqueles que apresentam suas próprias vidas com um “sim” irrestrito ao Senhor. Deus não é um ladrão e não vai tirar de nós o que não oferecemos voluntariamente. Ele não força as pessoas a servi-Lo contra a vontade delas. Deus implorará e nos influenciará, mas não violará nosso livre arbítrio.

É por isso que períodos de consagração são importantes; aqueles momentos em que nós (como Jesus) dizemos: “…não seja feita a minha vontade, mas a tua” (Lucas 22.42). Anos atrás, era comum ouvir pessoas orando fervorosamente no altar e dizendo: “Deus, irei onde queres que eu vá. Eu farei o que queres que eu faça. Eu direi o que queres que eu diga”.

Às vezes, as pessoas lutam com a questão da disposição, porque percebem que parte de seu ser não quer se render inteiramente a Deus. Alguns então se sentem culpados e se afastam d’Ele. Se você se identifica com isso, deixe-me encorajá-lo. O que você está sentindo é normal. Essa é a carne e a mente não renovada fazendo o que fazem naturalmente – buscando agradar e servir a si mesmas.

Se você guerreia com a disposição, não fique sob condenação; fale com Deus sobre isso. Diga a Ele que você deseja estar disposto e reconheça que precisa da ajuda d’Ele.

Às vezes, a disposição começa em se tornar disponível. Admitir que você não pode fazer isso sozinho pode ser um passo necessário de humildade que o posiciona para receber a graça de Deus para fazer o que você não pode fazer sozinho. Lembre-se de Filipenses 2.13 (AMP), que diz: “[Não em sua própria força] pois é Deus quem está o tempo todo efetivamente trabalhando em você [energizando e criando em você o poder e o desejo], tanto para querer como para trabalhar para o Seu bom prazer e satisfação e deleite”.

2 – Disponibilidade

A disposição é vital e fundamental, e é uma questão importante para servir a Deus. No entanto, há um lado prático e logístico em servir a Deus também, e isso nos leva à questão da disponibilidade. Você pode ter o melhor coração do mundo e pode fazer muitas orações de consagração, mas, na prática, se você não tiver alguma disponibilidade a oferecer, sua disposição nunca encontrará expressão prática.

Se cada vez que o pastor apresenta uma oportunidade para servir, uma pessoa diz: “Uau! Eu adoraria fazer isso, mas estou muito ocupado”, essa pessoa nunca fará nada, apesar de suas boas intenções. Sei que as pessoas possuem empregos, obrigações familiares etc., mas ter um tempo designado para servir a Deus indica prioridades bem definidas e uma abordagem disciplinada da vida.

Lembre-se de que Jesus disse: “…buscai primeiro o reino de Deus…” (Mateus 6.33). Ele não disse “busque exclusivamente o reino de Deus”. Ele sabe que temos coisas práticas para cuidar, não apenas coisas espirituais. Mas Deus deve ser nossa maior prioridade. Devemos colocá-Lo em primeiro lugar em tudo. Para mim, isso significa que vou colocar Deus em primeiro lugar e ter certeza de que tenho tempo para servi-Lo.

É bom notar aqui que o servir a Deus também pode ocorrer de forma espontânea e informal, por meio de relacionamentos no curso diário de nossas vidas, mas é ideal que também sirvamos a Deus de forma consistente por meio de nosso serviço na igreja local.

É bom estar disponível para Deus de todas as maneiras possíveis.

3 – Fidelidade

Já preguei em centenas de igrejas em muitos países e em todos os Estados Unidos e, se um cristão estiver disposto e disponível, ele será colocado para trabalhar em algum lugar. Todo líder espiritual dirá que há mais trabalho a ser feito do que pessoas que estão dispostas e disponíveis para servir.

No entanto, se os indivíduos estiverem dispostos e disponíveis, mas não demonstrarem fidelidade, eles serão ótimos para começar, mas acabarão mal. Uma vez que, quando estabelecemos um coração disposto e nos tornamos disponíveis, é essencial que sejamos fiéis no cumprimento de nossas atribuições.

A fidelidade entre os trabalhadores cria credibilidade, confiabilidade e consistência; é um ingrediente essencial para um ministério de qualidade. No entanto, por mais importante que seja a fidelidade, não é uma característica demonstrada por todos os crentes. A.W. Pink disse: “Pessoas fiéis sempre estiveram em minoria”. Salomão ecoou o mesmo sentimento quando disse: “Muitos se dizem amigos leais, mas um homem fiel, quem poderá achar?” (Provérbios 20.6).

