Cristianismo responsável

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por Janny Beatriz (Campina Grande-PB)
*Aluna da Escola de Ministros Rhema

Procrastinação, desânimo e comodismo. Essas são algumas palavras que podem definir a minha geração hoje. De forma sutil e disfarçada de muitos outros nomes, a irresponsabilidade se instalou e encontrou lugar de destaque no cotidiano de muitos jovens, sendo louvada e celebrada por memes e piadas na internet.

De fato, vivemos em um tempo no qual um alto nível de produtividade tem sido exigido de todos, e muitas vezes é necessário desacelerar visando ao bem-estar e à saúde mental e física. No entanto, o que se tornou observável ao longo dos últimos anos foi para além do que é benéfico. Enquanto essa cultura permeia o mundo, pode ser tida como aceitável, afinal, é o mundo. Mas uma vez que pensamos que podemos conduzir nossa vida com Deus, sob o regimento desse padrão, estamos nos enganando severamente.

Durante toda a Bíblia, vemos uma constância referente às ações de Deus em relação ao homem. A começar pelo versículo 8 do terceiro capítulo de Gênesis, no qual descobrimos que Deus ia até o jardim ao final do dia para ter comunhão com Adão, observamos um ciclo se formando – Deus dando o primeiro passo em relação ao homem. Todas as alianças, posteriormente, estabelecidas foram exatamente o Senhor fazendo por onde ter comunhão conosco, mesmo que de forma limitada por causa do pecado. Essa é a pura manifestação da Sua graça, a Sua livre iniciativa em relação a nós, com vistas a nos beneficiar apesar das nossas obras de merecimento ou de demérito.

Acredito que todos nós sabemos como essa graça nos alcança hoje. Não há mais alianças limitadas, mas sim uma Nova Aliança, superior, na qual o pecado foi pago e não há impedimentos no tocante ao acesso a Deus. Tudo que não poderíamos nunca realizar foi realizado por nós, o primeiro passo foi dado e hoje vivemos mediante essa iniciativa graciosa de Deus.

Mas, então, o que nos resta fazer? Pode parecer óbvio para uns e chocante para outros, mas Jesus não fez tudo por nós. A obra redentora de Jesus fez a parte mais difícil, na verdade, a parte impossível. A maioria das coisas da “lista” foi de fato feitura d’Ele. No entanto, há outras coisas a serem consideradas que estão sob nossa responsabilidade executar.

Devemos entender que a nossa parte da aliança deve ser realizada, de outro modo não é uma aliança. Assim, como em um relacionamento amoroso, é preciso que haja correspondência. Ninguém deseja amar alguém indiferente, que não responde positivamente às suas iniciativas. Da mesma forma, Deus espera de nós posicionamentos que revelem o nosso “sim” à Sua aliança e que mostrem que o amamos também. Esses posicionamentos envolvem santificação e consagração, e não podem ser negociados, deixados para depois ou colocados “no colo” de outros.

Assim como você precisa tomar as decisões que o farão saudável, naturalmente (se alimentar bem, se exercitar), está nas suas mãos decidir aquilo que vai mantê-lo saudável espiritualmente. Essas decisões vão desde ser seleto naquilo que ouve, assiste e lê, a entender a importância de ter suas “refeições espirituais” diárias. Quem vai colher os frutos dessas decisões é você e sou eu, sejam eles bons ou não. Por isso, precisamos simplesmente entender que a nossa  vida e o rumo que ela tem é inteiramente nossa responsabilidade. 

Deus pode ter os melhores planos para você, sua família pode lhe desejar tudo de bom, mas no fim as coisas maravilhosas que estão preparadas para você só serão vividas se você escolher vivê-las. E essa escolha não se evidencia em um “sim” ou um “não”, mas na forma como você conduz sua vida dia após dia.

Percebo que vivo em um tempo em que os jovens têm se apegado a apelos irresponsáveis, que se mostram muitas vezes em orações como “me mude”, “me encha”, “me faça ser”, quando na verdade a responsabilidade de mudar, de se encher e de ser está nas nossas mãos. Deus é amoroso, e a Sua máxima demonstração de amor foi confiar a nós responsabilidades. Isso mostra que Ele nos viu e nos considerou aptos, isso é amor. Não espere que Ele faça por você aquilo que você precisa fazer, não é assim que um bom  pai procede. O bom pai provê as condições necessárias para para que o filho faça, ensina como fazer e dá o voto de confiança de que ele fará.

Assim, o incentivo a abrir mão das desculpas. Mesmo vivendo em uma geração regida pelo “deixar pra amanhã o que poderia ser feito hoje”, decida fazer hoje, e fazer da melhor forma possível. Em um tempo no qual tudo que deu errado é culpa dos outros ou do passado, aprenda a viver como o protagonista da sua caminhada com Deus, não esperando que outros façam o certo primeiro, mas sendo um pioneiro no tocante à santidade e à piedade.

É hora de parar de andar com as pernas dos pastores e líderes e ficar de pé por conta própria, pois  Deus acredita em você, Ele confia que você é capaz.

Esses últimos dias serão desafiadores, mas extremamente empolgantes para aqueles que entendem sua responsabilidade como cristãos e que agem à altura dela. Eu espero ser encontrada nessa posição, e oro para que você também seja!

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