Confortavelmente desconfortáveis

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por Gabriel Moraes
(Membro do Verbo da Vida em Pedra de Guaratiba, Rio de Janeiro-RJ) 

O conforto no evangelho está na obra consumada na Cruz e a graça a nós outorgada.

Não devemos procurar confortos para viver esse evangelho, como quem leva um travesseiro para academia. Devemos nos submeter aos moldes daquilo que a Palavra nos instrui.

Não se trata de encaixar a vontade de Deus em meus planos, mas de adotar plenamente a vontade de Deus mesmo que alguns dos meus planos precisem ser abandonados. 

É bom observar que em João 15.7, Jesus estabelece duas condições para que qualquer coisa que for pedida seja atendida.

“Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito” (João 15.7)

  • A primeira é permanecer Nele. Se você ler os versículos anteriores (João 15.1-6), Jesus disserta sobre o que é permanecer Nele. Algo que gostaria de destacar é a poda. Jesus deixa claro que todo ramo que estiver Nele (A Videira) e der fruto será limpo (podado) para que dê mais fruto. A questão é que a poda é realizada ferindo o ramo (não no sentido de machucar, mas simplesmente seccionar), logo há grande desconforto. Por isso é passível de entendimento a ideia de ramos que não ficam ligados A Videira. O conforto no progresso carrega consigo um convite a um planejamento egocêntrico.
  • A segunda são as palavras Dele permanecerem em nós. Isso envolve a meditação. Por mais que pareça que isso seja uma consequência de estarmos Nele, ao observamos os discípulos, considerando que eles estavam com Ele constantemente, ainda assim vemos erros sendo cometidos pelos discípulos. Porque não se trata somente de se achegar a Ele, mas de ouvir, lembrar e meditar naquilo que Ele disse. É tornar aquilo que foi absorvido pela mente, algo cultivado no bom solo que há dentro de nós.

“Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá” (Gálatas 6.7)

É verdade que a Palavra fala em Romanos 8 que não há condenação para os que estão em Cristo Jesus. Mas isso não nos dá a liberdade para errar deliberadamente. Afinal, Gálatas 6.7 deixa bem claro que a semeadura gera uma colheita. Logo, não devemos ser só livres de condenação, mas devemos ter temor ao Senhor, algo que Salomão destaca constantemente no livro de Provérbios. Não devemos deturpar a liberdade da condenação como um passe livre inconsequente para erros. Isso é ilusório!

Gosto de uma frase de um pastor de Brasília que diz: “Plante hoje e torne seu futuro escravo da sua semente!” Mas é bom ter em mente que isso independe do que for plantado, considerando a passagem de Gálatas, citada anteriormente.

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.
Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mateus 11.28-30)

Não quero aqui apresentar uma vida que promove desprazer, fadiga, uma fardo pesado (Mateus 11.28-30), pois existe plena satisfação no centro da vontade de Deus. Alegria é uma marca do entendimento e prática da vontade de Deus para nossa vida. Existem (dos que pude achar) 16 versículos em passagens diferentes, do Novo Testamento e do Velho Testamento, que apresentam satisfação e alegria andando juntas.

Contudo, não quero apresentar uma fantasia, nem provocar um comodismo, pelo contrário, quero evidenciar o desconforto inevitável do progresso, da poda. Lembrar que todo desejo é atendido quando estamos ligados a essa Videira, e quando as Palavras Dele estão em nós, renovando a nossa mente (ver Romanos 12.2), alinhando nossos pensamentos com os Dele, consequentemente, nos condicionando a desejar o que Ele deseja e, evidentemente obter esse desejo expresso devido a concordância com o anseio do coração Dele.

“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”

(Romanos 12.2)

Devemos entender que existe uma proposta para nós maior do que nós mesmos. Isso envolve entrega e não negociação. Isso envolve rendição e não exigência. Isso envolve desconforto e saber lidar com Ele, entendendo que a proposta Dele está além de uma sensação desagradável. O entendimento da vontade de Deus nada mais é que a revelação da plenitude de alegria proposta a cada um nós.

Cresça, dê frutos e seja podado. Cresça, dê mais frutos e seja podado. Cresça dê mais frutos ainda e seja podado. Prossiga nessa caminhada e entenda que, por trás de toda poda, há uma frutificação superior a anterior. Atrás de todo desconforto, existe uma progressão ao centro da vontade Dele!

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