Entrevista com Jorge Anderson

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Olá, queridos!

Graça e paz,

Nosso texto de hoje é uma entrevista exclusiva com o Pastor Jorge Anderson, de Vitória-ES.

Pastor Jorge é super adepto a um estilo de vida saudável, e muitos dos nossos ministros que já passaram por Vitória têm bons testemunhos de como a vida dele os impactou e auxiliou a uma nova consciência sobre os cuidados com a saúde.

Leia a entrevista e seja edificado:

VerboEmForma: Pastor, conte um pouco para nós sobre sua história no Exército Brasileiro.

Jorge: Meu avô serviu aos três Ministérios: Marinha, Exército e Aeronáutica. Ele é de Campina Grande e essa história dele era muito forte para mim. Quando eu fiz 17 anos, tive o desejo de ser oficial do Exército e prestei o concurso. Em 1991, fui aprovado e passei 5 anos em formação. Fiquei 16 anos servindo, evoluindo, me dedicando, mas no 17º ano, precisei deixar as Forças para cuidar da saúde da minha mãe, que não estava muito boa. Basicamente eu fui por uma influência do meu avô e por já ter, desde muito jovem, um gosto pela atividade física e disciplina. Eu fiz Escola Preparatória de Cadetes, Academia Militar de Agulhas Negras, e depois fiz a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais. Tenho alguns cursos na área também.

VerboEmForma: Qual sua filosofia de vida no quesito saúde?

Jorge: Eu sempre gostei de cuidar da saúde. Quando eu era adolescente, com 12/13 anos, na parede do meu quarto não tinha jogador de futebol, tinham atletas fortes, era o que eu entendia como saúde, era o que eu via fisicamente/esteticamente falando. Vi meu pai e minha mãe morrerem por causa do cigarro e por comerem de maneira errada. Eu ainda era adolescente e fazia alguns alertas para minha mãe, para evitar refrigerantes, doces, etc. O tempo passou, e fui me concentrando para sempre cuidar da saúde. Atualmente, como cristão, eu não consigo desvincular minha saúde física da minha saúde mental, nem da minha saúde espiritual; a Bíblia não me dá respaldo para desvincular. Eu procuro deixar claro para as pessoas que nós não vivemos para comer, nós comemos para viver. Para a manutenção da saúde, é necessário praticar atividade física também.

Uma hora de atividade física é apenas 4% do dia, isso casa com o que Paulo disse: “O exercício físico é para pouco proveitoso” (I Timóteo 4), ou seja, 4% é bem pouco mesmo, mas tem seu proveito. Não podemos ficar sem fazer. Sobre a alimentação, tem 4 textos bíblicos ligados ao apetite desordenado e à Vinda do Senhor. Ou seja, a Bíblia mostra que meu apetite, vou prestar contas disso Naquele dia, contas sobre como me conduzo com minha alimentação. O descanso também é importante para o Ministro para a atividade física e a alimentação não serem em vão. Nós podemos abreviar nossos dias aqui, sendo que a vontade de Deus é que a gente viva mais, para pregar o evangelho e alcançar mais pessoas.

Então, quando você fala de filosofia de vida, será que de fato eu sou dono da minha vida? Ou Deus é o dono da minha vida? Quem de fato é dono de quem? Porque se Ele é meu dono, eu tenho que obedecer o que Ele estabeleceu. Ele não somente escreveu os meus dias, mas também os determinou, quem sou eu para abreviar? Atualmente, eu não posso chamar de doença só o que o senso comum chama. Obesidade é doença, cárie é doença. Eu não posso falar de cura, se sou obeso, a não ser que eu esteja ainda em um processo de me cuidar, de reversão, é outra conversa, mas quando a pessoa diz: “Eu sou o que sou e está tudo bem”, está errado. Assim como eu não posso fumar cigarro e falar da cura de Cristo, então, preciso ter saúde para cumprir meu chamado e não tentar a Deus nessa área. Pois, se eu falo de algo, e atento contra aquele algo, é como se eu quisesse me jogar de um precipício e falar para seus anjos: “me amparem, a Palavra me respalda”. Minha filosofia é espírito, alma e corpo irrepreensível para apresentar ao Rei naquele dia.

VerboEmForma: Como é sua rotina de treinos?

Jorge: Eu treino em torno de 1 hora e 20 minutos por dia. De 40 a 45 minutos de musculação, e entre uma série e outra, faço a pausa ativa, com a frequência cardíaca sempre elevada, para manutenção da minha saúde.

