Empatia

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por Vilma Souza (Campina Grande-PB)
*Graduada na Escola de Ministros Rhema

“Nos últimos dias os tempos serão difíceis. As pessoas serão egoístas, avarentas, orgulhosas e arrogantes. Elas não terão amor pelos outros” (II Timóteo 3.1-2)

Como já sabemos, estamos vivendo os últimos dias, que a Bíblia menciona como difíceis. Os noticiários estão repletos de violência, truculência e desamor. Infelizmente, não é raro encontrarmos dentro das igrejas, pessoas cansadas e desfalecidas, carregando pesos enormes, porque querem provar que são fortes e inabaláveis o tempo inteiro, para não serem conhecidas como fracas ou pouco espirituais por alguns irmãos.

Somos seres espirituais sim, mas, enquanto estivermos neste mundo, teremos uma alma e habitaremos em um corpo. Não há nada de errado nisso, porque foi Deus quem criou para ser assim. Ele conhece tanto as nossas limitações e fragilidades, que o próprio Jesus assumiu a forma humana e se identificou conosco, a ponto de hoje ser o advogado e intercessor entre Deus e os homens.

Com esta atitude, Jesus nos ensinou sobre EMPATIA, do original empatheia”, que significa “paixão”. É sentir o que o outro sente, como se estivesse na mesma situação. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções e está ligada ao altruísmo – amor e interesse pelo próximo. É a capacidade de se colocar no lugar do outro e que leva as pessoas a ajudarem umas às outras.

Eu imagino Jesus e Deus juntos, olhando pra nós e o Filho dizendo ao Pai: “É… eu sei o que ele/ela está sentindo. Eu estive lá em forma humana e sei que existem situações que não são fáceis”. Ele identificou-se a ponto de compadecer-se das nossas fraquezas e, como cristãos, devemos agir com compaixão, estender as mãos para ajudar.

Não coloque uma carga sobre o outro, no momento em que deveria ser oferecido alívio.

Isso é contrário ao que Jesus fazia. Ele disse que quando estivéssemos cansados e sobrecarregados, trocássemos os nossos fardos pesados pelo descanso que Ele nos dá (Mateus 11.28-30).

Imagina a cena: Você vem em um caminho difícil e tortuoso, carregando sacos cheios de pedras nas costas, sob um sol escaldante e, quando está prestes a desfalecer, encontra-se com Jesus. E se ao invés de encontrar alívio, Ele coloca mais 3 sacos de pedras nas suas costas e manda você andar outro tanto de caminho? Como você se sentiria? Acharia justo? Não! E graças a Deus, não é isso que Jesus faz! Quando chegarmos com cargas diante dEle, ouvimos a Sua voz dizendo: Não precisa mais carregar peso, deixe comigo. Receba o meu descanso e um copo de água fresca que refrigera por dentro e dá novo ânimo.  

Na morte de Lázaro, Jesus chorou. É natural sentir a dor da separação de quem a gente ama. A consciência da eternidade nos conforta, mas não nos torna homens e mulheres de pedra. Da mesma forma, quando formos visitar uma pessoa doente, precisamos ser compreensivos. A convicção da cura, não significa que não esteja doendo; o abraço carinhoso que faz você saber que o outro não está sozinho, continua sendo importante.

Todos temos dificuldades em alguma área, mas talvez não falemos sobre isso com outros, porque imaginamos a nossa própria reação ouvindo uma situação semelhante. Mas, não menospreze quem tem coragem de expressar o que você não diz. Não ridicularize os que apresentam fraquezas diferentes das suas. Ou pior: não julgue outros só porque tem pecados diferentes dos seus. Talvez você diga: “eu não tenho pecado”, mas a Bíblia afirma que se você sabe fazer o bem e não faz, comete pecado (Tiago 4.17).

Trate os outros como você gostaria de ser tratado. Alcance os outros com a mesma misericórdia que você quer ser acolhido quando precisar.

Não coloque cargas nos outros além do que gostaria que colocassem sobre você. Cada pessoa tem uma estrutura. Ensine o que é possível, mas não seja carrasco. Incentivar é diferente de fazer cobranças. Algumas pessoas nunca vão querer mudar e, mesmo assim, não fomos estabelecidos como juízes de ninguém.

Jesus tinha todos os motivos para se sentir “magoadinho” com Pedro. Afinal, depois de três anos e meio juntos e recebendo os ensinamentos de Jesus, Pedro negou que O conhecesse. Ele tinha motivos para acabar com a amizade e parceria, destituir Pedro do seu “cargo”, estabelecer uma distância segura e se fazer de vítima diante dos demais. Jesus poderia argumentar: “Olha só, eu dei a chance a Pedro de estar perto de mim por três anos e meio. Ele me viu fazendo isso e aquilo, eu ensinei tantas coisas preciosas e olha como ele me retribuiu. Nunca mais eu o quero na minha equipe. Que agora ele sofra pra deixar de ser ingrato!”.

Nós, certamente teríamos dito isso com o ego inflamado, mas Jesus não. Quando Ele ressuscitou, nomeou a Pedro como um dos que Ele queria reencontrar na Galiléia. Que lição para nós! Não é porque Pedro O negou que deveria ser excluído. Jesus não passou a ignorá-lo por ter sido fraco. Pelo contrário, mesmo Pedro tendo agido de forma covarde, Jesus ainda disse: “avise aos discípulos e a Pedro” (Marcos 16.7), ou seja, Pedro continuava sendo importante para Ele. Jesus o amava independente de, não foi movido pelos seus sentimentos e pela auto-justificação.

Acredite, você não é melhor e nem mais digno que Jesus! Ele conseguiu e nós podemos também. Seja compassivo, pois, além de ser um indicador do caráter cristão, você nunca sabe quando vai precisar colher.

Certa vez, um perito da lei perguntou como devem se comportar aqueles que herdarão a vida eterna e Jesus explicou-lhe através da parábola do bom samaritano (Lucas 10.25-37). Ele disse que quando encontrarmos pessoas sofrendo abandono, circunstâncias difíceis, dores ou estiverem desfalecidas, devemos nos compadecer, ajudar a tratar as feridas (sejam físicas ou psicológicas), colocarmo-nos junto e, muitas vezes, usar o nosso dinheiro para promover o alívio daqueles que sofrem. Depois de falar esta parábola, Jesus disse: “vai tu e faz o mesmo”.

Não estou fazendo apologia às dores ou a autocomiseração, aos sentimentos depressivos e nem supervalorizando as doenças da alma. Estou falando de exercitarmos o fruto do espírito. Falo de amor, de bondade, de identificar-se com o outro sem ridicularizar ou menosprezar suas dores, mas agir com compaixão. Compaixão não é mostrar-se superior ou cobrar fortalezas dos outros.

Muitas vezes, ajudar o outro é só fazer com que ele saiba que não está sozinho.

Pense sobre isso!

*Texto retirado do site da Igreja Verbo da Vida Sede em Campina Grande-PB

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