Seis Vezes em que Jesus Treinou Seu Time

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por Tony Cooke

Eu joguei diversos esportes enquanto crescia e sou muito grato por ter feito parte de diversos times. Cada treinador possuía um jeito específico de fazer as coisas – uma certa filosofia que o time deveria seguir, estratégias específicas que deveriam ser seguidas e certas jogadas que deveriam ser feitas. Tudo isso necessitava de que todos estivessem na mesma página e no mesmo pensamento. Em adição ao aspecto técnico do jogo, éramos lembrados, com frequência, de que a atitude que teríamos em campo refletiria no treinador, no time como um todo e na escola que estávamos representando.  

Quando John Wooden treinou o time masculino de basquete da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) – ele liderou o time em dez campeonatos nacionais – ele era um defensor de detalhes e um proponente do trabalho em equipe. Ele até ensinou seus jogadores o preciso modo de colocar as meias e de amarrar os sapatos, para prevenir a formação de bolhas. Wooden insistia que isso ajudaria a manter os jogadores saudáveis e em forma no campo. Até mesmo no momento de colocar os sapatos e as meias, Wooden essencialmente afirmava, “Nós não fazemos desse jeito; nós fazemos assim”.

Um ano, o astro do time da UCLA, Bill Walton, decidiu que ele não queria mais seguir as instruções do treinador Wooden com relação ao cabelo. “Você não tem o direito de me dizer que eu tenho que cortar meu cabelo mais curto e tirar minha barba”, Walton falou para ele. O treinador Wooden respondeu, “Você está certo, Bill. Eu não tenho esse direito. Eu somente tenho o direito de determinar quem irá jogar. Sentiremos sua falta, Bill”. Walton imediatamente cortou o cabelo, fez sua barba e foi para o treino.  

Hoje, muitos considerariam John Wooden como um técnico antiquado, mas ele acreditava que o jogo era maior que qualquer jogador individualmente e que cada jogador representava mais do que ele próprio. Apesar de Walton ter sido votado jogador do ano na temporada anterior, o treinador Wooden requeria que ele representasse o time e sua universidade da forma que ele considerasse apropriado. O talento de Walton não era suficiente; ele tinha que ser suficientemente humilde para receber a correção, seguir as instruções e concordar com o padrão do time.

Há interessantes paralelos entre essa história e o tipo de treinamento ministerial que vemos no Novo Testamento. Por esse motivo, pastores e outros líderes buscam incutir certos valores em seus líderes e obreiros. Considere como Paulo admoesta seu discípulo em I Timóteo 3.14-15 (NTLH)

“Escrevo essas coisas a você, esperando ir vê-lo logo. Mas, se eu demorar, esta carta vai lhe dizer como devemos agir na família de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, a qual é a coluna e o alicerce da verdade”

Se há certas maneiras de se conduzir na igreja, também há maneiras de não se conduzir na igreja. Tenha em mente que Paulo havia enumerado as qualificações que os líderes das igrejas deveriam possuir; portanto, a ênfase, aqui, não parece estar no visitante casual, mas na conduta daqueles que servem.

Quando Jesus passou tempo com Seus discípulos, Ele não estava simplesmente fazendo declarações profundas para que eles fossem iluminados; pelo contrário, Ele estava ensinando algumas coisas práticas, como:  

  • Essa é a forma que servimos; essa não é a forma que servimos.
  • Essa é a forma que tratamos as pessoas; essa não é a forma que tratamos as pessoas.
  • Essa é a forma que representamos o céu; essa não é a forma que representamos o céu.

Jesus estava treinando os Seus discípulos a ter o mesmo modo de pensar a respeito de como se portar no ministério. Não vemos Jesus focar em como eles colocavam suas sandálias ou se eles possuíam ou não barba, mas vemos Jesus enfatizar o que Ele considerava valores fundamentais que deveriam ser seguidos. Considere os seguintes exemplos em que Jesus essencialmente disse aos discípulos, “Nós não fazemos desse jeito; nós fazemos assim”.