Ex: entre uma série de supino e outra, eu pulo cordas.  Ao final deste tempo, eu vou fazer de 25-30 minutos de exercício aeróbio, caminhar na praia, por exemplo. Todo dia assim.

Da esquerda para a direita: Lucimar Rangel, esposa do pastor Jorge (ao lado); Rachel e Thiago Garcia.

VerboEmForma: Como são as regras sobre alimentação em casa, principalmente com as crianças?

Jorge: A criança só come o que nós damos, e só damos o que temos em casa. Eu não tenho problemas. O que acontece hoje é que meus filhos não são donos de si, eles irão comer o que eu der para eles comerem. Eles são proibidos de comer doce em dia de semana? Sim! Existem estudos que dizem que picos sucessíveis de insulina são como suicídios progressivos. Assim como um cigarro atrás do outro: a cada cigarro são três minutos de vida que a pessoa perde. Não se sabe mensurar quantos minutos de vida se perde em cada pico de insulina, mas é comprovado que se perde, segundo a Organização Mundial da Saúde. Então, se eu deixo meu filho comer doce todo dia eu deixo ele se suicidar todos os dias. Isso é muito radical? Sim! A palavra radical na sua raiz, significa voltar à essência. No passado, ninguém comia doce. Então, lá em casa não tem refrigerante, nem doce. Eu só libero no sábado ou domingo e, ainda assim, eu evito o doce processado. É melhor comer o açaí, que tem o pico de insulina, porque tem o xarope, mas não é uma gordura hidrogenada. O que não entra lá me casa, e nenhum dia eu libero são comidas com gordura hidrogenada; exemplo: biscoito recheado, chips, não entra mesmo! Procuramos nos alimentar bem, com bastante frutas, legumes, carne, e o carboidrato sempre moderado para baixo. Eu, particularmente, gosto de comer carboidrato bem baixo.

VerboEmForma: Para eles é fácil? São bem adaptados?

Jorge: Para eles é fácil. O difícil é só quando tem uma influência de fora que eles me questionam, mas, logo em seguida, eu falo: “Você vai ter sua liberdade quando você crescer, mas eu vou te ensinar o que é certo agora. Enquanto você estiver embaixo do meu teto vai ser assim!”

VerboEmForma: Sua esposa te ajuda? É sua parceira?

Jorge: No tempo presente sim. Há um tempo, ela me achava muito radical, mas ela passou por alguns problemas na saúde, com tireóide, insulina. A primeira coisa que a nutróloga dela fez foi diminuir o carboidrato. Assim, ela viu que eu sempre estive certo. Agora, a gente está no mesmo ritmo, treinamos juntos, no mesmo horário, nos alimentamos bem, compramos juntos os produtos da dieta. Temos uma ótima parceria! Ela gostava muito de doce; e quero deixar registrado isso, pois, ela falava: “Ah, mas eu gosto muito de doce!” e eu dizia: “Você vai gostar de doce enquanto continuar declarando que gosta. O dia que você parar de confessar e dizer que não gosta do doce, mas gosta de si mesma, isso vai mudar”. Nossa confissão não pode ser uma verdade para tudo, menos para isso, então, ela começou a confessar certo. No começo, foi difícil, mas hoje ela não sente falta do doce, nem na TPM.

VerboEmForma: Como o senhor traz tudo isso para dentro da igreja?

Jorge: No início não foi fácil. Quando eu assumi a igreja, meu pastor Elizeu foi muito claro comigo e ele falou: “agora o comando está com você. Deus vai falar com você e não mais comigo acerca desta igreja”. Ele permaneceu lá por 3 meses ainda. O Pastor Elizeu entende muito sobre a estrutura de comando e é um homem de Deus. Naquele momento, a primeira direção que eu tive foi acabar com os doces no galardão do Departamento de Crianças. Porquê? Porque não é razoável que eu entenda que o doce mata e, se a criança fizer algo certo, ela será galardoada com aquilo que mata.