Pessoas fiéis são aquelas que aparecem regularmente, servem com entusiasmo e cumprem
seus compromissos. Elas são uma bênção tremenda para seus pastores por causa de sua confiabilidade inabalável. Não é incomum um pastor me apresentar alguém de sua igreja, descrevendo o indivíduo como alguém com quem sempre podem contar. “Sempre que temos uma necessidade, essa pessoa está disposta a intervir e fazer o que for necessário para realizar o trabalho”. Eles podem nem mesmo ser talentosos nessa área em particular, mas preencherão a lacuna e se esforçarão ao máximo para cumprir a tarefa em mãos.

4 – Habilidade

Uma pessoa pode estar disposta, disponível e fiel, mas em muitas situações, é importante que ela também seja habilidosa. Existem áreas no ministério (bem como na vida) onde habilidades específicas são necessárias.

Por exemplo, se meu carro tem um problema mecânico, questões de atitude e caráter podem desempenhar um papel na pessoa que eu escolho, mas no final das contas, eu preciso que a pessoa que está trabalhando em meu carro tenha certas habilidades, aquelas que vêm de extenso treinamento e experiência.

O exemplo de Davi em servir a Deus demonstra vividamente que é possível ter uma grande atitude e alta proficiência. O Salmo 78.72 diz: “E de coração íntegro Davi os pastoreou, com mãos experientes os conduziu”. Observe que integridade e habilidade estão envolvidos.

Integridade fala da personalidade, enquanto habilidade fala de expertise em fazer bem o trabalho.

O comprometimento com a habilidade não significa que uma pessoa será perfeita antes de começar. Se fosse esse o caso, ninguém jamais começaria, e é importante lembrar que o praticar é uma parte importante do desenvolvimento de habilidade. Muitas vezes, nosso desempenho, no início de um projeto, reflete nossa falta de experiência, e está tudo bem. Mas nunca devemos nos contentar em ser medíocres no que fazemos para Deus.

É importante ter o hábito da contínua procura pela melhora à medida que O servimos; o Senhor certamente merece o nosso melhor. Em empreendimentos seculares, qualidade e excelência são geralmente muito valorizadas. Henry Ford disse uma vez: “Existe uma maneira melhor de fazer isso. Encontre-a!”.

Tornar-se um aprendiz por toda a vida e um compromisso com o aprimoramento constante são importantes para servir bem a Deus, e devemos nos esforçar para oferecer ao céu aquilo que reflete excelência.

5 – Ser chamado

Em um sentido muito real, todo crente é “chamado”. Todos nós somos chamados a ser Seus filhos, chamados a amá-Lo, honrá-Lo e representá-Lo na terra. Porém, distintos uns dos outros, tendo chamados específicos relacionados a certas tarefas. Nem todo mundo é chamado para ser pastor, ou chamado para ser ministro de jovens, ou chamado para ser um líder de louvor.

Chamados específicos são acompanhados por dons e graça correspondentes.

Muitos testificarão que, quando foram chamados por Deus para uma determinada tarefa, uma unção do Espírito Santo também foi concedida para ajudá-los a cumprir sua tarefa. É importante entender que nem todos que são chamados respondem adequadamente a esse chamado. Se as pessoas não desenvolverem caráter ou habilidades, podem realizar muito pouco em suas áreas de vocação (se é que alguma vez entram nela).

É muito triste quando uma pessoa chamada sabota sua própria eficácia, porque deixa de cultivar sua disposição, disponibilidade, fidelidade ou habilidades. Um chamado por si só não é garantia de sucesso.

Quando cooperamos com Aquele que nos chamou e cultivamos nossa vocação, grandes coisas acontecem! Um chamado não substitui os outros atributos que mencionamos (disposição, disponibilidade, fidelidade e habilidade), mas incorpora e se fundamenta neles.
Essas características, quando devidamente estabelecidas e mantidas, servem para aprimorar e fortalecer nosso chamado.

Como isso afeta alguém que lê isso e diz: “E se eu não for chamado para um ministério específico, como pastor, ministro de jovens ou líder de louvor?”.  É importante ter em mente que todos somos chamados para servir a Deus, quer nosso chamado seja específico e leve a um cargo ou título ou se nosso chamado é geral e servimos mais nos bastidores.

Ajudar e assistir os outros é um trabalho muito honroso e que todo crente deve abraçar. Como escrevi no livro “Qualificados”, devemos servir a Deus …

• com ou sem título;
• com ou sem cargo;
• visivelmente ou nos bastidores;
• por meio de uma estrutura ou espontaneamente;
• formal ou informalmente.

Lembre-se de que nenhum de nós pode fabricar nossa vocação. Deus é a fonte disso. I Coríntios 12.18 diz: “Deus dispôs cada um dos membros do corpo, segundo a sua vontade”.

No entanto, cada um de nós pode definir no coração – com a ajuda de Deus – estar disposto, disponível, fiel e qualificado. Junto a isso, decidimos ser o melhor que podemos para Deus e os outros, ao mesmo tempo confiando em Sua graça e capacitação em nossas vidas. Se fizermos isso, seremos pessoas que Deus usará.

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