Receber ou Rejeitar: Uma das lições que Jesus ensinou para Seus discípulos era que eles deveriam ser acolhedores, ao invés de rejeitar pessoas. Nesse caso específico, Ele os ensinou o valor do “menor deles”. Quando os pais trouxeram seus filhos pequenos para que Jesus os abençoasse, Marcos 10.13 afirma, “os discípulos repreenderam aquelas pessoas”. Jesus (não se agradando de tal atitude) usou tal exemplo como um momento para ensinar e falou, “Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque de tais é o reino de Deus” (Marcos 10.14). Jesus falou para Seus discípulos, “Nós não fazemos desse jeito; nós fazemos assim”.

Denunciar ou Celebrar: Parece haver uma tendência a ter ciúmes e a controlar outros. João provavelmente pensou que ele havia feito algo maravilhoso e nobre, quando ele disse a Jesus, “Mestre, vimos um homem que expulsa demônios pelo poder do nome do senhor, mas nós o proibimos de fazer isso porque ele não é do nosso grupo”. Ao invés de aplaudi-lo, por sua atitude, Jesus respondeu, “Não o proíbam, pois quem não é contra vocês é a favor de vocês” (Lucas 9.49-50, NTLH). Mais uma vez, Jesus disse aos discípulos, “Nós não fazemos desse jeito; nós fazemos assim”. Ele não queria que Seus discípulos fossem tão limitados a ponto de acreditar que Deus só poderia usar alguém que fizesse parte do seleto grupo de discípulos. Ao contrário, é saudável celebrar e regozijar sobre o que Deus tem feito por meio de outros.       

 Salvar ou Condenar: Somente um capítulo depois, João foi corrigido novamente. Quando ele (juntamente com seu irmão Tiago) viu que um povoado na região da Samaria foi rude com relação a Jesus e aos Seus discípulos, eles perguntaram, “Senhor queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir, como Elias também fez?” Jesus não queria tal atitude vinda de Seu time. Ele não somente os repreendeu, como também disse, “Vós não sabeis de que espírito sois. Pois o Filho do Homem não veio para destruir as vidas dos homens, mas para salvá-las” (Lucas 9.54-56). Jesus disse a eles, “Nós não fazemos desse jeito; nós fazemos assim”. Ele estava reforçando o que havia ensinado anteriormente: “Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (João 3.17).

Jesus queria que Seu time trabalhasse com Ele – não contra Ele – em suas atitudes e expressões. Era importante que eles promovessem a mesma missão e a mesma mensagem que Ele estava trazendo.     

 

Focar no Diabo ou no Céu: Quando Jesus enviou Seus discípulos em treinamento, eles voltaram animados com relação ao poder que estavam exercitando por meio do Seu nome. Jesus não era contrário a eles possuírem poderes e ver resultados, mas Ele queria que Seus discípulos se focassem em algo ainda mais importante: relacionamentos! Considere o que ocorreu em Lucas 10.17-20:   

“Então, regressaram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: “Senhor, os próprios demônios se submetem pelo teu nome!” Mas ele lhes disse: “Eu via Satanás caindo do céu, como um relâmpago. Eis que vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente, vos causará dano. Não obstante, alegrai-vos, não porque se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus”.  

Jesus havia dado a eles Seu nome, Sua autoridade e Seu poder e Ele esperava que eles usassem tal poder para libertar os cativos. Entretanto, Ele queria que eles mantivessem seus olhos no céu e se regozijassem no relacionamento com o Pai. Mais uma vez, Jesus falou a seus discípulos, “Nós não fazemos desse jeito; nós fazemos assim”.  

Atacar ou Ceder: Pedro era impetuoso e impulsivo. Ele tendia a agir primeiro (ou falar primeiro) e a pensar depois. Quando os soldados vieram prender Jesus, Pedro reagiu desembainhando sua espada e cortando a orelha direita do servo do sumo sacerdote. Jesus, imediatamente, disse para Pedro guardar sua espada e, prontamente, curou o homem (João 18.10-11; Lucas 22.49-51). Jesus estava comunicando, de forma clara, “Nós não fazemos desse jeito; nós fazemos assim”.    