É como se eu estivesse dizendo para ela: “Se você fizer tudo certo, tem o direito de se tornar diabético”. Então, eu achava um absurdo essa mensagem, e comecei a mudar. Já que existia esse sistema de galardão, eu pensei: “Eles precisam aprender sobre as frutas”. Exemplo: O que tem na maçã? O que tem na banana? O que tem na salada de frutas? O que tem na granola ou no açaí?. Não radicalizando muito, mas lá tem caldo verde, com couve. As crianças começaram a aprender uns 10 minutinhos na aula sobre a importância da saúde e sobre a importância de não comer demais. Isso gerou um desafio santo na igreja, pois, as crianças chegavam em casa e começaram a corrigir os pais. Comecei também fazer um trabalho com os pais, de conscientização tanto no púlpito, quanto um trabalho individual. Eu avançava mesmo, pois, entendia que era uma direção de Deus. Atualmente, praticamente todo mundo faz atividade física na igreja. Fazem circuito na praia, temos karatê e jiu jitsu na igreja. Aqui é proibido refrigerante. Sempre que tiver algum evento você não vai ver salgadinho com fritura. Vai ter pãozinho integral, sucos naturais. Isso é natural para o pessoal lá na igreja.

VerboEmForma: E os líderes da igreja?

Jorge: Com os líderes eu uso um processo um pouquinho diferente. No início do ano, quando eu estabeleço a nova liderança, reúno o pessoal, e baseado em I Tessalonicenses 5.23, eu não consigo ver fisiologicamente/cientificamente alguém manter seu corpo físico íntegro, sem cuidar da alimentação e atividade física. Então, eu faculto a eles, já que a chamada é proposta, se eles querem compor a liderança. Todo início de ano, eu os chamo e reconvoco. Eu faculto a eles se querem permanecer na liderança. Para estar lá, obrigatoriamente precisam fazer atividade física regular, e estar com as medidas cientificamente em dia. Muitas pessoas lá, chegaram com sobrepeso, e entraram na liderança e dizem que isso salvou suas vidas, pois antes, já estavam diabéticos. Agora estão no chamado, estão bem e eu não tenho problema de saúde na igreja. É impressionante! Minha liderança pegou junto e deram o passo perfeito junto comigo.

VerboEmForma: Quais conselhos o senhor daria para quem deseja entrar neste estilo de vida?

Jorge: Tem uma frase que eu peguei quando era instrutor do exército que diz: “Aquele que busca o impossível, alcança o que é inacreditável”. Eu, sinceramente, acredito que existe uma faixa de excelência: Tem o excelente e o mais excelente. Baseado no que o apóstolo João diz: “Se tivermos as obras de uma determinada forma, nós alcançaremos o inteiro galardão”. Se existe o galardão inteiro, é porque existe o parcial. Se existe uma excelência no topo, existe uma excelência que não é tão no topo assim, mas, que não é medíocre também. Se eu miro no topo da excelência,e eu radicalizo, ainda que eu venha a cair, talvez eu baixe para o nível mínimo de excelência, mas continuarei excelente. Não concordo em tratar o pecado assim: Diminuindo aos poucos. Não é assim que se trata. Pensando no pecado da glutonaria, eu penso que precisa, sim, ser radical. Uma vez que eu entendo que é para o Senhor, já que a Bíblia diz: “Quer comamos, quer bebamos, tudo é para a Glória de Deus”. Então, acredito que a pessoa que deseja começar, primeiro ela precisa querer, e não apenas precisar.

Às vezes as pessoas dizem que precisam aprender inglês, mas não querem. Ou seja, a pessoa precisa emagrecer, mas ela quer? Então eu faço a pergunta: “Se no final do ano, você perdesse o peso que precisa perder e  ganhasse um cheque de cem mil reais, você perderia?” A resposta unânime é: “Sim!” então, a questão é o QUANTO ela quer. Só basta começar e não se preocupar com o tempo, mas seguir em frente. O emagrecimento saudável fica em torno de 700g à 1kg por semana. Talvez pareça pouco, se a pessoa perder apenas 3 kg por mês. Pode parecer pouco no primeiro mês, no segundo mês. Mas, em 10 meses, ou seja, em menos de 1 ano, a pessoa teria perdido 30 kg. Então, só basta começar, não desistir e aumentar no final. A perseverança deve ter a obra completa, a ação perfeita, como o apóstolo Tiago diz: “Não para nunca”. Mesmo que a pessoa pare e tenha que começar de novo, mesmo que no processo ela tenha que subir de novo e voltar para seu ciclo. É assim que penso, e faço votos para que as pessoas entendam que não é uma questão de estética, mas de saúde, e uma saúde que glorifique a Deus no chamado.

VerboEmForma: Quais conselhos o senhor daria para os pastores que desejam introduzir estes assuntos em seus sermões para cuidar dos seus rebanhos?

