Exercendo a cidadania e cristianismo em um Estado laico

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por Lenise Freitas
(Graduada da Escola de Ministros e Coordenadora do Ministério Graça e Verdade no Rio de Janeiro- RJ) 

Foi CS Lewis quem escreveu que “Se eu encontro em mim um desejo que nenhuma experiência desse mundo possa satisfazer, a explicação mais provável é que eu fui feito para um outro mundo.”

Você como cristão já se sentiu como um peixe fora d’água  neste mundo? De fato a Bíblia diz que nossa verdadeira cidadania está no céu.

“Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).

Mas enquanto estamos aqui, temos algo para fazer: ser o sal desta terra e a luz deste mundo.

Não me lembro de um tempo onde tenha visto tantos cristãos buscando se envolver com  política e isto pode ser  bom. Devemos  todos exercer nossa cidadania, mas precisamos fazê-lo com sabedoria e conhecimento.

“O meu povo ( povo de Deus) perece porque lhes falta conhecimento” (Oseias 4.6).

Vivemos em um Estado laico. E um Estado laico não é um Estado antirreligioso! Você consegue apontar as diferenças entre Estado laico, Estado teocrático e Estado ateísta?

O Estado ateísta ou ateu   proíbe e persegue todas as religiões. “Estado ateu é um conceito de nação onde o governo (o Estado) não crê na existência de Deus e de nenhuma outra divindade ou entidade espiritual.”* Na maioria das vezes isto significa também proibição da liberdade de expressão como aconteceu na antiga União Soviética e em outros países comunistas.

O  Estado teocrático  impõe uma religião, e suas normas são as leis, (mas por questões de interpretações, nem sempre seguem seus princípios como lei). “Estado teocrático é um país ou nação que possui um sistema de governo que se submete às normas de uma religião específica. As regras que geram as ações políticas, jurídicas, de conduta moral e ética, além da força policial deste modelo de governo estão baseadas em doutrinas religiosas.”* Temos atualmente como exemplo alguns países islâmicos, onde a Xaria define princípios da lei jurídica e da religião.

O Estado laico reconhece todas as religiões e não privilegia nenhuma, em detrimento de outras. “Estado laico tem como princípio a imparcialidade em assuntos religiosos, não apoiando ou discriminando nenhuma religião.” O Estado laico entende o princípio de que fé não se impõe.

Jesus em sua conhecida frase “Dai a César o que é de César, dai a Deus o que é de Deus” nos aponta para o Estado laico. Devemos respeitar os princípios divinos, mas ter e respeitar também leis humanas, separando a Igreja  do Estado.

No antigo Império Romano, que dominou grande parte do mundo, a Igreja  passou por um longo tempo de proibição e intensa perseguição. Somente no ano 312 , o imperador Constantino, o primeiro imperador romano convertido ao cristianismo, acabou com a perseguição à Igreja através de um decreto que ficou conhecido como Edito de Milão.

Finalmente no  ano 380, um outro imperador, Teodósio I institui o Édito de Tessalônica, decretando o Cristianismo como oficialmente a Religião exclusiva do Estado Romano.

A Igreja sobreviveu a todo período de perseguição sem perder sua essência. Mas quando o Cristianismo se tornou a religião oficial mergulhou num caminho de dissolução. Pessoas que  não haviam se convertido verdadeiramente,  misturaram suas crenças pagãs à doutrina da Igreja. Pessoas mal intencionadas agora se juntavam à Igreja buscando benefícios próprios, negociando a fé. Surgiram neste período grandes heresias como a venda de indulgências (perdão para pecados).

O resultado foi tão desastroso, a Igreja foi tão descaracterizada e os princípios do cristianismo tão violados que a Igreja deixou de ser sal e luz!  O mundo entrou literalmente numa Idade das Trevas! Foram necessárias, não uma, mas duas reformas para tirar a Igreja e o mundo dessa condição: a Reforma Protestante  e a Contrarreforma. Muito tempo foi necessário para que se reencontrasse o equilíbrio. Mas a consequência disso foi uma Igreja dividida até hoje!

Obediência forçada  não é um princípio da Nova Aliança! Não é possível forçar um coração a entregar-se a Deus. Pelo contrário, o amor é que pode constranger. É o Espírito Santo quem convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo!

Se as tempestades são inevitáveis, nossas casas devem estar firmadas na Rocha.

Podemos e devemos participar ativamente da política de nosso país, e nossos princípios podem influenciar as leis, mas  de forma democrática como estabelece nossa Constituição que nos garante  a bênção de sermos um Estado democrático de direito.

“Sigamos as instruções de da Palavra, dando a César o que é de César, dando a Deus o que é de Deus” (Marcos 12:17).

“Fazendo antes de tudo, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade” ( I Timóteo 2:1-2).

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