Tesouros – O antigo e o novo

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por Tony Cooke

Eu estava participando de um culto em uma igreja uma vez e, durante o momento do louvor, a congregação cantou algumas das mais recentes canções de adoração. Logo em seguida, houve uma transição direta para um dos belos e antigos hinos da igreja.  Foi um momento de louvor poderoso e comovente, e eu apreciei a riqueza do novo e do antigo —ambos louvores exaltavam a Cristo, e a Presença de Deus foi facilmente percebida em ambos.

Alguns dias antes, eu estudava Mateus 13.52, em que Jesus disse: 

Por isso, todo escriba que se fez discípulo do reino dos céus é semelhante a um homem, proprietário, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas.

As versões Wuest e Amplificada exibem:

  • “Ele dispensa com prazer de sua casa do tesouro, coisas novas quanto à qualidade e também coisas amadurecidas pela idade em razão do uso”.
  • “… um chefe de família que traz de sua casa do tesouro um tesouro novo e [um tesouro que é] antigo [o fresco assim como o familiar]”.

Jesus estava elogiando aqueles capazes de preencher a lacuna entre seu intenso treinamento nas tradições do Antigo Testamento com o frescor do Novo Testamento. Jesus definitivamente “abalou seus mundos” com Sua abordagem, e os escribas que não estivessem abertos a uma nova perspectiva teriam se ressentido com as reações que as pessoas tiveram com relação a Ele. 

Mateus 7.28-29 diz: “Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas”.

Mesmo assim, Jesus não denunciou os escribas (aqueles que eram versados ​​no passado) apenas por serem escribas. Jesus comunicou que eles não apenas tinham o potencial de extrair os tesouros do passado, mas também de abraçar e descobrir os tesouros do novo.  Poderia ser tanto desafiador quanto um sinal de humildade reconhecer que eles não sabiam tudo, e que alguém novo – alguém que não “se encaixava no molde” ou em suas ideias preconcebidas—poderia realmente ter algo a oferecer.  Eles não tinham que escolher entre valorizar a verdade do Antigo Testamento ou amar a Jesus; eles poderiam extrair do antigo e ainda encontrar tesouros no novo!

Naturalmente, geralmente tendemos a ser orientados a escolher “um ou outro”. Muitos de nós estão inclinados a abraçar o velho e a rejeitar o novo, ou a apreciar o novo e a descartar o antigo. Pode ser desafiador reconhecer valor tanto no antigo quanto no novo; a vê-los como complementares, não como contraditórios, e depois a integrá-los com habilidade. Eu amo essa fraseologia na versão Amplificada, “um tesouro novo e um tesouro que é antigo, o fresco assim como o familiar”. Se realmente levarmos em consideração o que Jesus disse, isso nos tornará mais um tipo de pessoa que acolhe “ambos”.

Alguém disse sabiamente: “O que conta é o que você aprende depois de saber tudo”. Uma das características das pessoas de sucesso é que elas são aprendizes ao longo da vida. Pessoas sábias, experientes e maduras estão fundamentadas em verdades essenciais, mas também têm a mente aberta e estão ansiosas para aprender — elas não se tornam complacentes e acham que sabem tudo.

Vejamos três áreas em que precisamos abraçar o novo e o antigo:

Teologicamente

Não estou dizendo que precisamos acolher alguma suposta nova revelação que seja contrária às Escrituras, ou para a qual não haja apoio bíblico sólido. Porém, como Jesus indica, há tesouros tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Certa vez, ouvi alguém dispensar uma declaração de Provérbios dizendo: “Isso não é realmente importante hoje, porque está no Antigo Testamento”.  A passagem em discussão, no entanto, não era um aspecto da Lei que havia sido substituído no Calvário. Ao contrário, refletia a eterna sabedoria de Deus; era uma verdade atemporal que transcendia todos as alianças.

Paulo reconhece o valor duradouro do Antigo Testamento quando escreve: “Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.” (Romanos 15.4), e “Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado” (1 Coríntios 10.11).  Há tesouros tanto no antigo quanto no novo! Não é uma questão de um ou outro, mas de ambos!