Jorge: Primeiro, eu gostaria de registrar que não é um assunto à parte da Bíblia. Não é um assunto que não possa ser abordado, ao contrário, nós como pastores, não temos o direito de não abordar este assunto. Por que? Em III João 1.1-2 ele faz votos ao amado Gaio, acima de todas as coisas pela saúde e pela prosperidade, assim como vai bem a sua alma. Se eu entendo que a Palavra de Deus é a vontade de Deus, e lá está escrito que acima de tudo ele faz votos pela prosperidade e saúde; é porque Deus também nos chama de “Gaios” e faz votos por nossa saúde e prosperidade.

Se entendermos prosperidade no aspecto macro, que é em todas as áreas, então, a saúde deve ser tratada nos púlpitos. Como ministros, não podemos deixar de falar em escatologia, bem como, podemos deixar de falar sobre saúde. Como começar? Parece redundante mas é: Começando! Estudando sobre o assunto, associando-se com pessoas que entendam e gostem do tema. Alguns pastores até me procuram, ainda que eu não vá para ministrar em suas igrejas, envio minhas anotações para ajudá-los a ministrar para o povo. Antes de tudo, é necessário viver assim. Eu preciso viver o que ministro. E por que as pessoas às vezes não ministram? Porque elas se sentem acusadas. Por isso, precisam começar, fazer um propósito com Deus. Nós temos um ajudador, temos o Espírito Santo, Ele nos ajuda a terminar aquilo que nós decidimos começar. É interessante que a palavra “ajudador” significa pegar firme em algo pesado para tirar de um lugar e colocar em outro. Se eles começarem a estudar acerca de alimentação, de atividade física; considerando isto interessante e não uma besteira, o Espírito Santo vai ajudá-los. Eu penso que o povo precisa ouvir sobre isso.

VerboEmForma: O senhor foi um dos grandes incentivadores para o início do Verbo em Forma. Lembro-me quando compartilhei sobre o Projeto com o senhor, então, gostaria de saber como o senhor vê este Projeto acontecendo hoje dentro do Ministério?

Jorge: Eu fico muito feliz, porque eu lembro que em 2009, foi a primeira vez que Deus falou comigo acerca da saúde para o ministério. Ainda hoje, algumas pessoas questionam, acham que eu sou radical demais. Quando eu vejo isso oficializado no Ministério já como um Projeto que não é mais um embrião, mas é algo que já tomou um corpo, eu fico feliz, porque eu penso que se é o ministério que eu creio que eu devo estar, que eu amo, e honro, eu acredito que foi Deus quem estabeleceu isso, e não posso fazer essa acepção. Assim como eu entendo que missões é para todo o Ministério, entendo que o Verbo em Forma é para todo o ministério. Eu creio que este Projeto vai salvar a vida de muitas pessoas, pois, mais do que o remédio, mais do que lutar pela cura conquistada por Cristo, é necessário MANTER a saúde que Ele conquistou.

O Verbo em Forma vai trazer este tipo de informação e consciência para um novo tempo, para que não haja uma lacuna, mas uma nova revelação acerca deste assunto que está na Bíblia e foi pouco tangido tocado até hoje. Embora tenhamos tido John Wesley, T.L. Osborn, Kenneth Copeland, pessoas que cuidavam de sua saúde com a consciência do chamado, o Verbo em Forma está pavimentando uma estrada para muita gente, para os ministros, e todo o corpo, para o Verbo da Vida. Para mim é uma alegria, uma honra e um grande prazer!

Fiquem conectados, fiquem em forma.

No amor do Senhor,

Rachel Bichusky Garcia.

3 COMENTÁRIOS

  1. Agradeço a Deus pelo pastor que tenho.
    Um exemplo a ser seguido.
    Na Palavra de Deus, Paulo sugere aos Filipenses no capítulo 3,17 “Irmãos, sede meus imitadores, e atentai para aqueles que andam conforme o exemplo que tendes em nós”.
    Que Papai continue a abençoá-lo e a prosperá-lo em tudo. Amém!!!

  2. Eu agradeço muito por essa visão do meu pastor Jorge Anderson , pois aprendi muito com suas pregações de púlpito e de vida , hoje já estou praticando e com 10 kilos a menos , em apenas 60 dias, contínuo em minha meta de alcançar o peso ideal. Aprendi a comer saudável e a fazer exercícios físicos .

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