Filhos de missionários

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IMG_9234Erika Souza

Integrante da equipe do PAM – Plano de Avanço Missionário (projeto da AGMVV)

Estou envolvida com missões desde minha infância. Na verdade, tem pouco tempo que descobri que sou filha de um “missionário de base”.

Meu pai era secretário da Secretaria de Missões da igreja em que congregávamos e por esse motivo sempre tive contato com os assuntos pertinentes ao tema.

Lembro que quando meu pai voltou de uma viagem de campo comecei a ouvir sobre suas experiências e aquelas conversas voltaram à minha mente com uma força avassaladora desde que fui para a Rússia no início do ano passado.

Lá eu conheci um casal de missionários que tem filhos e minha primeira pergunta foi: e seus filhos? Foram horas de conversa sobre adaptação, mudanças, problemas com vistos, escola e ainda uma particularidade de ter uma filha diagnosticada com dislexia (Dislexia é uma desordem no caminho das informações, o que inibe o processo de entendimento das letras e, por sua vez, pode comprometer a escrita. O disléxico não consegue associar o símbolo gráfico e as letras ao som que eles representam).

As ideias ainda estavam se organizando em minha mente quando fui convidada para participar de um curso de Gestão de Conselhos Missionários e novamente me deparei com o tema: Filhos de Missionários.

Depois disso não tive como parar de pensar e falar sobre o assunto.

Não temos muita coisa escrita a respeito, este é um tema novo, pouco explorado. Ainda há muito para descobrirmos a respeito e faremos isso com todo discernimento e clareza, sendo guiados pelo Espírito Santo.

Um dos fatores que mais me motivam a estudar sobre o cuidado com os filhos de missionários é o fato de que problemas os envolvendo são um dos maiores motivos de retorno precoce do missionário.

Não é difícil imaginar as pressões e desafios de estar em outra nação, mas ver um filho sofrendo, sem dúvida, não deve ser nada fácil.

Imaginem como deve ser para uma criança deixar de ter contato com seus avós, primos e familiares, ou um adolescente ter que deixar seus amigos, igreja ou um jovem, já na época de entrar na faculdade pensar nos desafios que será ter que estudar em outro país com outro idioma.

Entendemos como cuidado integral do missionário a atenção dispensada a eles não só financeiramente, mas espiritualmente e afetivamente também.

Na carta de Paulo ao Filipenses podemos verificar que aquela era uma igreja que se empenhou no cuidado de Paulo nesses três aspectos:

Financeiramente“E bem sabeis também, ó filipenses, que, no princípio do evangelho, quando parti da macedônia, nenhuma igreja comunicou comigo com respeito a dar e a receber, senão vós somente;” Filipenses 4.15

Espiritualmente – “Como tenho por justo sentir isto de vós todos, porque vos retenho em meu coração, pois todos vós fostes participantes da minha graça, tanto nas minhas prisões como na minha defesa e confirmação do evangelho.” Filipenses 1.7

Afetivamente – “Julguei, contudo, necessário mandar-vos Epafrodito, meu irmão e cooperador, e companheiro nos combates, e vosso enviado para prover às minhas necessidades.” Filipenses 2.25.

Entender a questão não é tão complicado, colocar em prática é um desafio que precisamos enfrentar.

Os filhos dos missionários não são uma extensão deles. São pessoas, com individualidades e necessidades específicas. Não podemos ignorar isso.

Sabemos que essa é uma preocupação que deve estar presente naqueles que decidiram obedecer ao chamado de Deus para suas vidas, mas é inadmissível que nós que enviamos possamos ficar alheios.

Cuidar de quem enviamos é muito mais que um dever, é um privilégio. Através dessas pessoas estamos atendendo ao chamado de Deus de levar o Evangelho até os confins da terra e devemos desejar fazer isso da melhor forma, utilizando todos os recursos necessários.

Nós, como Igreja local, devemos nos mobilizar. Os cuidados devem ter início no pré-campo, e se estender ao campo e ao pós-campo. Com isso não estamos garantindo que não surgirão situações difíceis, mas teremos a certeza que estamos cumprindo o nosso papel, sendo participantes do que Deus fará por meio de quem enviamos.

Da última vez que falei sobre os cuidados com filhos de missionários alguns chamados para o campo missionário falaram sobre a possibilidade não ter filhos. Essa é uma decisão que cabe ao casal, mas em hipótese alguma devemos controlar a vida familiar de alguém por causa do seu chamado ou dizer que eles não estão aptos para determinado local por causa dos filhos.

A palavra de Deus diz que filhos são bênçãos, heranças do Senhor. Cuidar dessas crianças, adolescentes e jovens também é parte na missão da igreja local.

Lembram-se do casal de missionários que citei no inicio do texto, que tem uma filha com dislexia? Bom, a menina nunca foi impedimento para o cumprimento do chamado dos pais e mesmo com essa particularidade ela fala quatro idiomas e está aprendendo o quinto.

Existe uma graça para enfrentar as situações por mais difíceis que elas se apresentem. Mas a graça não dispensa a atenção e o cuidado que a igreja local deve ter com aqueles que enviam.

Que possamos cada vez mais ser para os nossos missionários como a Igreja de Filipos foi para Paulo.

Que os filhos dos missionários possam ser alvos das nossas orações, contribuições e afeto.

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