Metodologicamente

Temos visto uma explosão de tecnologia e novos métodos nos últimos anos, tanto na sociedade secular quanto nas igrejas. Alguns podem perder o rumo com o advento de tantas coisas novas.  Geoffrey Chaucer (1342-1400), considerado o maior poeta inglês antes de Shakespeare, disse: “Por natureza, os homens adoram novas maneiras de se movimentar”. Esse fascínio pelo “novo” foi visto claramente em Atenas, onde eles passavam o tempo em nada mais do que “dizer ou ouvir as últimas novidades” (Atos 17.21).

Aqueles que tendem a defender a tradição podem, com razão, citar o significado de se apegar a valores essenciais, mantendo princípios atemporais e não aderindo a toda nova moda que surgir.  Eles podem citar versículos como: “Não removas os marcos antigos que puseram teus pais” (Provérbios 22.28) e “Teme ao SENHOR, filho meu, e ao rei e não te associes com os revoltosos” (Provérbios 24.21). No entanto, aqueles que preferem o progresso podem citar Salmos 55.19: “Porque não há neles mudança nenhuma, e não temem a Deus”.  Além disso, eles podem fazer referência a Isaías 43.19: “Eis que faço coisa nova, que está saindo à luz; porventura, não o percebeis?”

Por mais importantes que sejam as verdades fundamentais e imutáveis, há momentos que exigem mudança de estratégias e metodologias. Nos anos 1800, o exército britânico enfrentou, pela primeira vez, uma versão bruta, mas eficaz, de metralhadora. Naquela época, soldados britânicos lutavam com uniformes coloridos e permaneciam em longas filas retas.  No confronto inicial com a metralhadora, 500 soldados britânicos foram mortos ou gravemente feridos em minutos. Qual foi a resposta do comandante britânico?  “Envie-me mais 500 homens!”  Isso me lembra um pouco a famosa frase de Albert Einstein: “A loucura está fazendo a mesma coisa repetidas vezes e esperando resultados diferentes”.

Se deixarmos de adotar novas estratégias, abordagens, métodos e expressões quando forem apropriados, podemos nos encontrar presos ao passado e com uma eficácia reduzida. Um indivíduo disse: “Pequenos homens com pouca mente e pouca imaginação passam pela vida de forma breve, resistindo presunçosamente a todas mudanças que podem abafar seus pequenos mundos”. Novamente, precisamos ver novos e antigos tesouros.  Não é um ou outro; são ambos!

Relacionalmente

Lembro-me das palavras de uma pequena canção que aprendi quando jovem: “Faça novos amigos, mas mantenha os velhos. Um é prata e o outro, ouro”. Precisamos fazer um esforço para manter relacionamentos antigos e também para construir novos. Há um grande valor em ambos! Não estou dizendo que devemos considerar os relacionamentos apenas de uma maneira utilitária (isto é, o que podemos obter deles), mas a verdade é que Deus usa nossas amizades e associações para transmitir coisas importantes em nossas vidas e, às vezes, até para nos levar a novos níveis.

Isaac Newton disse: “Se eu tenho visto mais longe, é por ter ficado nos ombros dos gigantes”.  Nos ombros de quem você está se apoiando, permitindo que você veja mais? Certamente, podemos pensar em muitos grandes patriarcas e pais espirituais que nos inspiraram (e devemos honrar e aprender tudo o que podemos deles), mas e quanto a aprender também com os jovens?

Ouvi falar de um CEO de uma grande corporação que torna obrigatório para todos os seus executivos de nível sênior passar um certo período de tempo por semana com alguns dos indivíduos jovens da empresa — não para que mais velhos orientarem os mais jovens, mas para que os mais jovens ensinem os mais velhos a respeito de todas as novas tecnologias que estão transformando a sociedade e o mundo corporativo.

Que Deus nos dê a sabedoria de encontrar novos tesouros, além dos antigos, quando se trata de nossas vidas e ministérios — o novo e o familiar. É claro que precisamos de discernimento; no entanto, lembre-se de que não é questão de decidir entre um ou outro, mas acolher ambos.

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