Servir ou Ser Servido: Os discípulos estavam engajados em um debate contínuo a respeito de quem era o maior entre eles. Constantemente, eles disputavam posições e tentavam estabelecer sua superioridade individual. Até mesmo na Última Ceia, eles estavam discutindo sobre isso. Como resposta, Jesus falou algo e fez algo. Falando que eles deveriam ser diferentes do mundo, Jesus afirmou, “o mais importante deve ser como o menos importante; e o que manda deve ser como o que é mandado” (Lucas 22.26 (NTLH)). A apresentação que João fez da Ceia do Senhor não inclui essas palavras exatas, mas inclui Jesus se levantando da mesa de refeição, pegando uma bacia e lavando os pés dos discípulos. Jesus afirmou, “Se eu, o Senhor e o Mestre, lavei os pés de vocês, então vocês devem lavar os pés uns dos outros” (João 13.14, NTLH). Jesus ensinou e deu exemplo, “Nós não fazemos desse jeito; nós fazemos assim”.

Nesses poucos exemplos, vemos Jesus treinando Seus discípulos em como ministrar do Seu jeito, de acordo com Seus valores e Suas prioridades. Considere os seguintes “conceitos de Reino” que Ele se esforçou em incutir neles:

  • Devemos amar, honrar e respeitar as crianças (e a todos, nesse sentido). Devemos fazer com que elas se sintam amadas, seguras e aceitas.
  • Outras pessoas que não fazem parte do nosso grupo ministrarão. Não devemos ter uma atitude de exclusividade com relação ao trabalho ministerial. Devemos celebrar o ministério de outros e não ter uma mentalidade de exclusividade no ministério.
  • Nem todos aceitarão o trabalho que você está exercendo no ministério. Nesses casos, devemos abençoar os outros; não os amaldiçoar. Devemos ser conhecidos pela nossa graciosidade, misericórdia e amor, não como pessoas vingativas. Não devemos retaliar, mesmo se tivermos que sacudir a poeira dos nossos pés e ir em frente.
  • Apesar de estar te dando poder e autoridade, não quero que você seja o foco. Eu quero que você se foque no prazer do seu relacionamento com o Pai Celestial, e quero que você direcione sua atenção e a afeição dos outros a Ele também.
  • Violência não é o caminho para conquistar os corações dos homens. Esse é o caminho pelo qual faremos as coisas do Reino. Viemos para curar pessoas, não para machucá-las. O Reino que representamos não veio desse mundo; portanto, não devemos agir dessa forma.
  • Eu quero que você cultive o coração de servo. Esteja disposto a cumprir as tarefas mais simples. É disso que se trata a grandeza do Reino.          

Nós não fazemos desse jeito; nós fazemos assim” está por todo o Novo Testamento. Especificamente, as epístolas pastorais (I e II Timóteo e Tito) estão totalmente carregadas com admoestações sobre como ministrar da forma de Deus. O restante do Novo Testamento também está repleto de instruções sobre como representar a Cristo, como amar e servir aos outros, como restaurar outras vidas e como ministrar eficazmente.       

Em um nível prático, é importante que as pessoas entendam a filosofia e os valores fundamentais de sua igreja local, para que elas trabalhem em harmonia uma com as outras. Isso é traduzido em conceitos básicos de atitude, projetados na recepção de visitantes e no relacionamento entre membros.

Cada individuo deve perceber que suas atitudes e ações como membros e servos na igreja local refletem no restante da igreja, na liderança da congregação e em Cristo. Esse é motivo pelo qual é importante ser ensinável, atento e flexível. É importante receber instruções e correções a respeito de como atuar no ministério. 

Um pastor compartilhou um episódio em um evento de homens, em que os homens que estavam escalados para fazer o registro dos visitantes estavam imersos em sua própria conversa e em seu próprio relacionamento. O problema é que eles estavam ignorando totalmente o primeiro visitante na mesa do registro. O pastor teve que auxiliar o visitante a fazer o seu registro, introduzi-lo a outros homens e envolvê-lo em uma conversa. Os dois homens que estavam servindo na mesa do registro estavam tão absortos em sua própria conversa que estavam alheios ao fato do pastor ter vindo e feito o trabalho deles. Em uma reunião posterior com a equipe, o pastor contou o ocorrido para o chefe do departamento e, essencialmente, falou para ele, “Nós não fazemos desse jeito; nós fazemos assim”.

Pequenas coisas importam. Para John Wooden, a forma como os jogadores colocavam suas meias era importante. Na igreja, a forma como tratamos, reconhecemos e honramos os outros é importante. Devemos estar sempre atentos para fazer as coisas da melhor maneira – fazer as coisas do jeito dEle!       

 

*Traduzido por Gabriella Kashiwakura

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