Lembre-se de Aleppo

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Uma breve pausa agora no seu atarefado dia. Vamos viajar com nosso olhar por mais de 5111 milhas. Estamos em Aleppo agora. O verde e azul do nosso Brasil se transformou em uns tons de cinza. Os sons de carro, buzinas e conversas calorosas deram lugar ao silêncio aterrorizante marcado por sons de tiros, bombas e tremores. Eventualmente, gritos lembram dos que permanecem vivos e dos que agora estão morrendo. Empatia por aquele que foi pego dessa vez. Que Alá o proteja.

Tremores amedrontam nossos vizinhos escondidos. Buscamos refúgio, um lugar de salvação. Lágrimas escorrem das nossas crianças que estão com fome, com sede e temem o inimigo próximo. Nossas cabeças a mil por hora tentam de toda forma encontrar uma saída. Socorro é o nome mais procurado. Alá talvez seja o segundo mais pronunciado. Sim, Alá. Porque não sabemos quem é Deus nem Jesus. De minuto em minuto o som de bombas se aproximam. Sons mais presentes, mais preenchidos.

E os tremores vão deixando se ser reais para tornarem-se surreais, pois não é possível que estejamos aqui. Isto não deve estar acontecendo. É assim que a vida acaba? É assim que Alá deseja? Ainda existem milagres? Todos os nossos sentidos estão cada vez mais turvos. A respiração pesada se tornou comum. Os gritos, antes tão doloridos, agora doem menos. Afinal, a sensação de sufoco não nos permite mais pensar. Não queríamos morrer, agora só desejamos morrer antes dos nossos entes queridos, antes de vê-los sofrer. Antes que vejamos nossas filhas serem violentadas e mortas.

A adrenalina que corre em nosso corpo minimiza o frio e a fome constantes. Vez ou outra o coração acelera ainda mais. Uma parede caiu perto de nós, mas não foi desta vez. Onde será que estão todos? Será que estão bem? Será que estão vivos? Conseguiram escapar? Não há o que fazer. Apenas permaneça imóvel, mantenha as crianças quietas. Permaneçamos vivos.

Foto: GEORGE OURFALIAN
Foto: George Ourfalian

De volta ao Brasil. Alguém deixou um carro prendendo o do vizinho que está irritado e buzina freneticamente.

O que podemos fazer por Aleppo? Como amenizar a dor, o sofrimento e o desespero dos mais de 50 mil que permanecem na cidade à espera da morte, à espera de um milagre? Será que os cristãos permaneceram por lá? Será que eles têm salvo alguns em seus poucos momentos de vida? Eles têm levado água aos sedentos? Tem sido socorro na hora da angústia? Eles têm sido Jesus em Aleppo? Será que a Igreja em Aleppo está segura? Conseguiram se salvar?

#OremosPorAleppo, mas não oremos apenas para criar uma hashtag. Ou para compartilhar quão triste é a situação e quão antenados estamos das causas internacionais. Não #OremosPorAleppo apenas para cumprir nosso dever diário cristão. Nem apenas para escrever um texto comovente.

Oremos por Aleppo com amor. Oremos por Aleppo com todo nosso coração. Oremos com a consciência e fé de que se nossas orações movem montanhas. Elas também são poderosas para mudar situações, para responder gritos de socorro e orações desesperadas. Oremos conscientes da autoridade investida à Igreja de Cristo. Oremos porque, quando nos sentimos inúteis, fracos ou impotentes, aí é que somos fortes.

Não vim te condenar pelo McDonald`s que você está comendo enquanto muitos morrem de fome. Vim apenas te conscientizar. Obviamente seguiremos com nossas vidas e nossas rotinas. Graças a Deus por isso! Mas que não sejamos também hipócritas e omissos como Igreja de Cristo. Oremos por Aleppo, porque a oração de um justo pode muito em seus efeitos.

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Por Juliana Toledo, graduada da Escola de Missões Rhema

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